Edição 1 630 -5/1/2000

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Lima

Depois de dez anos, ele ainda quer mais

Um é pouco, dois é bom, três é demais, certo? Não para o presidente do Peru, Alberto Fujimori. Eleito pela primeira vez em 1990, ele anunciou na semana passada que concorrerá nas eleições de abril a um terceiro mandato – um sonho que Carlos Menem não conseguiu realizar na Argentina. Em 1992, Fujimori deu um autogolpe, fechou o Congresso e escreveu uma Constituição sob medida para se manter no poder. O país prosperou e sua popularidade é enorme. Líder nas pesquisas, com 40% da preferência do eleitorado, El Chino confia vencer no primeiro turno e ficar no poder até 2005. Isso se a idéia de um quarto mandato não lhe passar pela cabeça.

 

Teerã

Um pedaço de carne pela cabeça de Rushdie

Desde que o aiatolá Khomeini colocou sua cabeça a prêmio, há dez anos, o escritor Salman Rushdie vive escondido na Inglaterra. Agora, 500 fanáticos xiitas oferecem os próprios rins à venda, prática que é legal no Irã, para engordar a recompensa oferecida a quem assassinar o autor de Os Versos Satânicos. A idéia fanática de pagar um crime com pedaços do próprio corpo encontrou um meio moderno de conquistar adeptos, uma campanha na internet.

 

Bujumbura

Tudo pronto para uma nova tragédia africana

O governo do Burundi, dominado pela etnia tutsi, está removendo para campos de concentração a tribo rival dos hutus. Pelo menos 350 000 hutus já estão atrás do arame farpado. A justificativa do governo é de que precisa protegê-los de terroristas. Seis anos atrás, os hutus massacraram mais de meio milhão de tutsis na vizinha Ruanda. Assustados, desde então os tutsis do Burundi mantêm a maioria hutu sob vigilância militar. Agora, criaram os campos. Os sinais são de que se prepara novo banho de sangue.

 

Roma

Hora de parar com o troca-troca de governo

A Itália deu mais uma amostra da encrenca que é governar esse belo país. Bastou a ranzinzice de dois partidos minúsculos para derrubar o governo de centro-esquerda do primeiro-ministro Massimo D'Alema. Com a coligação enfraquecida, ele pediu o boné na semana do Natal. Dias depois ganhou uma segunda chance do presidente Carlo Ciampi e conseguiu recompor sua maioria com novos aliados. Não é sem razão que um dos principais objetivos do primeiro-ministro é reformar o sistema eleitoral italiano para que o país deixe de mudar de governo a toda hora.

 

Díli

Famintos, mas ligados ao mundo pela rede

Recém-libertado da ocupação indonésia, o Timor Leste é o que se pode chamar de terra arrasada. Depois da destruição promovida pelas milícias pró-Indonésia, a ex-colônia portuguesa carece de água potável, o fornecimento de eletricidade é precário e os sistemas de saúde e educação estão aos pedaços. Às voltas com tantos problemas e uma população para alimentar, a Organização das Nações Unidas, que comanda a reconstrução, definiu sua prioridade: a internet. A idéia é ligar a capital timorense, Díli, a Cingapura via satélite. Os burocratas internacionais acreditam que esse acesso à rede mundial de computadores vai acelerar o desenvolvimento de Timor Leste. Tudo muito bonito e com cara de século XXI. Só falta explicar como isso vai colocar comida no prato dos timorenses.

 

Londres

Apesar dos protestos, eles não perdem a pose

Enquanto o Parlamento não proíbe de vez, os ingleses vão à caça da raposa. Como ocorre todos os anos na ressaca do Natal, os caçadores vestiram as elegantes jaquetas vermelhas, as imponentes botas pretas e soltaram os cachorros atrás das pequenas presas. De todas as tradições inglesas, nenhuma sofre tanto com o fogo cerrado de seus inimigos. Na semana passada houve mais de 300 caçadas – e em todas havia manifestações de amigos dos animais. Até o ex-beatle Paul McCartney aproveitou para enviar uma carta ao primeiro-ministro Tony Blair pedindo que se proíba a caça à raposa.

 

Nova York

Relações perigosas em Wall Street

Com uma bolada de 30.000 dólares ganha com investimentos em ações em Wall Street, a canadense Kathryn Gannon pretendia abandonar a carreira de atriz pornô. Tudo perfeito se Kathryn, ou Marylin Star, como se apresenta nos filmes, não tivesse tido uma ajudazinha de seu amante. James McDermott, executivo de um banco de investimentos, foi preso na semana do Natal por ter passado à namorada informações confidenciais sobre a compra de uma empresa. A moça, tadinha, precisa devolver o dinheiro.

 

Nova York

Você compraria uma dieta testada por ela?

A maior tortura de Monica Lewinsky (aquela que dava assistência especial ao presidente Bill Clinton) sempre foi o excesso de peso. As gordurinhas agora estão a seu favor. Ela foi contratada como garota-propaganda de uma empresa de dietas de emagrecimento. Monica garante já ter perdido mais de 14 quilos.

 

 

 



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