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Todos
sabiam do perigo
Engenheiros da Nasa previram o desastre
um
dia antes da explosão do Columbia
Fotos AP
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| Rastro
da nave no céu: o
Columbia se desmanchou aos poucos |

Veja também |
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A
destruição do ônibus espacial Columbia e a morte de
seus sete tripulantes poderiam ter sido evitadas pela Nasa? As advertências
feitas pelos próprios engenheiros da agência espacial americana
sobre o risco que corria o Columbia de se desintegrar ao tentar reentrar
na atmosfera o que de fato ocorreu estão bem documentadas
numa série de e-mails divulgada na quarta-feira passada. Liberados
em obediência à lei americana de liberdade de informações,
os documentos comprovam que os engenheiros estavam envolvidos num frenético
debate sobre o perigo, com telefonemas e mensagens eletrônicas,
24 horas antes do desastre. O temor deles era que a asa esquerda do Columbia,
danificada na decolagem, não resistisse ao esforço exigido
pela operação de descida. A troca de mensagens mostra que,
como as dimensões do estrago não eram conhecidas, a Nasa
chegou a solicitar ao Pentágono que usasse os telescópios
dos satélites militares para inspecionar a nave. Por razões
pouco claras, o pedido foi cancelado logo depois.
Ao ser informado de que uma simulação de pouso com pneus
estourados estava sendo feita poucas horas antes de o Columbia começar
a operação de descida, um engenheiro exasperou-se: "Por
que estamos falando disso um dia antes do pouso quando deveríamos
ter discutido um dia depois do lançamento?", perguntou aos colegas.
Numa mensagem enviada às vésperas do desastre, Jeffrey Kling,
responsável pela manutenção mecânica do Columbia,
observou que o plasma, o gás aquecido a 1 600 graus em torno da
nave, poderia se infiltrar no trem de pouso. Ele previu que isso causaria
o superaquecimento e a perda sucessiva dos sensores de monitoramento na
asa. Propôs então que a tripulação saltasse
de pára-quedas quando a nave atingisse a altitude de 12.000 metros
(ela explodiu a 63.000 metros). No dia seguinte, Kling pôde constatar
pessoalmente seu prognóstico se tornar realidade, pois ele era
o responsável pelo monitoramento dos sensores que falharam, como
primeiro sinal do desastre que ocorreria minutos depois. Ainda não
se sabe com certeza a causa do acidente. Mas os indícios de que
a cúpula da Nasa ignorou todos os avisos começam a dar contornos
de escândalo às investigações.
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| Os
sete tripulantes: um minuto de agonia até a morte |
A
troca de e-mails veio à tona pouco depois de a Nasa divulgar uma
transmissão recém-decifrada de dados enviados pelo Columbia.
Esses dados revelaram que a cabine onde estava a tripulação
não explodiu junto com a fuselagem. Pelos registros, percebeu-se
que a tripulação sobreviveu por pelo menos mais um minuto.
O mesmo ocorreu no desastre da Challenger, em 1986. A cabine foi jogada
para o alto intacta. Os tripulantes só morreram dois minutos mais
tarde, quando a cápsula onde estavam confinados caiu no mar.
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