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Edição 1 788 - 5 de fevereiro de 2003
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Para los tigrones

Formado por ex-dançarinos
de
uma boate de Porto Seguro,
o
Axé Bahia é sensação
musical no Chile

 
Os desinibidos do Axé Bahia: 200 000 discos vendidos e produtos que vão de bonecos a perfumaria

Finalmente, os brasileiros podem se considerar vingados pelas músicas chatíssimas dos chilenos Violeta Parra e Victor Jara que inundaram o país na década de 70. Em baixa por aqui há mais de três anos, a axé music virou moda no Chile, levada pelo grupo Axé Bahia. Flaviana "La Tchutchuca", Joci "El Negro", Jef "El Pirata", Fran e Bruno "El Brunito", os integrantes do Axé Bahia, saíram dos clubes noturnos de Porto Seguro para se tornar o principal fenômeno do mercado de discos do Chile. Os três álbuns lançados pelo grupo no país venderam 200.000 unidades. Trata-se de uma vendagem bastante expressiva por lá. Enquanto no Brasil um artista precisa vender 100.000 cópias para ganhar um disco de ouro, ele alcança a mesma marca no Chile ao vender 10.000. Os dançarinos também licenciaram diversos produtos com sua marca, como bonecos, gibis, pratinhos de festa infantil e uma série de perfumes com aromas como maracujá, coco e manga. Para os chilenos essas frutas são exóticas.


O nome Axé Bahia é uma bela empulhação. Nenhum dos integrantes do grupo é conterrâneo de Dorival Caymmi e, a rigor, o estilo deles também não pode ser classificado como axé music. A descobridora do caminho para os Andes foi a curitibana Flaviana Seeling. Sete anos atrás, "La Tchutchuca" viajou para Porto Seguro. Como mostrou desenvoltura nos requebros, foi contratada para ser dançarina de uma casa noturna. Ali, cativou um empresário chileno, que a convidou para se apresentar em Santiago. Flaviana topou – e levou consigo outros amigos paranaenses. O estilo da, digamos, música mistura o "aê aô" do Carnaval baiano com a poesia de baixo calão do funk carioca. Alguém aí tem remédio para enjôo?

No ano passado, o Axé Bahia foi uma das principais atrações do festival de Viña del Mar, o mais importante evento musical do Chile. Neste ano, eles devem participar do novo CD da cantora cubana Célia Cruz. A expressão e exposição para lá de corporais das duas dançarinas, Flaviana e Fran, hipnotizam os chilenos. "As mulheres daqui não têm tantas curvas e não rebolam como as brasileiras", diz Pablo Márquez, crítico de música do jornal chileno El Mercurio. Para aumentarem ainda mais a glutonaria libidinosa da chilenada, as moças do Axé Bahia puseram próteses de silicone nos seios. O negócio, enfim, é na base do peito erguido e orgulho de ser brasileiro.

Por enquanto, ninguém no grupo ficou rico. "Temos um padrão de vida confortável, mas as coisas aqui são muito caras. Uma calça mais ou menos custa uns 500 reais", choraminga La Tchutchuca. Além do Chile, os discos do grupo já foram lançados na Venezuela, na Argentina, no Equador e em países da América Central. Neste ano, deverão chegar ao México, aos Estados Unidos e – não tem jeito – também ao Brasil. A única diferença será o nome. Como o título Axé Bahia já pertencia a uma gravadora, aqui eles irão se chamar Tudo Bem. Bem para quem, cara-pálida?

   
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