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"Xi, esqueci!"
Pesquisas
mostram por que
certas pessoas são mais
suscetíveis a falhas de
memória do que outras
Paula Neiva

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Dois estudos
divulgados recentemente ajudam a entender um dos mecanismos mais complexos
da mente humana, a memória. Coordenados por pesquisadores americanos,
eles fornecem pistas importantes sobre por que determinadas pessoas são
acometidas por lapsos de memória com mais freqüência
do que outras. Publicado na revista americana Science e conduzido
por médicos da Universidade da Califórnia, um dos trabalhos
identificou as regiões cerebrais responsáveis pela associação
de um rosto a um nome. Ao mapearem o cérebro de uma dezena de homens
e mulheres saudáveis enquanto eram apresentados a desconhecidos,
os médicos descobriram que a relação entre o dado
visual (um novo rosto) e o verbal (o nome dessa pessoa) acontece em primeiro
lugar numa área chamada corno de Amon. Em seguida, essa informação
é transferida para outra parte do cérebro, o subiculum,
que é ativada quando se precisa lembrar dela. Ambas as estruturas
estão localizadas no hipocampo, onde se inicia o processo de memorização.
O estudo indica que lapsos ocorrem quando há falhas na ativação
do corno de Amon ou do subiculum. O modo como aprendemos a relacionar
nomes e rostos é um dos mais importantes aspectos da memória
e um dos mais atingidos com o avanço da idade ou o desenvolvimento
de doenças como o mal de Alzheimer. "Essas descobertas podem vir
a ajudar no aprimoramento do diagnóstico e do tratamento de doenças
degenerativas", diz o neurologista Arthur Cukiert, de São Paulo.
A outra
pesquisa é mais abrangente e relaciona as falhas de memória
à genética. Divulgado pela revista científica Cell,
o estudo do Instituto Nacional de Saúde Mental, dos Estados
Unidos, acompanhou quase 650 pacientes. Os pesquisadores constataram que
aqueles que tinham pior desempenho nos testes de memória sofriam
de um problema na produção da proteína BDNF, essencial
para o bom funcionamento do hipocampo e, conseqüentemente, do processo
de memorização. Esse problema, notaram os especialistas,
deve-se a um erro genético. Segundo os autores do estudo, até
20% das pessoas são portadoras dessa deficiência. Isso explicaria
por que tantos indivíduos são suscetíveis a esquecimentos
rotineiros como o de nunca lembrar onde estão as chaves
de casa. Se vale apelar para a genética para justificar esquecimento
de aniversário de casamento? Melhor não.
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