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Livros
Clássico aeróbico
Como os versos
homéricos
podem melhorar a sua saúde
Murray Close/Warner Bros/divulgação
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| Brad Pitt como Aquiles, em Tróia: não,
ele não deve os bíceps à poesia |
Ser a pedra fundamental da literatura no Ocidente ainda era muito
pouco. Os poemas épicos de Homero a Ilíada
e a Odisséia agora se candidatam a ganhar
espaço nas prateleiras de auto-ajuda, competindo com os livros
de dieta. E mesmo quem não gosta de ler há de convir
que recitar em voz alta as peripécias dos gregos Aquiles
e Ulisses é sacrifício menor do que cortar os carboidratos.
Sim, é preciso ler em voz alta: os cientistas acreditam que
os ritmos peculiares da poesia grega podem ajudar na sincronização
de certos padrões cardiorrespiratórios. O que, supõe-se,
deve fazer bem à saúde embora não seja
o suficiente para garantir o corpo sarado (pelo menos da cintura
para cima) que Brad Pitt exibe como Aquiles em Tróia.
Foi preciso
um time de cientistas europeus de três países
Alemanha, Suíça e Áustria para descobrir
essa utilidade inusitada da literatura clássica. Os pesquisadores
submeteram voluntários saudáveis a três baterias
de exercícios respiração controlada,
respiração espontânea e recitação
homérica. Publicados no número de julho do American
Journal of Physiology, os resultados colocaram Homero à
frente da respiração controlada na tal sincronização
cardiorrespiratória. Vale sempre ressaltar que a explicação
estaria nos ritmos da poesia clássica, que são difíceis
de conservar nas traduções. Para garantir o efeito
terapêutico, é melhor recitar no grego original.
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