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A
tradução de "cool"
O inglês Bryan Ferry vem ao
Brasil
mostrar por que é o cantor
mais chique da história do pop
Sérgio
Martins

Veja também |
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A
gíria inglesa cool não tem equivalente exato em português.
É algo assim entre o "bacana" e o "refinado". Para captar com precisão
o seu sentido, nada melhor do que assistir às apresentações
que o cantor Bryan Ferry faz no Rio de Janeiro e em São Paulo,
na semana que vem. Com seus ternos de caimento impecável e suas
canções pop lapidares, entoadas com voz de veludo, Ferry
é a tradução do conceito em carne e osso. Aos 57
anos, esta é a segunda vez que ele vem ao Brasil. Seus shows terão
por base o repertório de seu último disco, Frantic,
mas ele promete incluir alguns sucessos mais antigos, tanto de seu grupo
dos anos 70 e 80, o Roxy Music, quanto de sua carreira-solo. Ferry, para
quem não lembra, é autor da balada romântica Slave
to Love, lançada em 1985 e ainda hoje tocada nos programas
de rádio que se dedicam a oferecer trilha sonora para os rituais
de acasalamento.
AFP
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| Ferry,
autor de sucessos como Slave to Love: pai carvoeiro e mulher
nobre |
O cantor nasceu numa cidadezinha industrial do nordeste da Inglaterra.
O pai era funcionário de uma mina de carvão e a mãe,
dona-de-casa. O ambiente familiar não tinha nada de artístico.
"Minha mãe ouvia rádio e cantarolava na frente do fogão.
Isso era tudo", lembra Ferry. No fim da adolescência, ele conseguiu
uma vaga no curso de história da arte da Universidade de Newcastle.
Ali, teve aulas com o crítico Richard Hamilton, célebre
na Inglaterra, e começou a alimentar a ambição de
transformar-se numa versão inglesa do artista pop americano Andy
Warhol. Mas foi na música, e não na pintura, que seu desejo
de fazer sucesso acabou se concretizando. Em 1971, ele fundou o Roxy Music,
em parceria com o tecladista e produtor Brian Eno. "Meu pai era um homem
rude e irritou-se muito com as roupas espalhafatosas que comecei a usar.
Mas também era um homem prático e parou de ralhar assim
que o grupo fez sucesso", conta ele.
Aos poucos, Ferry foi assumindo a liderança do Roxy Music, o que
culminou na saída de Eno. O cantor trocou as roupas vanguardistas
por smokings e ternos e adotou um estilo mais romântico e sonhador
de compor. São dessa fase algumas das canções mais
lembradas do grupo, como a bossa-balada Avalon e a releitura de
Jealous Guy, de John Lennon. Em 1982, Ferry (que foi namorado de
Jerry Hall antes de ela se casar com o rolling stone Mick Jagger) coroou
seu roteiro de ascensão social casando-se com Lucy Helmore, filha
de um nobre inglês criador de cavalos. "Ela era linda como Greta
Garbo", diz ele. No momento, os dois estão se divorciando. Os tablóides
acusam Ferry de ter sido um marido infiel e um pai distante, o que teria
levado sua mulher ao alcoolismo. Mas as fofocas não abalaram sua
imagem de elegância. Freqüentemente, ele é chamado de
"homem mais cool da Inglaterra" por jornais e revistas. "Acho que 'do
universo' seria mais apropriado", diz ele. Poderia soar arrogante. Mas
na boca de Ferry soa, de fato,... cool.
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