| |
Assédio a bordo
Astronauta russo é
acusado de beijar colega canadense
AP

|
|
Soyuz
preparada para partir rumo à Mir: pouco espaço,
muita confusão
|
Foi uma cena digna de um romance de
cossaco. O galã arrasta a mocinha para um canto escondido
e tasca-lhe um beijo ardente. Tudo bem, não tivesse
isso ocorrido durante um treinamento de astronautas na Rússia
e a mocinha da história não tivesse armado um
tremendo fuzuê, alegando assédio sexual. A canadense
Judith Lapierre, de 32 anos e única mulher no treinamento
que envolvia oito astronautas de vários países,
acusa o comandante do grupo de tê-la beijado à
força no módulo que reproduz as instalações
da estação espacial Mir. Os astronautas ficaram
confinados por 110 dias para que se pudesse saber como se
comportariam no espaço. O grupo foi monitorado todo
o tempo por psicólogos a partir de um circuito de televisão.
O beijo, no entanto, foi às escondidas, longe do alcance
das câmaras, na festa de Ano-Novo. A canadense conta
que, na mesma ocasião, dois de seus companheiros russos
encheram a cara de vodca e trocaram socos e pontapés.
"Eu sabia que ia enfrentar pôsteres de mulheres nuas
e vê-los navegando em páginas pornográficas
da internet", afirma ela. "Mas eles passaram dos limites."
Para o coordenador do projeto, Vadim Gushin, ela deveria ter
estudado um pouco mais a cultura russa antes de participar
do treinamento. "O beijo faz parte dos nossos costumes e nem
sempre significa um ataque sexual." Judith não aceita
o argumento. "Beijo de língua não tem nada a
ver com cultura", protesta. Tudo isso é um tremendo
constrangimento para as autoridades russas, pois ocorre às
vésperas do vôo da Soyuz, que levará dois
astronautas à Mir. De tão traumatizada, Judith
diz que até dorme com uma faca embaixo do travesseiro.
|
|