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Para
los tigrones
Formado por ex-dançarinos
de uma
boate de Porto
Seguro,
o Axé
Bahia é sensação
musical
no Chile
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| Os
desinibidos do Axé Bahia: 200 000 discos vendidos e produtos
que vão de bonecos a perfumaria |
Finalmente,
os brasileiros podem se considerar vingados pelas músicas chatíssimas
dos chilenos Violeta Parra e Victor Jara que inundaram o país na
década de 70. Em baixa por aqui há mais de três anos,
a axé music virou moda no Chile, levada pelo grupo Axé Bahia.
Flaviana "La Tchutchuca", Joci "El Negro", Jef "El Pirata", Fran e Bruno
"El Brunito", os integrantes do Axé Bahia, saíram dos clubes
noturnos de Porto Seguro para se tornar o principal fenômeno do
mercado de discos do Chile. Os três álbuns lançados
pelo grupo no país venderam 200.000 unidades. Trata-se de uma vendagem
bastante expressiva por lá. Enquanto no Brasil um artista precisa
vender 100.000 cópias para ganhar um disco de ouro, ele alcança
a mesma marca no Chile ao vender 10.000. Os dançarinos também
licenciaram diversos produtos com sua marca, como bonecos, gibis, pratinhos
de festa infantil e uma série de perfumes com aromas como maracujá,
coco e manga. Para os chilenos essas frutas são exóticas.
O nome Axé Bahia é uma bela empulhação. Nenhum
dos integrantes do grupo é conterrâneo de Dorival Caymmi
e, a rigor, o estilo deles também não pode ser classificado
como axé music. A descobridora do caminho para os Andes foi a curitibana
Flaviana Seeling. Sete anos atrás, "La Tchutchuca" viajou para
Porto Seguro. Como mostrou desenvoltura nos requebros, foi contratada
para ser dançarina de uma casa noturna. Ali, cativou um empresário
chileno, que a convidou para se apresentar em Santiago. Flaviana topou
e levou consigo outros amigos paranaenses. O estilo da, digamos,
música mistura o "aê aô" do Carnaval baiano com a poesia
de baixo calão do funk carioca. Alguém aí tem remédio
para enjôo?
No ano passado, o Axé Bahia foi uma das principais atrações
do festival de Viña del Mar, o mais importante evento musical do
Chile. Neste ano, eles devem participar do novo CD da cantora cubana Célia
Cruz. A expressão e exposição para lá de corporais
das duas dançarinas, Flaviana e Fran, hipnotizam os chilenos. "As
mulheres daqui não têm tantas curvas e não rebolam
como as brasileiras", diz Pablo Márquez, crítico de música
do jornal chileno El Mercurio. Para aumentarem ainda mais a glutonaria
libidinosa da chilenada, as moças do Axé Bahia puseram próteses
de silicone nos seios. O negócio, enfim, é na base do peito
erguido e orgulho de ser brasileiro.
Por enquanto, ninguém no grupo ficou rico. "Temos um padrão
de vida confortável, mas as coisas aqui são muito caras.
Uma calça mais ou menos custa uns 500 reais", choraminga La Tchutchuca.
Além do Chile, os discos do grupo já foram lançados
na Venezuela, na Argentina, no Equador e em países da América
Central. Neste ano, deverão chegar ao México, aos Estados
Unidos e não tem jeito também ao Brasil. A
única diferença será o nome. Como o título
Axé Bahia já pertencia a uma gravadora, aqui eles irão
se chamar Tudo Bem. Bem para quem, cara-pálida?
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