Edição 1 643 -5/4/2000

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Economia e negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Colunas
Luiz Felipe de Alencastro
Sérgio Abranches
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
Veja recomenda
Lista de mais vendidos

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


 

TELEVISÃO

 
Gaumont
Ensaio de Orquestra: metáfora política

Euroclassics Federico Fellini (quartas às 22h, no Eurochannel) — Eis uma chance rara de ver ou rever filmes como Mulheres e Luzes (1950), que marcou a estréia de Fellini na direção, dividindo os créditos com Alberto Lattuada. A fita, que vai ao ar na quarta-feira, dia 5, não alcança o brilho de trabalhos posteriores do diretor de Amarcord. Mas, ao retratar os desencontros de uma trupe de teatro, já deixa entrever seu mágico senso de humor. Dos anos 50, também estão no pacote Abismo de um Sonho e A Trapaça. Para fechar, Ensaio de Orquestra (1979), uma metáfora da tumultuada realidade política italiana da década de 70.

 
Divulgação
A Regra do Jogo: sátira
mordaz à
burguesia

Ciclo Jean Renoir (quintas às 22h, no Eurochannel) — A programação focaliza Jean Renoir, filho do pintor impressionista Auguste Renoir e um dos maiores cineastas franceses. Com conhecimento de berço, o diretor realizou fitas de crítica mordaz à burguesia. Renoir atingiu seus melhores momentos em A Regra do Jogo (1939), no qual satiriza conflitos sociais sob a forma de uma festa de arromba, e no drama A Grande Ilusão, ambientado no front da I Guerra. Os dois filmes são o ponto alto do ciclo, que começa na quinta-feira, dia 6, com o musical French Cancan (1955).

 

SHOW

 

LFI

Morrissey em ação: homossexualidade e recessão, em letras de puro lirismo

Morrissey (dias 3 e 4 no Olympia, São Paulo; dia 5 no ATL Hall, Rio de Janeiro) — O cantor Stephen Morrissey foi o grande poeta do pop inglês nos anos 80. À frente do grupo The Smiths, ele emprestou um tom lírico a temas como a homossexualidade — o sujeito é assumidão de primeira hora — e a recessão econômica por que passava a Inglaterra. Nas suas letras, Morrissey era capaz de criticar o sistema educacional e os políticos de seu país. Os Smiths encerraram suas atividades em 1987, depois de lançar álbuns clássicos como Meat is Murder (1985) e The Queen is Dead (1986). A boa notícia é que finalmente Morrissey resolveu incluir pérolas do grupo em seu repertório. Os brasileiros, que nunca viram os Smiths ao vivo, poderão fartar-se com The Boy with the Thorn in His Side e outros hits.

 

DISCOS

 

Ballad Collection, Stevie Wonder (Motown/Universal) — Numa cena de Alta Fidelidade, celebrado livro do escritor inglês Nick Hornby, o funcionário de uma loja de discos praticamente expulsa um cliente que havia perguntado por um disco romântico de Stevie Wonder. Foi a maneira encontrada por Hornby, um amante da boa música, para explicar que o sujeito não passava de um ogro sem coração. O escritor sabe que Stevie Wonder é um dos poucos artistas que conhecem o segredo de compor doces melodias sem exagerar na dose de açúcar. Ballad Collection reúne em um único CD todas as rasgadas canções de amor do astro. Das inocentes My Cherie Amour e You Are the Sunshine of My Life às declarações mais profundas, como You and I e Ribbon in The Sky. Uma seleção tão caprichada que os ouvintes nem sentirão falta de I Just Called to Say I Love You, balada bobinha que rendeu a Wonder o Oscar de melhor canção em 1985.

 

Horowitz At the Met, Vladimir Horowitz (BMG Brasil) — Um dos maiores pianistas do século, o russo Vladimir Horowitz (1903-1989) nunca se envergonhou de preferir o repertório mais conhecido de Chopin e Mozart a temas obscuros. Muito pelo contrário: suas interpretações das sonatas e valsas desses autores revelavam detalhes nunca antes percebidos. Um bom exemplo da maestria de Horowitz ao piano está em At the Met, disco que saiu em vinil nos anos 80 e agora ganha uma caprichada edição em CD. As versões das baladas de Chopin e Liszt estão entre as melhores de sua carreira.

 

FILME

 
Divulgação
Catherine Deneuve: desespero

Place Vendôme (França, 1998. Estreou na sexta-feira, 31, em São Paulo) — Catherine Deneuve foi premiada no Festival de Veneza por seu papel neste policial altamente dramático. Ela vive Marianne, uma mulher alienada e alcoólatra. Quando seu marido, um joalheiro, se suicida, ela decide vender um punhado de diamantes roubados que herdou dele. Nessa aventura, reencontrará o passado e achará um rumo para o futuro. Dirigido pela atriz Nicole Garcia, o filme tem um clima pesado que combina à perfeição com a atuação silenciosa e desesperada de Catherine.

 

LIVRO

 

Extinção, de Thomas Bernhard (tradução de José Marcos Mariani de Macedo; Companhia das Letras; 476 páginas; 35 reais) — Bernhard foi o maior talento literário da Áustria neste século. Mas seus textos não são indicados para pessoas sensíveis, dada a raiva e o pessimismo que exalam deles. A situação se repete neste derradeiro romance do autor, morto em 1989. O livro mostra o processo de autodestruição de um intelectual que abandona o exílio voluntário para cuidar da fazenda da família.

 


OS MAIS VENDIDOS - Crítica

Escrito pelo florentino Nicolau Maquiavel no começo do século XVI, o pequeno tratado O Príncipe vem criando polêmica nos últimos 500 anos. Com sua doutrina de que "os fins justificam os meios" e de que tudo é válido na luta pelo poder, inclusive ações brutais ou inescrupulosas, o livro escandalizou a muitos. Um bom punhado de teorias importantes foi elaborado para tentar explicá-lo. Mesmo assim, ninguém chegou a um consenso.

Por isso, surpreende a tranqüilidade com que o publicitário José Nivaldo Junior afirma ter desvendado essa "esfinge" em Maquiavel – O Poder (Martin Claret; 168 páginas; 16 reais), nono colocado entre os livros de não-ficção na lista de mais vendidos de VEJA. Segundo Nivaldo, o erro de todos os intérpretes que vieram antes dele reside no fato de que eles quiseram ver em O Príncipe um livro de filosofia ou um tratado de ciência política. Na verdade, diz Nivaldo, a obra é apenas "um manual do que hoje denominamos marketing político". E ponto final. Partindo dessa "constatação", Nivaldo se limita a extrair do livro citações que seriam aplicáveis aos dias de hoje. Ele também dá outros exemplos do uso do tal "marketing político" na História, enfocando personagens como Cristo e Hitler.
Maquiavel: ele não
merecia o Nivaldo
O resultado dessa fuzarca é um frankenstein. Um livro desconjuntado, que não diz ao que veio e nem para onde vai. Mais do que isso, um livro dispensável. Se o publicitário pretende apenas repetir os conselhos que ele dá aos governantes, para que lê-lo? É melhor ir direto à fonte. Afinal, se existe um consenso a respeito de Maquiavel, é que ele era um ótimo escritor. Ao contrário desse autor fajuto chamado... Nivaldo, Geraldo? Como é fácil esquecer o nome desse sujeito.

 

São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel; Rio: Saraiva, Sodiler; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Sulina; Brasília: Sodiler; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler; Curitiba: Livraria Curitiba; Belo Horizonte: Leitura.