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Os ecochatos
contra
os jipões
Depois
das baleias e das peles de
animal, os ativistas elegeram como
alvo os utilitários esportivos. Em
campanha na TV, são apresentados
como
representação acabada do diabo
Monica Weinberg
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AS
PERUAS E SADDAM
O
adesivo criado por um publicitário maluco e colado em painéis
de carros por indignados ativistas: "Dirija um SUV (iniciais
de sport utility vehicle), dirija com Saddam"
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Que os pescadores
de baleia sejam alvo de ecologistas enfurecidos, vá lá.
Que os comerciantes de pele sofram ataques à base de tinta, sobrando
xingamento até para a deusa Gisele Bündchen, compreende-se.
Mas agora os ativistas resolveram infernizar a vida não de um grupo
específico de empresários tidos como malvados, mas de todos
os americanos que compram jipões bonitos como o que aparece na
fotografia impressa nesta página. Nas últimas semanas, pipocou
na televisão, nos jornais, em revistas e em sites uma série
de anúncios contra os utilitários esportivos. As propagandas
não integram uma campanha publicitária única, têm
financiadores diferentes, motivações variadas, mas um objetivo
comum: combater uma mania americana que é a paixão pelo
SUV, iniciais de sport utility vehicle. De cada quatro carros vendidos
nos Estados Unidos, um é SUV. Isso significa que 4 milhões
de americanos compram um desses jipões por ano.
Wieck
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Cadillac
Escalade,
um dos mais luxuosos modelos do mercado: os motoristas americanos
não estão nem aí para os protestos
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Numa das
campanhas, pessoas surgem no ar dizendo frases como "eu ajudei a seqüestrar
o avião" ou "eu dei dinheiro para um campo de treinamento terrorista
em um país estrangeiro". Em outra propaganda, um homem abastece
seu carro até que aparece na tela o mapa do Oriente Médio.
A próxima cena exibe um campo repleto de terroristas no meio do
deserto. Toda vez que o tal sujeito vai ao posto colocar gasolina em seu
carrão ele está enviando dinheiro aos terroristas, ensina
o anúncio. Nos dois casos, os vilões são os utilitários
esportivos. A lógica que associa o uso de um SUV à prosperidade
de Osama bin Laden e de seus colegas no grupo Al Qaeda (se é que
se pode falar em lógica) é a seguinte. Já que os
utilitários esportivos consomem muita gasolina, mais do que os
outros carros, os Estados Unidos precisam comprar uma quantidade maior
de petróleo oriundo dos árabes. Para os dólares chegarem
aos bolsos terroristas, sugerem os ativistas, é um pulo. Entendeu?
Um grupo religioso chegou ao ponto de publicar um anúncio em jornais
e revistas que apela para Jesus como forma de combater os utilitários
esportivos. O texto é uma pérola: "Se você ama o próximo
e preza a criação divina, deve se perguntar se Jesus usaria
este carro".
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AS
PERUAS E JESUS
A
campanha de um grupo religioso apela para a fé: "Qual carro
Jesus dirigiria?"
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AS
PERUAS E BIN LADEN
O
livro de um comediante diz: "Quando você dirige sozinho, dirige
com Bin Laden"
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O hábito
americano de dirigir carrões vem sendo cultivado desde a década
de 50, quando os primeiros furgões invadiram as cidades dos Estados
Unidos. Pesquisas recentes explicam a adoração americana
por jipões como os recém-lançados Hummer H2 e o Cadillac
Escalade. Os motoristas citam a sensação de segurança
conferida pela robustez do veículo e o espaço de sobra.
Há modelos gigantões, como o Studebaker XUV, recém-apresentado
no salão do automóvel em Chicago, que tem 5,5 metros de
comprimento, quase o dobro de um Ford Ka. Outra característica
dos SUVs é a combinação do luxo com design esportivo.
Apesar da vocação off-road, oito de cada dez motoristas
nunca deixam o asfalto da cidade e usam os carrões apenas para
passear com a família ou ir ao trabalho. Esse é o lado dos
carros que anima a maioria dos consumidores. Após a compra, muita
gente relata algum dissabor com o fato de os SUVs serem beberrões
de gasolina. Embora a indústria automobilística tenha desenvolvido
nos últimos anos motores menos poluentes, ainda hoje os utilitários
esportivos consomem mais do que os modelos convencionais. Alguns desses
carros rodam apenas 4 ou 5 quilômetros com 1 litro de combustível.
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