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A estrela brilha
Mercedes-Benz redesenha
o Classe C
para brigar com a Audi e a BMW
Klester Cavalcanti
Reuters
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Faróis em forma
de oito: reforma de
1,2 bilhão de dólares |
De tempo em tempo o quartel-general da Mercedes-Benz
em Sindelfingen, na Alemanha, é chacoalhado por uma
agitação surda. É a senha de que um
novo clássico dos automóveis de luxo está
prestes a ganhar as ruas e rodovias do mundo. Foi exatamente
isso que aconteceu há duas semanas. Numa cerimônia
pomposa, logo depois de a violinista cingapuriana Vanessa
Mae tocar uma peça inspirada em Prokofiev especialmente
composta para a ocasião, os alemães exibiram
sua grande aposta: o novo Classe C, um sedã que custou
à fabrica quatro anos de pesquisas e 1,2 bilhão
de dólares. Remodelado de pára-choque a pára-choque,
ele pretende ser a resposta definitiva às línguas
ferinas que haviam apelidado a versão anterior de
"Mercedes de pobre", por causa de seu desenho sem charme
e antiquado. Com esse lançamento, a marca da estrela
quer deixar claro que está disposta a brigar palmo
a palmo com as arqui-rivais Audi e BMW, que teimam em roubar-lhe
nacos do mercado de carros de luxo. A empresa espera despejar,
entre maio e dezembro, 160.000
desses carrões no mundo. O Brasil está nesses
planos, já que o novo Classe C chega por aqui em
agosto.
Cercado de mistérios, o Classe C ainda não
tem preço definido. Estima-se que o C-320 custará
cerca de 90.000 dólares,
o valor de um apartamento médio em São Paulo.
É caro, mas já nasce como um mito e pretensões
a objeto de desejo entre os entusiastas da marca. "Esse
carro é mais um sinal de que o nome Mercedes-Benz
já diz tudo", observa o consultor de automóveis
Péricles Malheiros, de São Paulo. É
muito mais do que a simples renovação do modelo
anterior, que custava cerca de 50.000
dólares. O Classe C é um carro novo, totalmente
redesenhado. Os faróis foram inspirados no modelo
circular que equipa o Classe E, uma linha mais sofisticada,
com a diferença de que as duas esferas, num sinal
de arrojo, se unem e formam um oito irregular, num formato
inédito. O desenho do veículo é arredondado,
com a capota semelhante à dos cupês, o vidro
traseiro rebaixado e a traseira alta, características
das máquinas mais esportivas. Por dentro, o acabamento
é de carro de milionário: revestimento de
couro e madeira sobre estruturas levíssimas de alumínio.
O bólido já nasce com o título de
melhor aerodinâmica do mundo. Empurrado por potente
motor de 218 cavalos, o Classe C vai de zero a 100 quilômetros
por hora em apenas 9,3 segundos e chega à velocidade
de 230 quilômetros por hora sem ratear. Os sistemas
de segurança trazem mecanismos até então
exclusivos dos modelos maiores e mais caros, como as bolsas
infláveis que protegem o motorista e o passageiro
da frente dos estilhaços das janelas em caso de acidente.
O carro tem ainda um limitador eletrônico de velocidade,
sistema de climatização interna automático
e o inovador Linguatronic, mecanismo que permite ao motorista
controlar, apenas com o comando da voz, o aparelho de som
e os equipamentos de telefonia. Um arraso na concorrência.
Os rivais do novo Classe C estão claramente marcados.
A Mercedes o projetou especialmente para golpear na briga
com o BMW Série 3 e o Audi A4. Mais modernos e com
desenho arrojado, os dois modelos engoliram fatias substanciais
do mercado de veículos na Europa e no resto do mundo,
onde o antigo Classe C reinava com conforto. Lançado
em 1993, esse sedã intermediário foi um sucesso
e vendeu 1,6 milhão de unidades. Vítima da
teimosia e do preciosismo da marca, acabou ficando melancolicamente
envelhecido em relação aos demais. Seus faróis
quadradões, a traseira triangular e o desenho excessivamente
retilíneo o tornavam o patinho feio da família.
Um pecado grave até mesmo por aqui, onde custava
quase 100.000 reais e estava
muito aquém da concorrência. No que diz respeito
ao Brasil, a estratégia da marca alemã provavelmente
será trazer os modelos mais simples, com motores
menos potentes – como o C200
e o C180 – e uma quantidade
menor de opcionais. O Classe C é oferecido em sete
motorizações de diferentes desempenhos e três
versões de acabamento. A sóbria Classic é
o padrão, a Elegance é mais sofisticada e
a Avantgarde segue uma linha esportiva. Nos três casos,
o requinte é enorme e o apelo mítico da marca
mais presente do que nunca.
O mínimo
e o máximo
Divulgação
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Smart: arrojo
para superar
o fracasso |
Com o novo Classe C saindo da linha de montagem,
a Mercedes-Benz começa a se dedicar às
próximas estrelas. Entre os modelos prometidos
para os próximos dois anos está um par
de automóveis em que o desenho inusitado e
o estilo marcante falam mais alto. O primeiro deles
é a limusine Maybach, um carrão espetacular,
com quase 6 metros de comprimento, apresentado em
1997 no Salão de Tóquio. Tem um perfil
arrojado inspirado em formas clássicas e leva
o nome de um lendário carro de luxo produzido
nos anos 30, batizado em homenagem ao projetista Wilhelm
Maybach. É uma aposta da montadora na categoria
de carros de alto luxo, dominada hoje pelos Rolls-Royce
e Jaguar. O outro é uma versão incrementada
do Smart, um pequeno automóvel produzido em
parceria com a fabricante de relógios Swatch
desde 1998. Moderno e jovial, parece um carrinho de
brinquedo com suas partes de plástico e alumínio.
Com ele, os alemães pretendem revitalizar a
marca em que os modelos iniciais não fizeram
muito sucesso.
Divulgação
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Maybach: limusine
por
250 000 dólares |
O Maybach é um exagero em todos os sentidos.
Tem quase 2 metros de largura e marcará a partir
de 2001 a volta da Mercedes à produção
de limusines, que a fábrica não monta
há quase vinte anos. Em seu interior espaçoso
carrega videocassete, três telefones, computador,
frigobar e sistema de navegação por
satélite. Os bancos traseiros possuem apoio
para as pernas e ajuste elétrico iguais aos
da classe executiva dos aviões. A carroceria
é de fibra de magnésio e alumínio
e, em vez de capota, exibe um imenso teto de vidro.
Tudo por estratosféricos 250.000
dólares. Já o minúsculo Smart,
com apenas 3 metros de comprimento, é extremamente
leve, pesando 700 quilos. É um pouco maior
que o antecessor, que tem 2,5 metros de comprimento,
motor de 0,6 litro, 54 cavalos de potência e
preço de 8.000 dólares.
Com a nova versão, a Mercedes pretende apagar
a imagem de fragilidade e baixa potência do
carro. Para isso, caprichou no design do roadster,
com pneus largos e rodas de liga leve. Só faltou
a estrela no capô. O que até certo ponto
é bom para quem compra, já que barato
não rima com Mercedes.
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