A raiz do mal
Pesquisadores identificam genes que levam
à velhice
Um dos maiores desafios da genética tem sido desvendar
os mecanismos do envelhecimento humano. Na semana passada,
um grupo de pesquisadores americanos anunciou ter dado um
passo decisivo nesse sentido. Eles conseguiram vincular
sinais da idade avançada, como o embranquecimento
de cabelos, a flacidez da pele e dos músculos, com
o processo de multiplicação celular. Os resultados
de um estudo publicado na revista Science mostraram
que, com o passar do tempo, um grupo de quinze genes responsáveis
pelo processo de divisão celular tem seu funcionamento
alterado, o que provoca instabilidade nas células
e mutações cromossômicas. Elas geram
uma reação em cadeia por todo o organismo
e causam não apenas os sinais visíveis da
degeneração como também aumentam o
risco de ocorrência de doenças como câncer.
"Constatamos que o envelhecimento é predominantemente
um problema de divisão da célula", diz o pesquisador
Richard Lerner, do Instituto de Pesquisa The Scripps, em
La Jolla, na Califórnia, um dos coordenadores do
estudo.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores
americanos estudaram 6 300 códigos genéticos
de jovens, adultos de meia-idade e idosos. Analisaram também
células de crianças portadoras da doença
de Hutchinson-Gilford, de origem hereditária e que
provoca o envelhecimento precoce. Numa primeira avaliação
identificaram 61 genes que se alteram com o passar do tempo.
Depois, analisando os resultados detalhadamente, perceberam
que o grupo relacionado à divisão celular
acaba provocando a mudança nos demais. A pesquisa
tem uma limitação metodológica: todos
os estudos foram realizados em culturas de células
que se reproduziam fora do corpo humano. Os pesquisadores
não têm como saber se o comportamento celular
seria idêntico no organismo.
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