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Home  »  Revistas  »  Edição 2137 / 4 de novembro de 2009


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Cinema

Crepúsculo do astro

This Is It, sobre os ensaios de um show que não chegou
aos palcos, põe o talento de Michael Jackson em primeiro
plano – mas não faz esquecer o seu lado esquisitão


Sérgio Martins

Divulgação
AGUUUUDO
Michael Jackson: gritinhos para instruir a guitarrista


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This Is It (Estados Unidos, 2009) foi feito para os fãs de Michael Jackson. É o que diz um letreiro logo no início do filme, que estreou mundialmente na última quarta-feira, arrecadando 20 milhões de dólares no mundo só no primeiro dia (Joe Jackson, o asqueroso pai do ídolo, afirmou que seu filho vale mais morto do que vivo). É preciso ler nas entrelinhas: "feito para os fãs" quer dizer algo como "vamos mostrar o músico excepcional, não a celebridade esquisitona". O documentário traz os ensaios daqueles que seriam os últimos shows, programados em Londres, do astro morto em junho. Não faz nenhuma menção às dívidas que chegavam a 500 milhões de dólares (e que Michael pretendia saldar com o lucro das apresentações) ou às dores lancinantes que o cantor dizia sentir, a ponto de se viciar em analgésicos como Demerol. Mas This Is It acaba sendo mais revelador do que muitos tabloides e sites de fofoca. Mostra como o artista vivia em um mundo paralelo, no qual era o centro absoluto.

O diretor Kenny Ortega, que já trabalhou em produções como High School Musical, apresenta um músico no topo de sua forma física e artística. Há uma profusão de cenas em que Jackson ensaia seus passos de dança característicos (embora haja suspeitas de que tenha sido usado um dublê) e interpreta seus maiores sucessos (boa parte com playback). O show incluiria inserções em vídeo, que aparecem no documentário – em Smooth Criminal, por exemplo, Jackson "contracena" com antigos figurões de Hollywood, como Rita Hayworth e Humphrey Bogart. Quando o próprio Michael Jackson sobe ao palco dos ensaios, porém, sua fragilidade fica evidente. Desconectado da realidade, ele erra feio nos figurinos (um crítico do jornal inglês The Guardian comparou-o ao Esqueleto, vilão do desenho He-Man). Fala e age sempre com afetação – em determinado momento, diz para Ortega que a-do-ra o gestual das aeromoças quando dão instruções de segurança. Para orientar a guitarrista Orianthi Panagaris, dá gritinhos e pede que ela os reproduza com o instrumento. As referências de Smooth Criminal aos clássicos de Hollywood abrem a porta para uma comparação: o Michael Jackson de This Is It parece a diva decadente que Gloria Swanson encarnou em Crepúsculo dos Deuses.


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