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O cigarro sem nicotina
Feito
de fumo transgênico, pode
ajudar quem quer se livrar do vício
Natasha Madov
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em suas três versões: teores decrescentes até
chegar a zero de nicotina |

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Um cigarro
que não faça mal à saúde é o sonho
da indústria americana do fumo, acuada por campanhas antitabagistas
e pedidos de indenizações milionárias na Justiça.
Na semana passada, a Vector, o menor dos cinco gigantes da indústria
de cigarros nos Estados Unidos, lançou o primeiro produto sem nicotina.
A proeza é resultado do uso de sementes de tabaco geneticamente
modificadas, de modo a eliminar o gene responsável pela produção
de nicotina. Como é essa a substância que causa dependência
química em fumantes, em tese ninguém ficará viciado
se consumir apenas o novo cigarro, vendido com a marca Quest. Ele é
oferecido em três versões, com teores decrescentes de nicotina.
O Quest 1 tem 17% menos dessa substância que a média dos
cigarros. O Quest 2 contém metade, e o Quest 3 chega praticamente
ao teor zero. "Pedir que as pessoas parem de fumar é como lhes
pedir que não tomem sol. Não funciona", diz Bennett LeBow,
presidente da Vector. "Então, em vez de mandarmos que fiquem dentro
de casa, vendemos filtro solar."
Não
é a primeira vez que a Vector tenta ganhar mercado nos Estados
Unidos à custa do medo dos fumantes. As estimativas são
de que oito em cada dez fumantes gostariam de se livrar do vício.
Há dois anos, a empresa lançou o Omni, cuja promessa era
uma redução de 70% nas principais substâncias cancerígenas.
A campanha publicitária de lançamento custou 25 milhões
de dólares, mas até agora o Omni só rendeu 6 milhões
de dólares, quantia que o Marlboro fatura a cada quatro horas no
país. LeBow foi o primeiro figurão da indústria do
fumo a admitir em um processo judicial que cigarros viciam e fazem mal
à saúde. A Vector teve muita dificuldade de achar quem aceitasse
plantar o fumo transgênico as concorrentes ameaçavam
os produtores com boicote, receando que a variedade acabasse contaminando
as colheitas normais. A solução foi pagar três vezes
mais que o normal a 600 fazendeiros amish, uma seita cristã que
vive isolada na Pensilvânia e rejeita a tecnologia moderna.

Fonte: Instituto Nacional de Câncer |
Apesar
de conter menos ou nenhuma nicotina, o Quest está longe de ser
inofensivo. Seu teor das outras substâncias nocivas, como o alcatrão,
que podem causar câncer, enfisema e doenças cardíacas,
é o mesmo das demais marcas. "Temo que o apelo da ausência
de nicotina incentive mais gente a fumar, sem medo de se viciar", afirma
Tânia Cavalcante, chefe da divisão de controle de tabagismo
do Instituto Nacional de Câncer, no Rio de Janeiro. Testes iniciais,
patrocinados pela Vector, indicam que após seis semanas os fumantes
conseguiram efetivamente diminuir gradualmente o consumo de nicotina,
mas foram incapazes de largar o Quest 3. A Vector é um fabricante
de cigarros baratos, praticamente desconhecidos fora dos Estados Unidos.
Em princípio, LeBow não pretende exportar o cigarro sem
nicotina. Um dos motivos é que na Europa e no Japão
e, de certo modo, também no Brasil os consumidores têm
mais medo de produtos transgênicos que do câncer causado pelo
cigarro.
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