Muito inglês, uai
Em Londres, o mineiro Inácio Ribeiro
veste
artistas famosos e firma a sua marca
Eduardo Salgado, de Londres
 |
 |
|
Criações
da dupla: ousadia no vestido de Naomi Campbell e bolinhas
em Madonna
|
Muito se ouviu falar nos últimos tempos de estilistas
brasileiros batendo ponto em passarelas internacionais.
Mas a história do mineiro Inácio Ribeiro é
diferente, a começar pela ausência de Brasil
a Clements Ribeiro, nome que divide com o da mulher,
Suzanne Clements, nasceu em Londres, é inglesíssima
e vem fazendo e acontecendo no mundo do show biz. Madonna,
a cantora que adora uma grife, usa Clements Ribeiro. Mick
Jagger também. Brad Pitt, Michelle Pfeiffer, Cameron
Diaz, todos têm Clements Ribeiro no guarda-roupa.
Avalizada por esse pessoal, a dupla assinou recentemente
seu primeiro contrato com uma empresa de grande porte: vai
desenhar a coleção primavera-verão
2001 da francesa Cacharel. "O fato de eu ser brasileiro
tem influência em meu trabalho", diz Ribeiro. "Mas
não é um traço óbvio."
Quarto-e-sala Filho de engenheiro e professora,
Ribeiro, 38 anos, nasceu em Belo Horizonte e lá foi
vitrinista e aprendiz de estilista antes de largar tudo
e partir para Londres, aos 24 anos. "Eu queria testar meu
talento", explica. "Ou dava um pulinho e ia para São
Paulo, ou dava um salto e viajava para a Europa." Conheceu
Suzanne, hoje com 31 anos, na renomada St. Martin's School
of Arts, onde ambos se formaram em desenho de moda. Em 1993,
abriram seu negócio no quarto-e-sala onde moravam
em Londres. O forte já eram os suéteres de
cashmere listrados em várias cores e as estampas
de bolinhas (que ele chama de "confete colorido"). "Se tudo
tivesse acabado em seis meses, não teria ficado surpresa",
diz Suzanne. Não só não acabou como
foi se ampliando. O quarto-e-sala foi trocado por uma bela
casa de três andares e, neste ano, a previsão
é que as criações de ambos rendam 5,1
milhões de dólares.
O casal cria as coleções em conjunto. Cada
um faz seus desenhos os dele, minuciosos e perfeccionistas;
os dela, espontâneos e "bagunçados"
e a seguir eles discutem conceitos, cores e tecidos. Depois,
Ribeiro toca a produção e Suzanne cuida da
administração da marca. "Dá certo,
mas não acho saudável um casal trabalhar junto.
Se um tem algum problema, não pode chegar em casa
à noite e discutir com o outro", reclama Ribeiro.
Ele e Suzanne trabalham dez horas por dia e quase não
encontram tempo para ficar com seu filho de 2 anos, Hector.
O menino é assistido por quatro babás brasileiras,
que se revezam ao longo do dia. O resultado do esforço
pode ser avaliado nas lojas das principais cidades do mundo
(no Brasil, a grife é vendida na paulista Daslu).
Os preços são salgados: um suéter custa
de 500 a 850 dólares. No meio da roda-viva, eles
sonham em desacelerar. "Nossa maior meta é trabalhar
menos", afirma Ribeiro. "Não existe processo criativo
que resista a longas horas no batente."