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Edição 1 792 - 5 de março de 2003
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Miami, a pobretona
dos EUA

Município lidera o ranking das
metrópoles em número de pobres



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Dos arquivos de VEJA
"A fuga dourada"
(23/10/2002)
A metrópole brasileira que mais cresce (17/7/1996)
"A febre dos negócios na Flórida" (2/1/1991)

Uma das coisas que atraem os brasileiros a Miami é a impressão de que lá se está distante das mazelas sociais que se vêem por aqui. É um engano. Miami lidera o ranking de pobreza entre as cidades americanas com mais de 250.000 habitantes. Quase 30% de seus moradores são oficialmente pobres. Nos Estados Unidos, cuja renda per capita é de 34.870 dólares, considera-se abaixo da linha de pobreza quem ganha menos de 8.000 dólares por ano. Na Grande Miami, que tem 2,3 milhões de habitantes e inclui municípios como Miami Beach, o porcentual cai para 18%. O padrão latino-americano de pobreza se torna mais expressivo pelo fato de a região abrigar alguns dos bairros mais opulentos do país. A apenas 5 quilômetros de Little Havana, o bairro mais pobre, está Fisher Island, condomínio fechado localizado numa ilhota com casas que custam mais de 2 milhões de dólares. Em termos estatísticos, os 1.000 moradores estão no escalão superior da sociedade americana, com renda anual acima de 200.000 dólares. Entre eles há gente muito rica, como a apresentadora de TV Oprah Winfrey e milionários vindos de 45 países.

No extremo oposto, 43,3% dos moradores de Florida City, bairro no extremo sul da Grande Miami, estão abaixo da linha de pobreza. O baixo nível de renda se reflete também na precariedade de acesso a serviços de saúde, o que explica a alta incidência de Aids. Miami concentra 26,4% dos casos de contaminação por HIV na Flórida, apesar de ter apenas 15% da população total do Estado, governado pelo republicano Jeb Bush, irmão mais novo do presidente George W. Bush. A culpa pela existência de tantos pobres não está na falta de emprego – apenas 6% da população recebe auxílio-desemprego –, mas na escassez de bons salários. Eles são corroídos, em parte, pela disposição dos imigrantes ilegais de trabalhar por ninharia. Mas não é só isso. Miami é uma cidade sem indústrias. Os empregos concentram-se no setor de serviços, sobretudo naqueles ligados ao turismo, que ultimamente vive um mau momento. "Os salários são baixos e, em razão da economia informal, muitas pessoas se sujeitam a trabalhar por valores aviltantes", disse a VEJA Oliver Kerr, supervisor do Departamento de Planejamento e Demografia do Condado de Miami-Dade.

De acordo com o último censo divulgado, com dados de 2000, no bairro de Opa-Locka, considerado o mais carente da Grande Miami, menos de 10% dos adultos estavam desempregados. A maioria deles trabalha em pequenos negócios, como bares, restaurantes e lojas. Uma grande barreira que os separa de bons salários é o baixo nível educacional: apenas 5% dos habitantes de Opa-Locka possuem 3º grau completo. Entre os moradores do rico bairro de Key Biscayne, 65% cursaram a universidade. Resultado: para minimizar os efeitos do baixo nível de renda, metade das famílias de Opa-Locka recebe algum tipo de auxílio do governo, de programas sociais a aposentadoria.

   
 
   
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