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Edição 1 792 - 5 de março de 2003
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Leia trechos de livros, veja trailers de filmes e ouça as músicas dos CDs recomendados nas últimas semanas por esta coluna na seção multimídia de VEJA on-line.

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CINEMA

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O Homem sem Passado: no páreo
do Oscar de filme estrangeiro


O Homem sem Passado
(Mies Vailla Menneisyyttä, Finlândia/Alemanha/ França, 2001. Em cartaz no Rio, e a partir de sexta-feira em São Paulo) – Há quem diga que o gosto pelos filmes do finlandês Aki Kaurismäki não surge naturalmente, mas tem de ser adquirido. Uma boa ocasião para cultivá-lo é essa pequena obra-prima, que vai disputar o Oscar de filme estrangeiro em 23 de março e é uma das escolhas mais inusitadas feitas para a categoria nos últimos tempos. Kaurismäki (cujo irmão Mika, também cineasta, mora no Brasil) trata aqui de um metalúrgico que, ao chegar a Helsinque, é selvagemente espancado por ladrões e dado por morto. De forma inesperada, ele ressuscita e é recolhido por alguns miseráveis que moram em contêineres instalados à beira d'água. O protagonista, porém, perdeu a memória por causa da surra. Como não se lembra do passado, está livre para moldar o futuro. A desvantagem é que, como não tem um nome, ele tecnicamente não existe – ou existe apenas para aquelas pessoas que estão tão à margem quanto ele. Kaurismäki tem um humor seco e excêntrico, que se mantém a um passo do surreal, mas combina a ele uma doçura surpreendente. Além disso, o finlandês é um desses diretores que sabem usar com grande talento o silêncio e as pausas, abrindo espaço no filme para que o espectador vá articulando as suas próprias impressões. O resultado tem mesmo um paladar incomum, mas que definitivamente merece ser provado.


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Mogli 2: charmoso como o primeiro


Mogli, o Menino Lobo 2
(The Jungle Book 2, Estados Unidos, 2003. Em cartaz no país) – No fim dos anos 60, o desenho animado Mogli, o Menino Lobo conquistou as crianças com sua trama fascinante e recheada de números musicais. Inspirado num livro do autor anglo-indiano Rudyard Kipling, o filme falava de um garoto que, criado por bichos na selva indiana, reluta em deixar aquele hábitat para viver com os homens. Passados mais de trinta anos, a Disney lança uma seqüência tão charmosa quanto o filme original. Ela começa no ponto em que as aventuras de Mogli tinham parado: o personagem agora vive numa aldeia, mas não consegue resistir à saudade de seus amigos, como o urso Balu e a pantera Baguera, e volta à floresta. Veja o trailer.

 

LIVROS

Uma Comovente Obra de Espantoso Talento, de Dave Eggers (tradução de Roberto Grey; Rocco; 458 páginas) – No começo dos anos 90, o americano Dave Eggers passou por uma tragédia familiar. Depois de perder seu pai e sua mãe com poucas semanas de diferença, vítimas do câncer, o então recém-formado Eggers se viu de repente perdido no mundo – e, ainda por cima, com a tarefa de cuidar de seu irmão de 8 anos. Foi um período duro, mas ele sublimou sua tragédia escrevendo um livro de memórias tão cáustico quanto tocante. Cheio de referências literárias e de brincadeiras estilísticas, o que leva alguns críticos a considerá-lo "pós-moderno", Uma Comovente Obra de Espantoso Talento transformou o escritor, hoje com 31 anos, num dos nomes mais festejados da nova geração de autores da língua inglesa – e também em um jovem bem rico. Eggers, que tem entre seus fãs escritores como o inglês Nick Hornby e o americano Michael Chabon, abriu uma editora própria e edita uma revista literária de grande sucesso, a McSweeney's, na qual dez entre dez autores famosos dos Estados Unidos fazem fila para colaborar.

As Pernas da Tia Corália, de Antonio Prata (Objetiva; 92 páginas; 21,90 reais) – Filho do escritor Mario Prata, o estreante Antonio Prata, de 25 anos, herdou de seu pai o gosto por um gênero literário: a crônica. Nesse seu primeiro livro, ele demonstra que tem luz própria – e se coloca como uma boa promessa do humor nacional. Prata escreve textos leves e espirituosos, às vezes com toques surreais. Em Terça-Feira de Manhã,por exemplo, narra uma bizarra calamidade mundial cujo ponto de partida é uma epidemia de calvície. Outra crônica divertida é Reflexões sobre a Planta Ovo: um Babaganuch Existencial, na qual ele tece divagações acerca da berinjela. Com uma imaginação dessas, o pai que se cuide. Leia trechos do livro.

 

DISCO

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Groove Armada: nova fase

Lovebox, Groove Armada (Zomba) – Durante os anos 90, o duo inglês formado pelos DJs Tom Findlay e Andy Cato esmerou-se em produzir canções de batidas arrastadas, na medida para curtir esparramado no sofá. Seu sucesso no estilo "lounge" foi coroado há três anos, quando a dupla abriu os shows da turnê americana de Elton John. Lovebox, contudo, marca uma guinada na carreira do Groove Armada. O disco é mais voltado para a pista de dança do que para o repouso, e traz influências do dancehall (uma espécie de reggae eletrônico) e do rock. Alguns astros da música negra marcam presença no álbum. A cantora Neneh Cherry está em Think Twice, a vocalista Sunshine Anderson entoa o refrão grudento de Easy e o guitarrista Richie Havens destila influências gospel na bela Hands of Time.

 

TELEVISÃO

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Os Soprano: lavagem de roupa suja


Família Soprano
(a partir de domingo 9, às 21h, no HBO) – Um dos seriados mais cultuados da TV paga, Família Soprano narra o dia-a-dia de um mafioso às voltas com seus negócios escusos, a família problemática e sessões de psicoterapia nas quais discute seu complexo de Édipo mal resolvido. Depois de vários meses de reprises, finalmente estréia no país a quarta temporada do programa americano. São treze episódios inéditos, nos quais as aventuras do mafioso Tony Soprano (James Gandolfini) continuam existencialmente angustiantes como sempre. Nesta temporada, o criador da série, David Chase, resolveu focalizar em especial os conflitos de Soprano com seus filhos – e haja roupa suja para lavar em família.

   
 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
   
 
   
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