Edição 1865 . 4 de agosto de 2004

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Clássico aeróbico

Como os versos homéricos
podem melhorar a sua saúde


Murray Close/Warner Bros/divulgação
Brad Pitt como Aquiles, em Tróia: não, ele não deve os bíceps à poesia


Ser a pedra fundamental da literatura no Ocidente ainda era muito pouco. Os poemas épicos de Homero – a Ilíada e a Odisséia – agora se candidatam a ganhar espaço nas prateleiras de auto-ajuda, competindo com os livros de dieta. E mesmo quem não gosta de ler há de convir que recitar em voz alta as peripécias dos gregos Aquiles e Ulisses é sacrifício menor do que cortar os carboidratos. Sim, é preciso ler em voz alta: os cientistas acreditam que os ritmos peculiares da poesia grega podem ajudar na sincronização de certos padrões cardiorrespiratórios. O que, supõe-se, deve fazer bem à saúde – embora não seja o suficiente para garantir o corpo sarado (pelo menos da cintura para cima) que Brad Pitt exibe como Aquiles em Tróia.

Foi preciso um time de cientistas europeus de três países – Alemanha, Suíça e Áustria – para descobrir essa utilidade inusitada da literatura clássica. Os pesquisadores submeteram voluntários saudáveis a três baterias de exercícios – respiração controlada, respiração espontânea e recitação homérica. Publicados no número de julho do American Journal of Physiology, os resultados colocaram Homero à frente da respiração controlada na tal sincronização cardiorrespiratória. Vale sempre ressaltar que a explicação estaria nos ritmos da poesia clássica, que são difíceis de conservar nas traduções. Para garantir o efeito terapêutico, é melhor recitar no grego original.

 
 
 
 
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