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Procurador
de encrencas
Acusado
de assédio, ele obriga
as
mulheres a usar saia, agride
funcionários e não paga taxas
Malu
Gaspar
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| Ronaldo
Bomfim: "perspectivas sorumbáticas |
Nos
últimos anos, a sociedade brasileira se acostumou a testemunhar
ações espetaculares conduzidas por promotores e procuradores
do Ministério Público. São eles que estão
à frente das grandes investigações que envolvem políticos
e empresários corruptos. São eles também os responsáveis
por garantir o cumprimento da lei. Em Brasília, existe um procurador
diferente. Ronaldo Bomfim Santos integra um seleto grupo, o dos chamados
subprocuradores, que pode, entre outras coisas, atuar em processos envolvendo
governadores e juízes. Mas não é por isso que ele
é diferente. O procurador Bomfim tem um talento raro para se meter
em confusão. Em sua ficha funcional constam histórias de
agressão, assédio sexual, homicídio culposo e negligência.
Elisabeth dos Santos trabalhava no gabinete do procurador até agosto
do ano passado, quando foi à polícia queixar-se do chefe.
Segundo ela, Bomfim tentou apalpá-la. "Enquanto ele ficava apenas
nas brincadeiras grosseiras, eu não dei importância. Mas
naquele dia foi abuso", conta Elisabeth. Bomfim vive tendo problemas com
as funcionárias. As de seu gabinete são obrigadas a usar
saia. "Para ele, mulher que não usa saia não merece respeito",
conta Keila Oliveira, que trabalha no posto médico da procuradoria,
onde Bomfim já promoveu o maior fuzuê. Certa vez, ele foi
ao posto em busca de atendimento. Irritado, disse que o local era como
uma "zona", cheio de mulheres de calça, e agrediu um servidor que
tentou acalmá-lo. "Os pacientes far-se-iam mais felizes, naquele
átrio de dores ou perspectivas sorumbáticas, extraindo-lhes
sofrimento e, em seu lugar, ensejando paz, beleza, alegria, serenidade
e afago", escreveu o procurador, explicando sua obsessão pela defesa
das saias.
Fotos Ana Araújo
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| O
gabinete do procurador e os processos encalhados aguardando parecer:
negligência |
Bomfim
já foi campeão em agilidade. Os processos que chegavam a
seu gabinete eram despachados com extrema rapidez. A corregedoria descobriu
a razão. Bomfim os devolvia com um despacho igualzinho em todos
os casos. Passou a recordista em processos encalhados. Fora da procuradoria,
responde a acusação por homicídio culposo por se
envolver num acidente em que dirigia um caminhão sem habilitação.
A administração do prédio onde mora tenta receber
na Justiça taxas de condomínio que ele não paga desde
1991. No endereço, ninguém gosta de falar sobre o vizinho,
que às vezes é visto vendendo cachorro-quente nos fins de
semana. Afinal, ele já agrediu o porteiro do prédio por
causa do desaparecimento de uma revista. Uma sindicância solicitou
que o procurador fosse submetido a um exame psiquiátrico, mas ele
se recusou. Procurado por VEJA, não quis falar.
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