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Enquanto
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A esfacelação da autoridade que se viu no Rio de Janeiro,
na semana passada, é um aviso para todos aqueles que, no Brasil,
ainda não perceberam que os limites da tolerância com o crime
já foram ultrapassados. Se não bastassem os exemplos diários
de violação da lei que se observam por toda parte no país,
os acontecimentos do Rio são a prova final. Ali, o poder do tráfico
comandou a cidade de ponta a ponta por um dia inteiro.
Essa situação não é produto de uma alteração
repentina das condições de vida nas capitais do país.
Ao contrário, ela vem sendo cevada vagarosamente, ano após
ano, por uma série de fatores. Em primeiro lugar, figura a inação
do poder público. Polícia, Judiciário e sistema carcerário
estão visivelmente perdendo a batalha para os bandidos. No caso
do Rio, a cultura da tolerância em relação à
violência vinda dos morros também contribuiu para o caos
atual. Essa cultura espalha-se especialmente entre os políticos
que se formaram numa escola na qual os chefões do jogo do bicho
sempre foram cortejados. A situação evoluiu rapidamente
para os assaltos violentos, seqüestros e assassinatos sob o domínio
dos reis da droga. Pelas mais diversas razões, o fato inegável
é que quem deveria estabelecer um limite para a ousadia do narcotráfico
no Rio de Janeiro não o fez.
É
preciso ter em mente que os maiores descalabros nesse terreno começam
pequenos. A vizinha Colômbia é um exemplo dessa realidade.
No final dos anos 50, o narcotráfico era uma ameaça pequena.
Hoje, os narcoguerrilheiros são centenas de milhares, controlam
metade do país, compram mísseis no mercado negro da Rússia
com o lucro da venda de cocaína e planejam simplesmente a derrubada
do governo eleito do país.
Portanto, é imprescindível tomar a orquestração
criminosa da semana passada no Rio como um sinal de que não se
pode mais retardar a ação contra o crime organizado. A capacidade
operacional dos traficantes precisa ser desmantelada sem mais demora pela
instância de governo que tenha poder efetivo para isso. Caso se
constate que o poder dos criminosos se tornou maior do que a capacidade
do Estado do Rio de Janeiro de contê-lo, será preciso que
o governo federal arregace as mangas e vá dar sua contribuição
ao combate. Adiar essa tarefa é um risco que o país não
pode se permitir. Quando afinal as autoridades resolverem se mexer, poderá
ser tarde demais. Veja
reportagem.
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