|
|
Televisão
A novela dos mulherões
Sucesso de audiência,
Da Cor do Pecado
cumpre o papel que sempre
foi do folhetim
das 8: transformar atrizes em
musas nacionais

Ricardo Valladares
Oscar Cabral
 |
| Alinne Moraes: visual de sua personagem é
calcado no das surfistas australianas |
|
|
A tarefa de içar atrizes ao pedestal das musas costuma caber
à novela das 8 na Rede Globo. Nos últimos meses, contudo,
o folhetim Da Cor do Pecado, exibido às 7, vem desempenhando
esse papel com perfeição. Com sua robusta média
de ibope de 47 pontos, um número que não se via fazia
dez anos nessa faixa de horário, a novela escrita por João
Emanuel Carneiro faz mais do que manter o seu time de beldades em
evidência. Atrizes como Giovanna Antonelli, Taís Araújo
e Alinne Moraes tornaram-se verdadeiros modelos para crianças,
adolescentes e moças crescidas além, é
claro, de ser objeto de desejo de incontáveis marmanjos.
Além delas, Karina Bacchi, Vanessa Gerbelli e Maitê
Proença também já registram a participação
em Da Cor do Pecado definitivamente, uma novela de
mulherões entre os momentos especiais de suas carreiras.
As personagens de Taís
Araújo e Giovanna Antonelli vêm fazendo tanto sucesso
que até deram origem a bonecas. As duas atrizes já
chegaram a Da Cor do Pecado com ótimo cacife, mas
agora o ampliaram. Taís é a atriz negra mais bem-sucedida
da história da televisão brasileira a única
a contabilizar dois papéis de protagonista, em Xica da
Silva (1996) e agora. Ela acredita que sua personagem Preta,
uma mãe batalhadora e severa quando necessário, fez
com que ela passasse a ser vista como algo mais do que um rostinho
e um corpinho bonitos. "Esse papel mudou minha relação
com o público feminino. As mulheres me olham com respeito.
As mães me adoram", afirma. Para Giovanna Antonelli, interpretar
Bárbara também foi uma novidade. Ela veio de uma série
de papéis de heroína para encarnar uma vilã.
Tornou-se a megera que as brasileiras adoram imitar assim
como gostavam de copiar as bijuterias e os acessórios da
odalisca Jade, de O Clone (2001), ou as roupas da garota
de programa Capitu, de Laços de Família (2000).
Giovanna é a campeã de consultas na Central de Atendimento
ao Telespectador da Rede Globo. As fãs da novela querem saber
detalhes sobre tudo o que ela usa do corte de cabelo até
o carro em que circula, passando pelas roupas e pelo celular. "Esse
fenômeno já havia acontecido com os papéis anteriores,
e fiquei muito feliz de repeti-lo com uma malvada. Acho que isso
acontece porque não sou uma Vera Fischer, tenho uma beleza
mais próxima da realidade das outras mulheres'', diz a atriz
de 1,68 metro e 53 quilos.
Gianne Carvalho/TV Globo
 |
Oscar Cabral
 |
| Giovanna e a boneca Bárbara: megera
que todas adoram imitar |
O visual de Bárbara
e de várias outras personagens de Da Cor do Pecado foi
inspirado no de heroínas de histórias em quadrinhos
e estrelas de filmes de Hollywood. "Sharon Stone foi o modelo para
ela", diz a figurinista Georgia Sampaio. Uma exceção
a essa regra é a garota Moa, interpretada por Alinne Moraes.
Seu vestuário se calca no das surfistas australianas. Moa
usa biquínis de tricô que estão virando mania
entre a garotada. A participação de Alinne em Da
Cor do Pecado consolidou a trajetória de ascensão
em que ela havia entrado desde seu trabalho como Clara, a adolescente
lésbica de Mulheres Apaixonadas (2003). Ela hoje tem
uma agenda cheia de compromissos de publicidade e acaba de ser escolhida
a garota-propaganda de um novo portal de internet da Rede Globo.
"Nesse papel, uni o útil ao agradável. Continuo fazendo
sucesso como em Mulheres Apaixonadas, mas com muito menos
tensão", diz ela.
João Miguel Junior/TV Globo
 |
Oscar Cabral
 |
| Taís e o brinquedo inspirado nela:
"As mães me adoram" |
Se Alinne é a
musa atual dos adolescentes, a espevitada Karina Bacchi caiu no
gosto do público infantil. Ela é Tina, uma agregada
da Família Sardinha, trupe de lutadores de vale-tudo que
compõe um dos núcleos mais bem-sucedidos da novela.
No começo da trama, Tina era uma "maria-tatame": seu único
objetivo era namorar os lutadores saradões. Seu papel foi
crescendo e ela ganhou um espaço próprio nesse núcleo
colorido e amalucado, que tem um quê de desenho animado. Karina
acredita que seu desempenho em Da Cor do Pecado lhe abriu
portas no campo da televisão para "baixinhos". "A resposta
das crianças à Tina foi ótima. Em setembro,
logo depois do fim da novela, já devo me dedicar a um novo
desafio", diz a moça, toda enigmática.
Gianne Carvalho/TV Globo
 |
| Karina Bacchi: de olho nos baixinhos |
Diferentemente de outros autores da Globo, como Gilberto Braga ou
Aguinaldo Silva, João Emanuel Carneiro diz que não
começou a escrever a novela já com um elenco em mente.
"Se está dando tudo tão certo, não é
só mérito meu. A escolha das meninas teve o dedo de
Denise Saraceni", diz Carneiro, rasgando uma seda para a diretora-geral
de Da Cor do Pecado. O último capítulo da novela
deve ir ao ar em 27 de agosto, e Carneiro trabalha nas reviravoltas
finais. O triângulo amoroso central, entre Bárbara,
Preta e Paco (Reynaldo Gianecchini), deve esquentar. O galã,
que foi preso injustamente na semana passada, vai sair da cadeia
nos próximos dias e armar uma vingança contra a personagem
de Giovanna Antonelli que é apaixonada por ele, mas
só usa estratagemas perversos para conquistá-lo desde
o começo da história. Para concluir seu primeiro roteiro
de novela, Carneiro vem trabalhando quinze horas por dia. Sai pouquíssimo
de casa e diz que perdeu contato com os amigos. "Durmo sonhando
com o Gianecchini e acordo pensando na Giovanna Antonelli", reclama
o autor.
|