TELEVISÃO
Gaumont
Ensaio de Orquestra: metáfora
política |
Euroclassics
Federico Fellini (quartas às 22h, no Eurochannel)
Eis uma chance rara de ver ou rever filmes como Mulheres
e Luzes (1950), que marcou a estréia de Fellini
na direção, dividindo os créditos com
Alberto Lattuada. A fita, que vai ao ar na quarta-feira,
dia 5, não alcança o brilho de trabalhos posteriores
do diretor de Amarcord. Mas, ao retratar os desencontros
de uma trupe de teatro, já deixa entrever seu mágico
senso de humor. Dos anos 50, também estão
no pacote Abismo de um Sonho e A Trapaça.
Para fechar, Ensaio de Orquestra (1979), uma metáfora
da tumultuada realidade política italiana da década
de 70.
Divulgação
A Regra do Jogo:
sátira
mordaz à burguesia
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Ciclo Jean Renoir
(quintas às 22h, no Eurochannel) A programação
focaliza Jean Renoir, filho do pintor impressionista Auguste
Renoir e um dos maiores cineastas franceses. Com conhecimento
de berço, o diretor realizou fitas de crítica
mordaz à burguesia. Renoir atingiu seus melhores
momentos em A Regra do Jogo (1939), no qual satiriza
conflitos sociais sob a forma de uma festa de arromba, e
no drama A Grande Ilusão, ambientado no front
da I Guerra. Os dois filmes são o ponto alto do ciclo,
que começa na quinta-feira, dia 6, com o musical
French Cancan (1955).
SHOW
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LFI

Morrissey em ação:
homossexualidade e recessão, em letras de puro
lirismo
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Morrissey
(dias 3 e 4 no Olympia, São Paulo; dia 5 no ATL Hall,
Rio de Janeiro) O cantor Stephen Morrissey foi o
grande poeta do pop inglês nos anos 80. À frente
do grupo The Smiths, ele emprestou um tom lírico
a temas como a homossexualidade o sujeito é
assumidão de primeira hora e a recessão
econômica por que passava a Inglaterra. Nas suas letras,
Morrissey era capaz de criticar o sistema educacional e
os políticos de seu país. Os Smiths encerraram
suas atividades em 1987, depois de lançar álbuns
clássicos como Meat is Murder (1985) e The
Queen is Dead (1986). A boa notícia é
que finalmente Morrissey resolveu incluir pérolas
do grupo em seu repertório. Os brasileiros, que nunca
viram os Smiths ao vivo, poderão fartar-se com The
Boy with the Thorn in His Side e outros hits.
DISCOS
Ballad Collection,
Stevie Wonder (Motown/Universal) Numa cena de Alta
Fidelidade, celebrado livro do escritor inglês
Nick Hornby, o funcionário de uma loja de discos
praticamente expulsa um cliente que havia perguntado por
um disco romântico de Stevie Wonder. Foi a maneira
encontrada por Hornby, um amante da boa música, para
explicar que o sujeito não passava de um ogro sem
coração. O escritor sabe que Stevie Wonder
é um dos poucos artistas que conhecem o segredo de
compor doces melodias sem exagerar na dose de açúcar.
Ballad Collection reúne em um único
CD todas as rasgadas canções de amor do astro.
Das inocentes My Cherie Amour e You Are the Sunshine
of My Life às declarações mais
profundas, como You and I e Ribbon in The Sky.
Uma seleção tão caprichada que os ouvintes
nem sentirão falta de I Just Called to Say I Love
You, balada bobinha que rendeu a Wonder o Oscar de melhor
canção em 1985.
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Horowitz At the
Met, Vladimir Horowitz (BMG Brasil) Um dos
maiores pianistas do século, o russo Vladimir Horowitz
(1903-1989) nunca se envergonhou de preferir o repertório
mais conhecido de Chopin e Mozart a temas obscuros. Muito
pelo contrário: suas interpretações
das sonatas e valsas desses autores revelavam detalhes nunca
antes percebidos. Um bom exemplo da maestria de Horowitz
ao piano está em At the Met, disco que saiu
em vinil nos anos 80 e agora ganha uma caprichada edição
em CD. As versões das baladas de Chopin e Liszt estão
entre as melhores de sua carreira.
FILME
Divulgação
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| Catherine Deneuve: desespero |
Place Vendôme
(França, 1998. Estreou na sexta-feira, 31, em São
Paulo) Catherine Deneuve foi premiada no Festival
de Veneza por seu papel neste policial altamente dramático.
Ela vive Marianne, uma mulher alienada e alcoólatra.
Quando seu marido, um joalheiro, se suicida, ela decide
vender um punhado de diamantes roubados que herdou dele.
Nessa aventura, reencontrará o passado e achará
um rumo para o futuro. Dirigido pela atriz Nicole Garcia,
o filme tem um clima pesado que combina à perfeição
com a atuação silenciosa e desesperada de
Catherine.
LIVRO
Extinção,
de Thomas Bernhard (tradução de José
Marcos Mariani de Macedo; Companhia das Letras; 476 páginas;
35 reais) Bernhard foi o maior talento literário
da Áustria neste século. Mas seus textos não
são indicados para pessoas sensíveis, dada
a raiva e o pessimismo que exalam deles. A situação
se repete neste derradeiro romance do autor, morto em 1989.
O livro mostra o processo de autodestruição
de um intelectual que abandona o exílio voluntário
para cuidar da fazenda da família.
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OS MAIS VENDIDOS - Crítica |
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Escrito
pelo florentino Nicolau Maquiavel no começo
do século XVI, o pequeno tratado O Príncipe
vem criando polêmica nos últimos
500 anos. Com sua doutrina de que "os fins justificam
os meios" e de que tudo é válido na
luta pelo poder, inclusive ações brutais
ou inescrupulosas, o livro escandalizou a muitos.
Um bom punhado de teorias importantes foi elaborado
para tentar explicá-lo. Mesmo assim, ninguém
chegou a um consenso.
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Por isso, surpreende a tranqüilidade
com que o publicitário José Nivaldo Junior
afirma ter desvendado essa "esfinge" em Maquiavel
O Poder (Martin Claret; 168 páginas;
16 reais), nono colocado entre os livros de não-ficção
na lista de mais vendidos de VEJA. Segundo Nivaldo,
o erro de todos os intérpretes que vieram antes
dele reside no fato de que eles quiseram ver em O
Príncipe um livro de filosofia ou um tratado
de ciência política. Na verdade, diz Nivaldo,
a obra é apenas "um manual do que hoje denominamos
marketing político". E ponto final. Partindo
dessa "constatação", Nivaldo se limita
a extrair do livro citações que seriam
aplicáveis aos dias de hoje. Ele também
dá outros exemplos do uso do tal "marketing político"
na História, enfocando personagens como Cristo
e Hitler.
Maquiavel: ele não
merecia o Nivaldo |
O resultado dessa fuzarca é
um frankenstein. Um livro desconjuntado, que não
diz ao que veio e nem para onde vai. Mais do que isso,
um livro dispensável. Se o publicitário
pretende apenas repetir os conselhos que ele dá
aos governantes, para que lê-lo? É melhor
ir direto à fonte. Afinal, se existe um consenso
a respeito de Maquiavel, é que ele era um ótimo
escritor. Ao contrário desse autor fajuto chamado...
Nivaldo, Geraldo? Como é fácil esquecer
o nome desse sujeito. |