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Edição 1 788 - 5 de fevereiro de 2003
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Procurador de encrencas

Acusado de assédio, ele obriga
as mulheres a usar saia, agride
funcionários e não paga taxas

Malu Gaspar

 
Ronaldo Bomfim: "perspectivas sorumbáticas

Nos últimos anos, a sociedade brasileira se acostumou a testemunhar ações espetaculares conduzidas por promotores e procuradores do Ministério Público. São eles que estão à frente das grandes investigações que envolvem políticos e empresários corruptos. São eles também os responsáveis por garantir o cumprimento da lei. Em Brasília, existe um procurador diferente. Ronaldo Bomfim Santos integra um seleto grupo, o dos chamados subprocuradores, que pode, entre outras coisas, atuar em processos envolvendo governadores e juízes. Mas não é por isso que ele é diferente. O procurador Bomfim tem um talento raro para se meter em confusão. Em sua ficha funcional constam histórias de agressão, assédio sexual, homicídio culposo e negligência.

Elisabeth dos Santos trabalhava no gabinete do procurador até agosto do ano passado, quando foi à polícia queixar-se do chefe. Segundo ela, Bomfim tentou apalpá-la. "Enquanto ele ficava apenas nas brincadeiras grosseiras, eu não dei importância. Mas naquele dia foi abuso", conta Elisabeth. Bomfim vive tendo problemas com as funcionárias. As de seu gabinete são obrigadas a usar saia. "Para ele, mulher que não usa saia não merece respeito", conta Keila Oliveira, que trabalha no posto médico da procuradoria, onde Bomfim já promoveu o maior fuzuê. Certa vez, ele foi ao posto em busca de atendimento. Irritado, disse que o local era como uma "zona", cheio de mulheres de calça, e agrediu um servidor que tentou acalmá-lo. "Os pacientes far-se-iam mais felizes, naquele átrio de dores ou perspectivas sorumbáticas, extraindo-lhes sofrimento e, em seu lugar, ensejando paz, beleza, alegria, serenidade e afago", escreveu o procurador, explicando sua obsessão pela defesa das saias.

 
Fotos Ana Araújo
O gabinete do procurador e os processos encalhados aguardando parecer: negligência

Bomfim já foi campeão em agilidade. Os processos que chegavam a seu gabinete eram despachados com extrema rapidez. A corregedoria descobriu a razão. Bomfim os devolvia com um despacho igualzinho em todos os casos. Passou a recordista em processos encalhados. Fora da procuradoria, responde a acusação por homicídio culposo por se envolver num acidente em que dirigia um caminhão sem habilitação. A administração do prédio onde mora tenta receber na Justiça taxas de condomínio que ele não paga desde 1991. No endereço, ninguém gosta de falar sobre o vizinho, que às vezes é visto vendendo cachorro-quente nos fins de semana. Afinal, ele já agrediu o porteiro do prédio por causa do desaparecimento de uma revista. Uma sindicância solicitou que o procurador fosse submetido a um exame psiquiátrico, mas ele se recusou. Procurado por VEJA, não quis falar.

   
 
   
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