Edição 1865 . 4 de agosto de 2004

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Televisão
A novela dos mulherões

Sucesso de audiência, Da Cor do Pecado
cumpre o papel que sempre foi do folhetim
das 8:
transformar atrizes em musas nacionais


Ricardo Valladares


Oscar Cabral
Alinne Moraes: visual de sua personagem é calcado no das surfistas australianas
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A tarefa de içar atrizes ao pedestal das musas costuma caber à novela das 8 na Rede Globo. Nos últimos meses, contudo, o folhetim Da Cor do Pecado, exibido às 7, vem desempenhando esse papel com perfeição. Com sua robusta média de ibope de 47 pontos, um número que não se via fazia dez anos nessa faixa de horário, a novela escrita por João Emanuel Carneiro faz mais do que manter o seu time de beldades em evidência. Atrizes como Giovanna Antonelli, Taís Araújo e Alinne Moraes tornaram-se verdadeiros modelos para crianças, adolescentes e moças crescidas – além, é claro, de ser objeto de desejo de incontáveis marmanjos. Além delas, Karina Bacchi, Vanessa Gerbelli e Maitê Proença também já registram a participação em Da Cor do Pecado – definitivamente, uma novela de mulherões – entre os momentos especiais de suas carreiras.

As personagens de Taís Araújo e Giovanna Antonelli vêm fazendo tanto sucesso que até deram origem a bonecas. As duas atrizes já chegaram a Da Cor do Pecado com ótimo cacife, mas agora o ampliaram. Taís é a atriz negra mais bem-sucedida da história da televisão brasileira – a única a contabilizar dois papéis de protagonista, em Xica da Silva (1996) e agora. Ela acredita que sua personagem Preta, uma mãe batalhadora e severa quando necessário, fez com que ela passasse a ser vista como algo mais do que um rostinho e um corpinho bonitos. "Esse papel mudou minha relação com o público feminino. As mulheres me olham com respeito. As mães me adoram", afirma. Para Giovanna Antonelli, interpretar Bárbara também foi uma novidade. Ela veio de uma série de papéis de heroína para encarnar uma vilã. Tornou-se a megera que as brasileiras adoram imitar – assim como gostavam de copiar as bijuterias e os acessórios da odalisca Jade, de O Clone (2001), ou as roupas da garota de programa Capitu, de Laços de Família (2000). Giovanna é a campeã de consultas na Central de Atendimento ao Telespectador da Rede Globo. As fãs da novela querem saber detalhes sobre tudo o que ela usa – do corte de cabelo até o carro em que circula, passando pelas roupas e pelo celular. "Esse fenômeno já havia acontecido com os papéis anteriores, e fiquei muito feliz de repeti-lo com uma malvada. Acho que isso acontece porque não sou uma Vera Fischer, tenho uma beleza mais próxima da realidade das outras mulheres'', diz a atriz de 1,68 metro e 53 quilos.

 
Gianne Carvalho/TV Globo
Oscar Cabral
Giovanna e a boneca Bárbara: megera que todas adoram imitar

O visual de Bárbara e de várias outras personagens de Da Cor do Pecado foi inspirado no de heroínas de histórias em quadrinhos e estrelas de filmes de Hollywood. "Sharon Stone foi o modelo para ela", diz a figurinista Georgia Sampaio. Uma exceção a essa regra é a garota Moa, interpretada por Alinne Moraes. Seu vestuário se calca no das surfistas australianas. Moa usa biquínis de tricô que estão virando mania entre a garotada. A participação de Alinne em Da Cor do Pecado consolidou a trajetória de ascensão em que ela havia entrado desde seu trabalho como Clara, a adolescente lésbica de Mulheres Apaixonadas (2003). Ela hoje tem uma agenda cheia de compromissos de publicidade e acaba de ser escolhida a garota-propaganda de um novo portal de internet da Rede Globo. "Nesse papel, uni o útil ao agradável. Continuo fazendo sucesso como em Mulheres Apaixonadas, mas com muito menos tensão", diz ela.

 
João Miguel Junior/TV Globo
Oscar Cabral
Taís e o brinquedo inspirado nela: "As mães me adoram"

Se Alinne é a musa atual dos adolescentes, a espevitada Karina Bacchi caiu no gosto do público infantil. Ela é Tina, uma agregada da Família Sardinha, trupe de lutadores de vale-tudo que compõe um dos núcleos mais bem-sucedidos da novela. No começo da trama, Tina era uma "maria-tatame": seu único objetivo era namorar os lutadores saradões. Seu papel foi crescendo e ela ganhou um espaço próprio nesse núcleo colorido e amalucado, que tem um quê de desenho animado. Karina acredita que seu desempenho em Da Cor do Pecado lhe abriu portas no campo da televisão para "baixinhos". "A resposta das crianças à Tina foi ótima. Em setembro, logo depois do fim da novela, já devo me dedicar a um novo desafio", diz a moça, toda enigmática.

Gianne Carvalho/TV Globo
Karina Bacchi: de olho nos baixinhos


Diferentemente de outros autores da Globo, como Gilberto Braga ou Aguinaldo Silva, João Emanuel Carneiro diz que não começou a escrever a novela já com um elenco em mente. "Se está dando tudo tão certo, não é só mérito meu. A escolha das meninas teve o dedo de Denise Saraceni", diz Carneiro, rasgando uma seda para a diretora-geral de Da Cor do Pecado. O último capítulo da novela deve ir ao ar em 27 de agosto, e Carneiro trabalha nas reviravoltas finais. O triângulo amoroso central, entre Bárbara, Preta e Paco (Reynaldo Gianecchini), deve esquentar. O galã, que foi preso injustamente na semana passada, vai sair da cadeia nos próximos dias e armar uma vingança contra a personagem de Giovanna Antonelli – que é apaixonada por ele, mas só usa estratagemas perversos para conquistá-lo desde o começo da história. Para concluir seu primeiro roteiro de novela, Carneiro vem trabalhando quinze horas por dia. Sai pouquíssimo de casa e diz que perdeu contato com os amigos. "Durmo sonhando com o Gianecchini e acordo pensando na Giovanna Antonelli", reclama o autor.

 
 
 
 
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