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Negócios
Sandálias da ousadia
A Alpargatas, que fabrica as Havaianas, é
eleita a melhor empresa de 2005 por Exame
Germano Luders
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"O Brasil sabe que a disciplina
fiscal é indispensável para o crescimento."
Guido Mantega, ministro
da Fazenda |
Os executivos brasileiros já
foram comparados a pilotos hábeis que dirigem numa pista
desconhecida e sob forte neblina. Têm visibilidade reduzida
do futuro e precisam reagir rapidamente às mudanças
de um ambiente volátil não raro, hostil. Nova
prova dessa destreza torna-se patente na edição de
2006 de Melhores e Maiores, da revista Exame, que,
assim como VEJA, é publicada pela Editora Abril. O anuário
mostra que a soma do faturamento das 500 maiores empresas do país
atingiu 577 bilhões de dólares em 2005, num crescimento
de 3,3% em relação ao ano anterior. Significativo,
mas pouco superior ao modesto avanço do produto interno bruto
do país, de 2,3%. Mas os lucros das companhias aumentaram
14,3%, passando de 32 bilhões para 36,7 bilhões de
dólares no mesmo período. Essa é a prova de
habilidade dos dirigentes empresariais. A publicação
registra também um fenômeno em andamento no universo
dos negócios. As grandes firmas brasileiras estão
em crescente processo de internacionalização. Lista
inédita de Melhores e Maiores mostra que catorze
empresas no país já faturam mais de 1 bilhão
de dólares com vendas no exterior. Outro estudo, da consultoria
americana Boston Consulting Group (BCG), indica ainda que, dentre
100 companhias emergentes que ameaçam líderes globais,
doze são brasileiras. Entre os líderes do ranking
estão China, com 44, Índia, com 21, e Rússia,
com sete. Representativa, nesse aspecto, foi a escolha da Alpargatas
como a melhor empresa de 2005. A firma voltou-se para o mundo e
realizou a façanha de transformar um produto modesto, as
Havaianas, num artigo de luxo, requisitado em todo o planeta. No
ano passado, mais de 22 milhões de pares de 39 modelos das
sandálias foram comprados em oitenta países. Desde
2000, as vendas internacionais do produto crescem 50% ao ano.
Germano Luders
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uders
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| Civita: é a hora de o país
definir se vai ser protagonista ou coadjuvante na economia global
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O mundo tem aberto excepcionais
janelas de oportunidade para as nações e suas firmas,
e várias empresas brasileiras tiveram ousadia para aproveitá-las.
Mas esses espaços são finitos. Têm de ser ocupados
com presteza. Daí a relevância da superação
dos entraves internos, que colocam uma pedra adicional no ombro
dos empreendedores brasileiros. Carga tributária excessiva,
burocracia desnecessária, desvios macroeconômicos e
descontrole nos gastos públicos são exemplos dessa
sobrecarga. O presidente do Grupo Abril, Roberto Civita, considera
que o atual debate político, proporcionado pela campanha
presidencial, é um momento decisivo para que o país
defina seu caminho. "Agora, vamos escolher entre a inserção
definitiva como um participante de peso na economia global e a eterna
condição de país em desenvolvimento", disse
Civita, na cerimônia de entrega dos prêmios de Melhores
e Maiores. Presente ao evento, o ministro da Fazenda, Guido
Mantega, afirmou que o governo tem um compromisso com a estabilidade,
outra condição elementar para o sucesso do país.
"O Brasil todo sabe que o controle da inflação, a
disciplina fiscal e o aprimoramento das contas externas são
condições indispensáveis ao crescimento", disse
Mantega. É isso que a sociedade vai cobrar.
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