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Edição 1 788 - 5 de fevereiro de 2003
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Guarda-costas por hora

Já é possível contratar seguranças
só para ir
às compras ou levar
os filhos à escola

Rosana Zakabi

 
Claudio Rossi
Guarda-costas (de terno escuro) em Congonhas: proteção no trajeto até o táxi

Cinco anos atrás, 90% dos serviços prestados pelas empresas de segurança referiam-se à guarda de prédios. Hoje, num reflexo do aumento da criminalidade, quatro em cada dez clientes estão atrás de segurança pessoal. A procura cresceu tanto que muitas empresas passaram a oferecer guarda-costas por hora. Ou seja, um ou mais seguranças acompanham o cliente pelo tempo que ele quiser e depois cobram pela quantidade de horas que ficaram à disposição. "Há clientes que pedem segurança durante um dia inteiro e outros que querem ser escoltados por apenas duas horas", diz José Jacobson Neto, presidente do Sesvesp, sindicato das empresas de segurança privada. "É o tempo de buscar um parente ou amigo no aeroporto, por exemplo." A maioria da clientela desse tipo de serviço vive no Estado de São Paulo, principalmente na capital, em Campinas e Ribeirão Preto. Mas a procura está aumentando no Rio de Janeiro, Paraná, Distrito Federal, Minas Gerais e Espírito Santo.

O cliente típico é o executivo que viaja para fechar negócios numa cidade grande. Muitas vezes só quer proteção no caminho entre o desembarque no aeroporto e o táxi. Há também a mulher que vai a uma festa com jóias ou pais que temem o seqüestro de filhos adolescentes que saem à noite. "Alguns não querem acordar durante a madrugada para buscar o filho na festa e delegam o trabalho a um guarda-costas", diz Diego Sala, diretor da companhia paulista Alsa-Fort, que cobra 50 reais por hora e recebe vinte solicitações por mês. É o cliente quem escolhe o grau de proteção de que precisa: um ou mais seguranças, armados ou não, que podem usar a viatura da empresa ou atuar como motorista particular, dirigindo o carro do cliente. Algumas empresas oferecem até guarda-costas com inglês fluente. A diferença pesa no bolso. Uma equipe de dois seguranças sai por 300 reais a hora na Protege, uma das maiores companhias de segurança do Brasil.

A Estrela Azul, empresa que atua em vários Estados, recebe muitos pedidos de pessoas interessadas em ir ao cinema e ao teatro com a proteção dos vigilantes e de multinacionais preocupadas com o bem-estar de funcionários e convidados. No ano passado, a companhia colocou seus guarda-costas à disposição de vinte visitantes que participavam do congresso de uma empresa americana em São Paulo. "Nossos homens os acompanharam a jantares, bares e danceterias", conta Michel Nassirios, gerente nacional de vendas da Estrela Azul. Recentemente, forneceu guarda-costas a um grupo de empresários gaúchos que passou 24 horas em São Paulo e temia ser vítima de violência na cidade.

   
 
   
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