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Lembraram
de mim
A Nickelodeon conquista espaço com
programas para pré-adolescentes,
um público esquecido pela televisão
Ricardo Valladares
Imagens divulgação
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ROCKET
POWER
DO QUE TRATA: As aventuras de quatro amigos de uma pequena
cidade costeira que vivem andando de skate e surfando
POR QUE FAZ SUCESSO: Eles fazem manobras radicais, mas não
são super-heróis. Têm os mesmos conflitos de
qualquer criança
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Veja também |
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Composto
de crianças entre 9 e 12 anos, o público pré-adolescente
sempre foi um dos menos contemplados com programas na televisão.
Recentemente, contudo, a situação começou a mudar,
graças às produções do canal americano Nickelodeon.
Desenhos animados como Bob Esponja, Rocket Power, Ei, Arnold! e
Os Thornberrys, e comédias com atores reais como Kenan
e Kel, vêm fazendo sucesso entre essa meninada não apenas
na TV a cabo brasileira, mas também na programação
matinal da Rede Globo. "A criança dessa faixa etária já
tem uma boa dose de discernimento, mas ainda não possui a audácia
dos adolescentes", diz a terapeuta Lídia Aratangy. E é essa
particularidade que os desenhos exploram, com tramas que reproduzem muitos
dos dilemas e anseios dessa fase da vida.
Embora
tenham pontos de partida bastante diversos, Rocket Power, Ei, Arnold!
e Os Thornberrys guardam certa semelhança entre si e
ajudam a entender quais são as engrenagens que fazem um desenho
para pré-adolescentes funcionar direito além, claro,
do visual inspirado e da boa animação. O primeiro lida com
um grupo de amigos apaixonados por esportes radicais. O segundo está
centrado nas estripulias de meninos e meninas que estão quase lá,
mas ainda não chegaram à idade de "ficar". Por fim, Os
Thornberrys (cujo longa-metragem está em cartaz atualmente
no Brasil) mostra um casal de naturalistas que viaja pelo mundo levando
seus filhos entre os quais uma menina que se comunica com os animais.
Um dado essencial de todos esses desenhos é que eles não
tratam com condescendência as crianças que já não
são "pequenas". E fazem isso, antes de mais nada, propondo ao espectador
que ria de si próprio. Os programas também exploram, com
bastantes nuances, as relações da garotada com a família.
Segundo os especialistas, nessa fase ocorrem as primeiras lutas pela independência,
mas ainda não com rebeldia exagerada: ao contrário do que
acontece com os adolescentes, a autoridade dos pais permanece intacta.
Não é à toa, portanto, que tantos episódios
de Rocket Power mostram os seus heróis explorando ao máximo
os limites de seu mundinho (a praia onde vivem), para finalmente voltar
para casa e receber uma bronca dos pais pelas peraltices. Os Thornberrys
lida de maneira ainda mais sutil com esse tema. Leva sua protagonista
aos cenários mais fantásticos e selvagens. Ela participa
de aventuras, sim, mas seus pais estão logo ali.
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BOB
ESPONJA
DO QUE TRATA: No fundo do oceano, uma esponja quadrada e
amarela vive uma série de peripécias. Seus amigos
também são animais marinhos
POR QUE FAZ SUCESSO: O nonsense total agrada à garotada,
que experimenta aquele nonsense de estar entre a infância
e a adolescência
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Comparado
a esses desenhos, Bob Esponja foge um pouco do padrão. Seu
herói é uma esponja marinha quadrada e dentuça, que
mora num abacaxi nas profundezas do Oceano Pacífico. À sua
volta vivem outros bichos, como lulas e lagostas, freqüentemente
mal-humorados, mas quase nunca maldosos. Com atenção pode-se
identificar alguma sátira ao estilo de vida da classe média,
mas nada que lembre a virulência dos Simpsons ou de um South
Park. O forte do desenho é mesmo o nonsense e não
é de espantar que seu criador, o desenhista Stephen Hillenburg,
tenha buscado inspiração nos pastelões de Charlie
Chaplin e de O Gordo e o Magro, para criar uma combinação
perfeita de maluquice e ternura. Esse total nonsense agrada à garotada
que também experimenta um nonsense no seu dia-a-dia: o de estar
no limbo entre a infância e a adolescência. Nos Estados Unidos,
Bob Esponja tornou-se uma febre, gerando uma enxurrada de badulaques
nas lojas. No Brasil, ele avança pelo mesmo caminho: produtos oficiais
com seu nome já foram lançados e versões piratas
podem ser encontradas nas bancas de camelôs.
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EI,
ARNOLD!
DO QUE TRATA: O protagonista é um garoto com mente
extremamente fértil. Com seus amigos Helga e Gerald, ele
tem experiências típicas de crianças que vivem
numa cidade grande
POR QUE FAZ SUCESSO: O segredo está sobretudo na maneira
inteligente como reproduz o relacionamento difícil entre
meninos e meninas pré-adolescentes, representados por Arnold
e Helga
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Um
dos segredos do Nickelodeon está no fato de haver desenvolvido
um sistema de pesquisas que lhe permite monitorar o que seu público
quer. O melhor exemplo desse método está na série
Os Anjinhos voltada a uma faixa etária um pouco mais
baixa, entre os 4 e os 8 anos. Foi por meio de enquetes com crianças
que se definiram as características dos principais personagens.
Do mesmo grupo criador da MTV, a Viacom, o Nickelodeon nasceu em 1979.
Hoje, é líder nos Estados Unidos, detendo 50% da audiência
do segmento infantil. Na TV a cabo brasileira, o canal registrou um crescimento
de 49%, de 2001 para 2002. Para tentar alcançar o campeão
Cartoon Network, a Nickelodeon deve pôr em prática algumas
estratégias nos próximos meses. Por exemplo, pretende inaugurar
um horário dedicado a clássicos como Os Flintstones.
Isso servirá para atrair os marmanjos nostálgicos, que compõem
uma fatia considerável do público do Cartoon. Os investimentos
da Nickelodeon no país também estão aumentando. "A
diretriz do canal é criar uma linguagem cada vez mais globalizada
e cada vez menos americana", diz a diretora de marketing Monika Cavaliere.
Em agosto passado, estreou o Patrulha Nick, apresentado por cinco
meninos e meninas entre 12 e 16 anos. Além de apresentarem desenhos,
eles fazem entrevistas e pequenas reportagens com temática ecológica
ou de "conscientização" (sobre como doar livros escolares,
por exemplo). Até 2004, um desenho inteiramente produzido no Brasil
deve estrear na programação da Nickelodeon.
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