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De
volta ao governo
Sem o brilho do passado, o PMDB
deixa-se
seduzir por cargos
e fecha acordo com o PT
Maurício Lima
Ed Ferreira/AE
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| As
duas correntes do PMDB selam acordo com as lideranças do governo Lula
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O
PT e o PMDB selaram na semana passada um acordo de cooperação
entre os dois partidos. Para o PMDB, a aliança significa a volta
ao governo depois de longos e sofridos trinta dias de oposição
que ameaçaram interromper dezessete anos de casamento do partido
com o poder. Ficou combinado que o senador José Sarney, do PMDB,
presidirá o Senado nos próximos dois anos. O partido também
vai indicar nomes para o segundo e terceiro escalões do governo,
enquanto espera surgir uma vaga no ministério de Lula. Para o PT,
o acordo traz uma solução e um problema. A solução
é a garantia de que o governo não terá dificuldades
para aprovar projetos e emendas no Congresso Nacional. O PMDB possui a
maior bancada no Senado e é a terceira força da Câmara
dos Deputados. O problema é que o novo aliado é um gigante
sem rosto. Seus quadros abrigam figuras notáveis da política
e também figuras que se tornaram notáveis pelo tamanho dos
escândalos que as envolvem.
O governo petista está realizando auditorias em duas pastas que
foram ocupadas por peemedebistas na última administração.
Em ambas, Transportes e Integração Nacional, já surgiram
indícios fortes de que havia esquemas milionários de favorecimento
a figuras da legenda. O mais recente alvoroço envolvendo políticos
tinha um deputado do PMDB como personagem principal. Pinheiro Landim renunciou
ao ser flagrado vendendo sentenças judiciais a traficantes. Renunciou,
mas, como foi reeleito no ano passado, tomará posse, porque a renúncia,
no Congresso, passa a borracha na irregularidade cometida em legislatura
anterior. Antes dele, o presidente do Congresso, senador Jader Barbalho,
do PMDB do Pará, seguiu o mesmo caminho ao ser pilhado na lista
de beneficiários de uma milionária fraude bancária.
Luiz Estevão, do PMDB do Distrito Federal, foi o primeiro senador
da História a ter o mandato cassado. Ele é acusado de desviar
recursos de obras públicas. O governador Mão Santa, do PMDB
do Piauí, perdeu o cargo por fraude eleitoral. Dos cinco governadores
eleitos no ano passado pelo PMDB, um, o governador do Distrito Federal,
Joaquim Roriz, tem uma força-tarefa federal em seu encalço
investigando suas relações com grileiros de terras na capital.
Sua situação é tão complicada que o presidente
Lula disse em público que gostaria de conversar com todos os governadores,
à exceção de dois. A um deles Lula deu nome: Joaquim
Roriz.
Celso Junior/AE
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| Luiz
Estevão: chegou a ser preso pelo desvio de verba do TRT de São Paulo
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Existem algumas explicações para a grande incidência
de escândalos que envolvem o PMDB. Uma delas é o tamanho
do partido. Mesmo sem registrar desempenho excepcional na última
eleição, o PMDB é a legenda com a maior capilaridade
em todo o Brasil. Está presente em 70% dos municípios e
governa um quinto das cidades brasileiras. É o segundo partido
em número de governadores e elegeu um contingente enorme de vereadores.
O tamanho exagerado faz com que o número de casos de corrupção
também seja maior. Outra razão e talvez a principal
é que o partido está há muito tempo no governo.
Depois de chegar ao poder com José Sarney, em 1985, o PMDB não
foi mais para a oposição. Esteve presente nos governos de
Fernando Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e agora
está embarcando na canoa petista. Com Lula, será a sexta
vez seguida que o PMDB estará, de alguma maneira, fazendo parte
da base aliada e dividindo o governo. "Essa perenidade favorece a adoção
de velhas práticas e a instalação de esquemas que
não se desmontam e, pelo contrário, tendem a se perpetuar",
diz a socióloga Fátima Pacheco Jordão.
O acordo com o PT foi o desfecho de uma briga dentro da legenda para saber
qual PMDB participaria do governo. Havia os que se aproximaram dos petistas
desde o início da campanha e que, por razões óbvias,
queriam o partido fechado com o governo. Ainda no primeiro turno da eleição,
doze diretórios estaduais pediram votos para Lula. Mas havia também
uma ala forte que apoiou o tucano José Serra e, por isso, se sentia
desprestigiada e defendia uma posição de distanciamento.
Na semana passada, as divergências entre os dois grupos foram contornadas
com a conveniente decisão de que todos participarão do governo.
Cargos já estão prometidos para o PMDB que queria ser oposição.
Sempre preocupado com a ética, o PT conseguiu construir uma estupenda
aliança política atraindo para o governo todo o PMDB
o dos notáveis e também o de Pinheiro Landim, Jader Barbalho
e Joaquim Roriz.
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