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CINEMA
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O
Homem sem Passado: no páreo
do Oscar de filme estrangeiro |
O Homem sem Passado (Mies Vailla Menneisyyttä, Finlândia/Alemanha/
França, 2001. Em cartaz no Rio, e a partir de sexta-feira em São
Paulo) Há quem diga que o gosto pelos filmes do finlandês
Aki Kaurismäki não surge naturalmente, mas tem de ser adquirido.
Uma boa ocasião para cultivá-lo é essa pequena obra-prima,
que vai disputar o Oscar de filme estrangeiro em 23 de março e
é uma das escolhas mais inusitadas feitas para a categoria nos
últimos tempos. Kaurismäki (cujo irmão Mika, também
cineasta, mora no Brasil) trata aqui de um metalúrgico que, ao
chegar a Helsinque, é selvagemente espancado por ladrões
e dado por morto. De forma inesperada, ele ressuscita e é recolhido
por alguns miseráveis que moram em contêineres instalados
à beira d'água. O protagonista, porém, perdeu a memória
por causa da surra. Como não se lembra do passado, está
livre para moldar o futuro. A desvantagem é que, como não
tem um nome, ele tecnicamente não existe ou existe apenas
para aquelas pessoas que estão tão à margem quanto
ele. Kaurismäki tem um humor seco e excêntrico, que se mantém
a um passo do surreal, mas combina a ele uma doçura surpreendente.
Além disso, o finlandês é um desses diretores que
sabem usar com grande talento o silêncio e as pausas, abrindo espaço
no filme para que o espectador vá articulando as suas próprias
impressões. O resultado tem mesmo um paladar incomum, mas que definitivamente
merece ser provado.
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Mogli
2: charmoso como o primeiro
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Mogli, o Menino Lobo 2 (The Jungle Book
2, Estados Unidos, 2003. Em cartaz no país) No fim dos
anos 60, o desenho animado Mogli, o Menino Lobo conquistou as crianças
com sua trama fascinante e recheada de números musicais. Inspirado
num livro do autor anglo-indiano Rudyard Kipling, o filme falava de um
garoto que, criado por bichos na selva indiana, reluta em deixar aquele
hábitat para viver com os homens. Passados mais de trinta anos,
a Disney lança uma seqüência tão charmosa quanto
o filme original. Ela começa no ponto em que as aventuras de Mogli
tinham parado: o personagem agora vive numa aldeia, mas não consegue
resistir à saudade de seus amigos, como o urso Balu e a pantera
Baguera, e volta à floresta. Veja
o trailer.
LIVROS
Uma
Comovente Obra de Espantoso Talento, de Dave Eggers (tradução
de Roberto Grey; Rocco; 458 páginas) No começo dos
anos 90, o americano Dave Eggers passou por uma tragédia familiar.
Depois de perder seu pai e sua mãe com poucas semanas de diferença,
vítimas do câncer, o então recém-formado Eggers
se viu de repente perdido no mundo e, ainda por cima, com a tarefa
de cuidar de seu irmão de 8 anos. Foi um período duro, mas
ele sublimou sua tragédia escrevendo um livro de memórias
tão cáustico quanto tocante. Cheio de referências
literárias e de brincadeiras estilísticas, o que leva alguns
críticos a considerá-lo "pós-moderno", Uma Comovente
Obra de Espantoso Talento transformou o escritor, hoje com 31 anos,
num dos nomes mais festejados da nova geração de autores
da língua inglesa e também em um jovem bem rico.
Eggers, que tem entre seus fãs escritores como o inglês Nick
Hornby e o americano Michael Chabon, abriu uma editora própria
e edita uma revista literária de grande sucesso, a McSweeney's,
na qual dez entre dez autores famosos dos Estados Unidos fazem fila para
colaborar.
As
Pernas da Tia Corália, de Antonio Prata (Objetiva; 92 páginas;
21,90 reais) Filho do escritor Mario Prata, o estreante Antonio
Prata, de 25 anos, herdou de seu pai o gosto por um gênero literário:
a crônica. Nesse seu primeiro livro, ele demonstra que tem luz própria
e se coloca como uma boa promessa do humor nacional. Prata escreve
textos leves e espirituosos, às vezes com toques surreais. Em Terça-Feira
de Manhã,por exemplo, narra uma bizarra calamidade mundial
cujo ponto de partida é uma epidemia de calvície. Outra
crônica divertida é Reflexões sobre a Planta Ovo:
um Babaganuch Existencial, na qual ele tece divagações
acerca da berinjela. Com uma imaginação dessas, o pai que
se cuide. Leia
trechos do livro.
DISCO
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| Groove
Armada: nova fase |
Lovebox,
Groove Armada (Zomba) Durante os anos 90, o duo inglês formado
pelos DJs Tom Findlay e Andy Cato esmerou-se em produzir canções
de batidas arrastadas, na medida para curtir esparramado no sofá.
Seu sucesso no estilo "lounge" foi coroado há três anos,
quando a dupla abriu os shows da turnê americana de Elton John.
Lovebox, contudo, marca uma guinada na carreira do Groove Armada.
O disco é mais voltado para a pista de dança do que para
o repouso, e traz influências do dancehall (uma espécie de
reggae eletrônico) e do rock. Alguns astros da música negra
marcam presença no álbum. A cantora Neneh Cherry está
em Think
Twice, a vocalista Sunshine Anderson entoa o refrão
grudento de Easy e o guitarrista Richie Havens destila influências
gospel na bela Hands of Time.
TELEVISÃO
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Os
Soprano: lavagem de roupa suja |
Família Soprano (a partir de domingo 9, às 21h,
no HBO) Um dos seriados mais cultuados da TV paga, Família
Soprano narra o dia-a-dia de um mafioso às voltas com seus
negócios escusos, a família problemática e sessões
de psicoterapia nas quais discute seu complexo de Édipo mal resolvido.
Depois de vários meses de reprises, finalmente estréia no
país a quarta temporada do programa americano. São treze
episódios inéditos, nos quais as aventuras do mafioso Tony
Soprano (James Gandolfini) continuam existencialmente angustiantes como
sempre. Nesta temporada, o criador da série, David Chase, resolveu
focalizar em especial os conflitos de Soprano com seus filhos e
haja roupa suja para lavar em família.
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