Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 792 - 5 de março de 2003
Geral Automóveis
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Internacional
Geral
 

Ecologistas contra os jipões
Os limites do corpo
A Nasa sabia que o Columbia corria perigo
Miami lidera ranking americano da pobreza
Homem divorciado pode ser o melhor marido
Cientistas desvendam os segredos da última fronteira
Vacina contra a Aids fracassa

Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
VEJA on-line
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2003
Reportagens de capa
2000|01|02|03
Entrevistas
2000|01|02|03


Crie seu grupo




 

Os ecochatos contra
os jipões

Depois das baleias e das peles de
animal, os ativistas elegeram como
alvo os utilitários esportivos. Em
campanha na TV, são apresentados
como representação acabada do diabo

Monica Weinberg

 

AS PERUAS E SADDAM
O adesivo criado por um publicitário maluco e colado em painéis de carros por indignados ativistas: "Dirija um SUV (iniciais de sport utility vehicle), dirija com Saddam"

Que os pescadores de baleia sejam alvo de ecologistas enfurecidos, vá lá. Que os comerciantes de pele sofram ataques à base de tinta, sobrando xingamento até para a deusa Gisele Bündchen, compreende-se. Mas agora os ativistas resolveram infernizar a vida não de um grupo específico de empresários tidos como malvados, mas de todos os americanos que compram jipões bonitos como o que aparece na fotografia impressa nesta página. Nas últimas semanas, pipocou na televisão, nos jornais, em revistas e em sites uma série de anúncios contra os utilitários esportivos. As propagandas não integram uma campanha publicitária única, têm financiadores diferentes, motivações variadas, mas um objetivo comum: combater uma mania americana que é a paixão pelo SUV, iniciais de sport utility vehicle. De cada quatro carros vendidos nos Estados Unidos, um é SUV. Isso significa que 4 milhões de americanos compram um desses jipões por ano.

 
Wieck

Cadillac Escalade, um dos mais luxuosos modelos do mercado: os motoristas americanos não estão nem aí para os protestos

Numa das campanhas, pessoas surgem no ar dizendo frases como "eu ajudei a seqüestrar o avião" ou "eu dei dinheiro para um campo de treinamento terrorista em um país estrangeiro". Em outra propaganda, um homem abastece seu carro até que aparece na tela o mapa do Oriente Médio. A próxima cena exibe um campo repleto de terroristas no meio do deserto. Toda vez que o tal sujeito vai ao posto colocar gasolina em seu carrão ele está enviando dinheiro aos terroristas, ensina o anúncio. Nos dois casos, os vilões são os utilitários esportivos. A lógica que associa o uso de um SUV à prosperidade de Osama bin Laden e de seus colegas no grupo Al Qaeda (se é que se pode falar em lógica) é a seguinte. Já que os utilitários esportivos consomem muita gasolina, mais do que os outros carros, os Estados Unidos precisam comprar uma quantidade maior de petróleo oriundo dos árabes. Para os dólares chegarem aos bolsos terroristas, sugerem os ativistas, é um pulo. Entendeu? Um grupo religioso chegou ao ponto de publicar um anúncio em jornais e revistas que apela para Jesus como forma de combater os utilitários esportivos. O texto é uma pérola: "Se você ama o próximo e preza a criação divina, deve se perguntar se Jesus usaria este carro".

 

AS PERUAS E JESUS
A campanha de um grupo religioso apela para a fé: "Qual carro Jesus dirigiria?"

AS PERUAS E BIN LADEN
O livro de um comediante diz: "Quando você dirige sozinho, dirige com Bin Laden"

O hábito americano de dirigir carrões vem sendo cultivado desde a década de 50, quando os primeiros furgões invadiram as cidades dos Estados Unidos. Pesquisas recentes explicam a adoração americana por jipões como os recém-lançados Hummer H2 e o Cadillac Escalade. Os motoristas citam a sensação de segurança conferida pela robustez do veículo e o espaço de sobra. Há modelos gigantões, como o Studebaker XUV, recém-apresentado no salão do automóvel em Chicago, que tem 5,5 metros de comprimento, quase o dobro de um Ford Ka. Outra característica dos SUVs é a combinação do luxo com design esportivo. Apesar da vocação off-road, oito de cada dez motoristas nunca deixam o asfalto da cidade e usam os carrões apenas para passear com a família ou ir ao trabalho. Esse é o lado dos carros que anima a maioria dos consumidores. Após a compra, muita gente relata algum dissabor com o fato de os SUVs serem beberrões de gasolina. Embora a indústria automobilística tenha desenvolvido nos últimos anos motores menos poluentes, ainda hoje os utilitários esportivos consomem mais do que os modelos convencionais. Alguns desses carros rodam apenas 4 ou 5 quilômetros com 1 litro de combustível.

   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS