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Miami,
a pobretona
dos EUA
Município lidera
o ranking das
metrópoles em número de pobres

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Uma
das coisas que atraem os brasileiros a Miami é a impressão
de que lá se está distante das mazelas sociais que se vêem
por aqui. É um engano. Miami lidera o ranking de pobreza entre
as cidades americanas com mais de 250.000 habitantes. Quase 30% de seus
moradores são oficialmente pobres. Nos Estados Unidos, cuja renda
per capita é de 34.870 dólares, considera-se abaixo da linha
de pobreza quem ganha menos de 8.000 dólares por ano. Na Grande
Miami, que tem 2,3 milhões de habitantes e inclui municípios
como Miami Beach, o porcentual cai para 18%. O padrão latino-americano
de pobreza se torna mais expressivo pelo fato de a região abrigar
alguns dos bairros mais opulentos do país. A apenas 5 quilômetros
de Little Havana, o bairro mais pobre, está Fisher Island, condomínio
fechado localizado numa ilhota com casas que custam mais de 2 milhões
de dólares. Em termos estatísticos, os 1.000 moradores estão
no escalão superior da sociedade americana, com renda anual acima
de 200.000 dólares. Entre eles há gente muito rica, como
a apresentadora de TV Oprah Winfrey e milionários vindos de 45
países.
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No
extremo oposto, 43,3% dos moradores de Florida City, bairro no extremo
sul da Grande Miami, estão abaixo da linha de pobreza. O baixo
nível de renda se reflete também na precariedade de acesso
a serviços de saúde, o que explica a alta incidência
de Aids. Miami concentra 26,4% dos casos de contaminação
por HIV na Flórida, apesar de ter apenas 15% da população
total do Estado, governado pelo republicano Jeb Bush, irmão mais
novo do presidente George W. Bush. A culpa pela existência de tantos
pobres não está na falta de emprego apenas 6% da
população recebe auxílio-desemprego , mas na
escassez de bons salários. Eles são corroídos, em
parte, pela disposição dos imigrantes ilegais de trabalhar
por ninharia. Mas não é só isso. Miami é uma
cidade sem indústrias. Os empregos concentram-se no setor de serviços,
sobretudo naqueles ligados ao turismo, que ultimamente vive um mau momento.
"Os salários são baixos e, em razão da economia informal,
muitas pessoas se sujeitam a trabalhar por valores aviltantes", disse
a VEJA Oliver Kerr, supervisor do Departamento de Planejamento e Demografia
do Condado de Miami-Dade.
De acordo com o último censo divulgado, com dados de 2000, no bairro
de Opa-Locka, considerado o mais carente da Grande Miami, menos de 10%
dos adultos estavam desempregados. A maioria deles trabalha em pequenos
negócios, como bares, restaurantes e lojas. Uma grande barreira
que os separa de bons salários é o baixo nível educacional:
apenas 5% dos habitantes de Opa-Locka possuem 3º grau completo. Entre
os moradores do rico bairro de Key Biscayne, 65% cursaram a universidade.
Resultado: para minimizar os efeitos do baixo nível de renda, metade
das famílias de Opa-Locka recebe algum tipo de auxílio do
governo, de programas sociais a aposentadoria.
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