Edição 1963 . 5 de julho de 2006

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Negócios
Sandálias da ousadia

A Alpargatas, que fabrica as Havaianas, é
eleita a melhor empresa de 2005 por Exame



Germano Luders
"O Brasil sabe que a disciplina fiscal é indispensável para o crescimento."
Guido Mantega, ministro da Fazenda

Os executivos brasileiros já foram comparados a pilotos hábeis que dirigem numa pista desconhecida e sob forte neblina. Têm visibilidade reduzida do futuro e precisam reagir rapidamente às mudanças de um ambiente volátil – não raro, hostil. Nova prova dessa destreza torna-se patente na edição de 2006 de Melhores e Maiores, da revista Exame, que, assim como VEJA, é publicada pela Editora Abril. O anuário mostra que a soma do faturamento das 500 maiores empresas do país atingiu 577 bilhões de dólares em 2005, num crescimento de 3,3% em relação ao ano anterior. Significativo, mas pouco superior ao modesto avanço do produto interno bruto do país, de 2,3%. Mas os lucros das companhias aumentaram 14,3%, passando de 32 bilhões para 36,7 bilhões de dólares no mesmo período. Essa é a prova de habilidade dos dirigentes empresariais. A publicação registra também um fenômeno em andamento no universo dos negócios. As grandes firmas brasileiras estão em crescente processo de internacionalização. Lista inédita de Melhores e Maiores mostra que catorze empresas no país já faturam mais de 1 bilhão de dólares com vendas no exterior. Outro estudo, da consultoria americana Boston Consulting Group (BCG), indica ainda que, dentre 100 companhias emergentes que ameaçam líderes globais, doze são brasileiras. Entre os líderes do ranking estão China, com 44, Índia, com 21, e Rússia, com sete. Representativa, nesse aspecto, foi a escolha da Alpargatas como a melhor empresa de 2005. A firma voltou-se para o mundo e realizou a façanha de transformar um produto modesto, as Havaianas, num artigo de luxo, requisitado em todo o planeta. No ano passado, mais de 22 milhões de pares de 39 modelos das sandálias foram comprados em oitenta países. Desde 2000, as vendas internacionais do produto crescem 50% ao ano.


Germano Luders
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Civita: é a hora de o país definir se vai ser protagonista ou coadjuvante na economia global

O mundo tem aberto excepcionais janelas de oportunidade para as nações e suas firmas, e várias empresas brasileiras tiveram ousadia para aproveitá-las. Mas esses espaços são finitos. Têm de ser ocupados com presteza. Daí a relevância da superação dos entraves internos, que colocam uma pedra adicional no ombro dos empreendedores brasileiros. Carga tributária excessiva, burocracia desnecessária, desvios macroeconômicos e descontrole nos gastos públicos são exemplos dessa sobrecarga. O presidente do Grupo Abril, Roberto Civita, considera que o atual debate político, proporcionado pela campanha presidencial, é um momento decisivo para que o país defina seu caminho. "Agora, vamos escolher entre a inserção definitiva como um participante de peso na economia global e a eterna condição de país em desenvolvimento", disse Civita, na cerimônia de entrega dos prêmios de Melhores e Maiores. Presente ao evento, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o governo tem um compromisso com a estabilidade, outra condição elementar para o sucesso do país. "O Brasil todo sabe que o controle da inflação, a disciplina fiscal e o aprimoramento das contas externas são condições indispensáveis ao crescimento", disse Mantega. É isso que a sociedade vai cobrar.

 
 
 
 
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