Lisinho e sem manchas
Novos tratamentos contra
rugas, olheiras e
bolsas de gordura remoçam o rosto sem
necessidade de intervenção cirúrgica
Aida Veiga
André Andrade
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1. Rugas de expressão
Causa:
envelhecimento da pele e perda
de elasticidade dos músculos
Como tratar:
a solução mais procurada, à
base de Botox, paralisa os músculos, deixando
a pele lisa. São necessárias de
três a dez picadas,
que levam no máximo vinte minutos, em cada
região (testa, canto dos olhos, entre nariz
e lábio e pescoço)
Recuperação:
imediata, mas o tratamento leva de dois a três
dias para fazer efeito
Duração:
de quatro a seis meses
Preço:
600 a 1 200 reais
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2. Bolsas
Causa:
acúmulo de gordura na parte inferior dos olhos
Como tratar:
injeção com substância
para derreter a gordura.
É necessária uma aplicação
de quinze minutos, a cada quinze
dias, durante seis a oito semanas
Recuperação:
duas semanas
(é normal o inchaço nos primeiros quatro
dias)
Duração:
definitiva
Preço:
180 reais por sessão
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Olheiras
Causa:
excesso de pigmentação e de vasos sanguíneos
em volta dos olhos
Como tratar:
com laser, que destrói vasos e clareia o pigmento.
São
necessárias seis sessões de meia hora
cada uma
Recuperação:
de sete a dez dias para apagar as marcas e seis meses
sem tomar sol
Duração:
de quatro a seis anos
Preço:
200 a 400 reais por sessão
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Em meio
a um arsenal que não pára de crescer e se
modernizar, duas armas vêm se destacando no front
da guerra contra o tempo. Uma aponta contra as bolsas que
se formam sob os olhos, que até recentemente só
eram removidas a poder de bisturi e agora desaparecem com
uma simples injeção. Outra amplia a ação
da vedete dos tratamentos cosméticos, o Botox, que
elimina os vincos da face. Usado e abusado na testa e na
área dos deletérios pés-de-galinha,
o Botox agora também alisa ruguinhas na faixa entre
o nariz e o lábio e no pescoço. Além
disso, está sendo testado na área do queixo,
gengiva (para ajeitar o "sorriso Gloria Pires") e
suprema evolução dos vincos nos cantos
da boca. Um espanto. "Bem aplicado e, em certos casos, associado
a outros tratamentos, ele pode efetivamente moldar e remoçar
o rosto", confirma a médica Matilde Sposito, doutora
e professora da Universidade Federal de São Paulo
(Unifesp).
O sucesso do Botox é estrondoso.
Só nos Estados Unidos, seu maior mercado, onde "botoxar"
virou verbo, foram realizadas 500.000
aplicações no ano passado. No ranking dos
tratamentos estéticos da Sociedade Americana de Cirurgia
Plástica, está em segundo lugar, perdendo
apenas para o peeling químico. Para o fabricante,
o laboratório Allergan, é uma mina de ouro.
Em 1999, ele faturou com o produto 175 milhões de
dólares, sendo 10% desse total no Brasil. As novas
indicações devem fazer o consumo disparar.
O Botox é a toxina causadora do botulismo, doença
que provoca uma paralisia que pode levar à morte.
Está presente, por exemplo, em enlatados malconservados.
Diluída em porções mínimas,
porém, apresenta propriedade paralisante eficientíssima
em um número cada vez maior de situações:
ameniza tiques nervosos, conserta estrabismo, reduz dores
musculares crônicas e está sendo pesquisada
para possível uso no combate à enxaqueca.
No rosto, injetado nas rugas, o Botox "congela" alguns músculos
e faz a pele naquele ponto ficar lisa como a de um bebê.
Vantagem: age rápido. Desvantagens: o tratamento
tem efeito temporário (dura de quatro a seis meses,
em média), uma aplicação mal feita
pode resultar em paralisia facial, e o Botox tira a expressão
natural da área tratada. Daí a dificuldade
de aplicá-lo nos vincos que se formam nos lados da
boca e que são movimentados sempre que se manifestam
sentimentos.
Tísico e romântico
Menos
arriscada é a novidade apresentada no último
Congresso Brasileiro de Dermatologia para remover, sem cirurgia,
as bolsas de gordura que a idade e a predisposição
genética formam sob os olhos. Aquelas que emprestam
um ar abatido ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, um ar
de quem vive na farra. O método consiste em três
a quatro aplicações de uma injeção
de fosfatidil colina, a mesma substância usada para
reverter embolias. A fosfatidil colina tem a capacidade
de derreter gordura. "É rápido, mais barato,
não deixa cicatriz e, na maioria dos casos, é
mais indicado do que a cirurgia", elogia Marcelo Gandelman,
titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
Companheiras quase inevitáveis das bolsas de gordura,
embora também desenvolvam carreira-solo, as olheiras
hoje são igualmente elimináveis, ainda que
pouca gente saiba disso. Quem tem olheiras geralmente nasceu
assim elas são um distúrbio congênito.
Os vilões são o excesso de pigmentação
e a grande quantidade de vasos sanguíneos predispostos
a hemorragias na área logo abaixo dos olhos. O excesso
de sol, o stress e a falta de sono só contribuem
para que as olheiras se tornem mais evidentes.
O tratamento mais eficaz para quem
ostenta olheiras como as de um poeta tísico e romântico
é a combinação de dois tipos de laser.
Um, normalmente usado para lesões vasculares, destrói
os vasos. O outro atua no próprio pigmento, clareando-o.
Existem técnicas que agem apenas sobre uma parte
do problema, como os cremes à base de vitamina K,
que reforçam os vasos sanguíneos e evitam
hemorragias. Apesar de ser paliativos, esses cremes são
de grande ajuda para quem cansou de encontrar no espelho
uma cara com aparência cansada. "Sou outra pessoa
desde que comecei a usar esse tipo de creme", elogia a atriz
Deborah Secco, de 19 anos. Quando criança, ela voltava
das aulas de natação como quem havia levado
dois murros nos olhos os óculos de mergulho,
utilizados para proteger a visão do cloro da piscina,
aprofundavam ainda mais as suas olheiras.
O ministro da Saúde, José
Serra, removeu cirurgicamente as bolsas de gordura sob os
olhos, mas nem pensa em mexer nas famosas olheiras. Não
porque ele queira bancar o poeta tísico e romântico.
Sua resistência, acreditam os amigos, deve-se ao fato
de que elas viraram uma espécie de marca registrada
do tucano. Já pensou o desespero dos chargistas dos
jornais se Serra as eliminasse? "As olheiras não
me incomodam", garante o ministro. "Depois que retirei as
bolsas, ficaram até civilizadas." A simulação
de computador publicada nesta página mostra que Serra
faz muito bem em não tirar as olheiras. Quanto a
Malan, ele não dá o menor sinal de que pretenda
tomar uma atitude, por mais que o aconselhem a dar um fim
a seus polpudos depósitos de gordura, como fez recentemente
o senador Antonio Carlos Magalhães, com uma ponta
de ironia. Como ele ficaria sem as bolsas? O resultado pode
ser visto nesta página, em outra foto simulada por
computador. Seu semblante rejuvenesceria e se tornaria menos
sisudo ideal para quem deseja candidatar-se à
Presidência, por exemplo. O ministro também
poderia procurar estímulo em seu chefe. Antes de
se tornar político, Fernando Henrique Cardoso convivia
com salientes bolsas sob os olhos. Depois que as tirou,
deu no que deu.