Edição 1 643 -5/4/2000

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Assédio a bordo

Astronauta russo é acusado de beijar colega canadense

AP

Soyuz preparada para partir rumo à Mir: pouco espaço, muita confusão

Foi uma cena digna de um romance de cossaco. O galã arrasta a mocinha para um canto escondido e tasca-lhe um beijo ardente. Tudo bem, não tivesse isso ocorrido durante um treinamento de astronautas na Rússia e a mocinha da história não tivesse armado um tremendo fuzuê, alegando assédio sexual. A canadense Judith Lapierre, de 32 anos e única mulher no treinamento que envolvia oito astronautas de vários países, acusa o comandante do grupo de tê-la beijado à força no módulo que reproduz as instalações da estação espacial Mir. Os astronautas ficaram confinados por 110 dias para que se pudesse saber como se comportariam no espaço. O grupo foi monitorado todo o tempo por psicólogos a partir de um circuito de televisão. O beijo, no entanto, foi às escondidas, longe do alcance das câmaras, na festa de Ano-Novo. A canadense conta que, na mesma ocasião, dois de seus companheiros russos encheram a cara de vodca e trocaram socos e pontapés. "Eu sabia que ia enfrentar pôsteres de mulheres nuas e vê-los navegando em páginas pornográficas da internet", afirma ela. "Mas eles passaram dos limites." Para o coordenador do projeto, Vadim Gushin, ela deveria ter estudado um pouco mais a cultura russa antes de participar do treinamento. "O beijo faz parte dos nossos costumes e nem sempre significa um ataque sexual." Judith não aceita o argumento. "Beijo de língua não tem nada a ver com cultura", protesta. Tudo isso é um tremendo constrangimento para as autoridades russas, pois ocorre às vésperas do vôo da Soyuz, que levará dois astronautas à Mir. De tão traumatizada, Judith diz que até dorme com uma faca embaixo do travesseiro.