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Rumo ao popular
Ibope mostra
que usuários das classes C, D e E
começam a impulsionar o crescimento da rede
Manoel Fernandes
O
Ibope surpreendeu o mercado com a divulgação, na quarta-feira
passada, de sua última
pesquisa sobre o número de pessoas conectadas à internet
no Brasil. Num levantamento anterior, de dezembro, o instituto
tinha constatado que 3,3 milhões de brasileiros estavam
utilizando a rede mundial. No mais recente, em fevereiro,
surge a novidade: no período de apenas dois meses, 1,2 milhão
de brasileiros conectaram-se à rede. Com isso, os internautas
no Brasil teriam chegado a 4,5 milhões. Nesse intervalo
de tempo, segundo o Ibope, o país teve um aumento de 36%
de usuários da internet. É um crescimento fenomenal mesmo
para os padrões da rede mundial de computadores. Por isso,
os especialistas empenhavam-se em decifrar os números do
Ibope. Eles tentavam entender se a pesquisa representa apenas
um instantâneo de um momento especial de vigor da internet
brasileira ou se ela flagrou o início de um processo de
crescimento exponencial da rede no Brasil.
O instituto trabalha com amostragens. Seus pesquisadores
não saem de casa em casa perguntando se o morador tem acesso
à rede. No caso específico da pesquisa sobre internet, o
Ibope ouviu 15.000 pessoas
em nove capitais. É uma boa quantidade de entrevistas. Portanto,
é bastante provável que o número real de brasileiros usuários
da internet era mesmo de 4,5 milhões em fevereiro. Mas,
a partir dessa pesquisa, pode-se afirmar que a internet
no Brasil vai continuar crescendo nesse ritmo? Muito provavelmente
não. "O fenômeno da internet gratuita e a intensa exposição
de mídia das empresas desse setor foram dois fatores que
contribuíram para o crescimento atípico", explica Antonio
Ricardo Ferreira, diretor da divisão de audiência do Ibope.
Para o instituto de pesquisa, os consumidores antes insensíveis
à novidade foram convencidos a experimentar a internet pela
propaganda dos provedores gratuitos. Muito provavelmente
isso é apenas parte da explicação. "É um dado interessante,
mas precisa ser visto com menos paixão", afirma Raphael
Mandarino, representante dos usuários no Comitê Gestor da
internet no Brasil. Ele acredita que realmente exista uma
demanda reprimida nos setores mais populares, mas o custo
do provedor nunca foi a principal barreira de acesso. Mostra
disso é a constatação do Ibope de que alguns provedores
pagos não perderam assinantes com a entrada dos gratuitos.
"O preço dos computadores ainda é o maior fator inibidor
da explosão da internet na classe C na rede", diz Mandarino.
A pesquisa mostrou que essa barreira também está sendo vencida.
Um ponto significativo foi o aumento da presença da classe
C na internet. Os brasileiros de rendimento baixo elevaram
sua participação em 50% nestes dois meses. Os ainda menos
aquinhoados, classificados como membros das classes D e
E, praticamente dobraram.
A internet só vai se tornar um fenômeno de massa no Brasil
quando os internautas das classes C, D e E forem maioria.
Nos Estados Unidos, onde a rede tem o maior grau de penetração
na sociedade, é assim. A Europa ainda conserva um modelo
semelhante ao brasileiro, mas os governos lutam para massificar
a invenção americana. Dos 5.507 municípios brasileiros, apenas 350 dispõem de serviço
de acesso à rede. No restante, a internet ainda faz parte
do imaginário. O que fazer? No México, o governo decidiu
financiar, a juros baixíssimos, PCs para a população de
baixa renda. Não há consenso de que essa seja a solução
mais apropriada para o Brasil. No ano passado foram vendidos
no mercado brasileiro 2 milhões de computadores e para este
ano as empresas esperam entregar mais 3 milhões de unidades.
O preço começa a ficar acessível com as linhas de financiamento
de longo prazo dos bancos e fabricantes.
A empresa que bateu a Microsoft
Fonte: Agência
Alemã de Notícias (dpa)
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John Chambers. Guarde este nome, pois ele identifica
o chefe da empresa que, desde segunda-feira da semana
passada, é a mais valiosa do mundo. A Cisco Systems,
com sede em San Jose, Califórnia, destronou a Microsoft.
Considerando-se o que se paga por suas ações na Bolsa
de Nova York, a empresa vale estratosféricos 555 bilhões
de dólares 14 bilhões a mais do que a empresa
de Bill Gates, o homem mais rico do mundo. O progresso
vertiginoso da Cisco é mais um troféu para a internet,
a rede mundial de comunicação por computador. A Cisco
fabrica roteadores, equipamentos que controlam e direcionam
o fluxo de dados que trafegam na internet. A questão
é que ela produz quase todos os roteadores em uso
e os encomendados. É dona de 95% dos roteadores instalados
na rede. A empresa também pratica o comércio eletrônico
para valer: 84% de suas vendas globais são feitas
pela web. Atualmente, as três companhias mais valorizadas
do planeta têm relação com o mundo virtual. Estão
no que vem sendo chamado de nova economia. A Cisco
e a Microsoft de forma mais integral. A terceira maior,
a General Electric, uma empresa centenária criada
pelo inventor da lâmpada, Thomas Edison, está em pleno
processo de transformação. Ainda fabrica lâmpadas
e geladeiras, mas já comercializa peças e produtos
via rede mundial. "A internet é a força que alimenta
a economia global", diz Chambers.
A expectativa positiva dos investidores em relação
ao futuro da internet e ao desempenho de algumas empresas
nesse ambiente tem inflado o valor das ações da dita
nova economia. A exuberância é tamanha que desperta
o temor de que o valor dos papéis se descole demais
da realidade e não se sustente. A Cisco é parte desse
fenômeno que intriga os analistas. Como pode uma empresa
que fatura 15 bilhões de dólares por ano ser avaliada
em mais de meio trilhão de dólares? Os investidores
estão certos de que a Cisco tem competência para manter-se
no coração do mundo virtual e continuar crescendo
ainda por muito tempo. Ou seja, vai haver no futuro
quem compre suas ações por preços mais altos que os
pagos hoje.
A Cisco estreou na bolsa em 1990 seis anos depois
de sua fundação. Quem investiu 10 000 dólares em suas
ações naquela época e conservou os papéis no cofre
pode transformá-los hoje numa fortuna de nada menos
que 13 milhões de dólares. Estima-se que centenas
de seus 26 000 funcionários, que receberam ações da
empresa como parte de pagamento, já se tornaram milionários.
Inclusive algumas recepcionistas.
Chambers é apontado como o propulsor do crescimento
da empresa. É ele que está por trás das múltiplas
aquisições feitas pela Cisco com a intenção de abraçar
todas as etapas da comunicação via internet. Foram
54 em sete anos. Antigos concorrentes, como a 3Com
e a Cabletron Systems, ficaram para trás. Seus maiores
adversários, hoje, são fabricantes de equipamentos
de telecomunicações, como a americana Lucent Technologies
e a canadense Nortel Networks. "A Cisco previu
que a internet mudaria a maneira como trabalhamos,
vivemos, jogamos e estudamos", diz Chambers.
"Há quatro anos isso era considerado um exagero."
Agora que a febre contaminou todo o mundo, a Cisco
está numa posição muito confortável.
Karin Finkenzeller
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