Edição 1 643 -5/4/2000

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A raiz do mal

Pesquisadores identificam genes que levam à velhice

Um dos maiores desafios da genética tem sido desvendar os mecanismos do envelhecimento humano. Na semana passada, um grupo de pesquisadores americanos anunciou ter dado um passo decisivo nesse sentido. Eles conseguiram vincular sinais da idade avançada, como o embranquecimento de cabelos, a flacidez da pele e dos músculos, com o processo de multiplicação celular. Os resultados de um estudo publicado na revista Science mostraram que, com o passar do tempo, um grupo de quinze genes responsáveis pelo processo de divisão celular tem seu funcionamento alterado, o que provoca instabilidade nas células e mutações cromossômicas. Elas geram uma reação em cadeia por todo o organismo e causam não apenas os sinais visíveis da degeneração como também aumentam o risco de ocorrência de doenças como câncer. "Constatamos que o envelhecimento é predominantemente um problema de divisão da célula", diz o pesquisador Richard Lerner, do Instituto de Pesquisa The Scripps, em La Jolla, na Califórnia, um dos coordenadores do estudo.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores americanos estudaram 6 300 códigos genéticos de jovens, adultos de meia-idade e idosos. Analisaram também células de crianças portadoras da doença de Hutchinson-Gilford, de origem hereditária e que provoca o envelhecimento precoce. Numa primeira avaliação identificaram 61 genes que se alteram com o passar do tempo. Depois, analisando os resultados detalhadamente, perceberam que o grupo relacionado à divisão celular acaba provocando a mudança nos demais. A pesquisa tem uma limitação metodológica: todos os estudos foram realizados em culturas de células que se reproduziam fora do corpo humano. Os pesquisadores não têm como saber se o comportamento celular seria idêntico no organismo.

 
Saiba mais
Da internet
  www.sciencemag.org
  www.afar.org
  www.arclab.org