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Edição 1 788 - 5 de fevereiro de 2003
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"Xi, esqueci!"

Pesquisas mostram por que
certas pessoas são mais
suscetíveis a falhas de
memória do que outras

Paula Neiva

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Memórias recente e remota
Dos arquivos de VEJA
Reportagem da edição especial VEJA Saúde: como exercitar sua memória

Dois estudos divulgados recentemente ajudam a entender um dos mecanismos mais complexos da mente humana, a memória. Coordenados por pesquisadores americanos, eles fornecem pistas importantes sobre por que determinadas pessoas são acometidas por lapsos de memória com mais freqüência do que outras. Publicado na revista americana Science e conduzido por médicos da Universidade da Califórnia, um dos trabalhos identificou as regiões cerebrais responsáveis pela associação de um rosto a um nome. Ao mapearem o cérebro de uma dezena de homens e mulheres saudáveis enquanto eram apresentados a desconhecidos, os médicos descobriram que a relação entre o dado visual (um novo rosto) e o verbal (o nome dessa pessoa) acontece em primeiro lugar numa área chamada corno de Amon. Em seguida, essa informação é transferida para outra parte do cérebro, o subiculum, que é ativada quando se precisa lembrar dela. Ambas as estruturas estão localizadas no hipocampo, onde se inicia o processo de memorização. O estudo indica que lapsos ocorrem quando há falhas na ativação do corno de Amon ou do subiculum. O modo como aprendemos a relacionar nomes e rostos é um dos mais importantes aspectos da memória – e um dos mais atingidos com o avanço da idade ou o desenvolvimento de doenças como o mal de Alzheimer. "Essas descobertas podem vir a ajudar no aprimoramento do diagnóstico e do tratamento de doenças degenerativas", diz o neurologista Arthur Cukiert, de São Paulo.

A outra pesquisa é mais abrangente e relaciona as falhas de memória à genética. Divulgado pela revista científica Cell, o estudo do Instituto Nacional de Saúde Mental, dos Estados Unidos, acompanhou quase 650 pacientes. Os pesquisadores constataram que aqueles que tinham pior desempenho nos testes de memória sofriam de um problema na produção da proteína BDNF, essencial para o bom funcionamento do hipocampo e, conseqüentemente, do processo de memorização. Esse problema, notaram os especialistas, deve-se a um erro genético. Segundo os autores do estudo, até 20% das pessoas são portadoras dessa deficiência. Isso explicaria por que tantos indivíduos são suscetíveis a esquecimentos rotineiros – como o de nunca lembrar onde estão as chaves de casa. Se vale apelar para a genética para justificar esquecimento de aniversário de casamento? Melhor não.

   
 
   
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