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Aviação
Mergulhos no azul
Muita gente se diverte pilotando ultraleves
e planadores. E não é preciso gastar uma
fortuna para isso

Rosana Zakabi
Claudio Rossi
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| Cimerman com o motoplanador: "O medo se transforma
num termômetro que mede até onde se pode arriscar" |
Que tal assumir o manche de um avião
e cruzar os céus a 200 quilômetros por hora, curtindo
uma gostosa sensação de liberdade? Parece diversão
de milionários, mas não é necessário
pertencer à turma de Bill Gates para fazer um programa como
esse. Cerca de 5.000 brasileiros costumam
lotar os aeroclubes nos fins de semana para pilotar ultraleves e
planadores aeronaves de pequeno porte, fáceis de conduzir
e que voam baixo, numa faixa entre 300 e 2.000
metros do solo. Pode-se alugar um ultraleve por algo entre 200 e
300 reais por hora. O requisito é ter um brevê de piloto
desportivo, emitido por uma das cinqüenta escolas do Brasil
especializadas nesse tipo de treinamento. O curso custa em média
4.500 reais e compreende quinze horas
de vôo acompanhado por um instrutor. A única restrição
a esses pilotos semi-amadores é que, por segurança,
eles não podem voar fora de um raio de 50 quilômetros
do aeroclube de onde partiram evita-se, assim, o risco de
que dividam o espaço aéreo com aviões comerciais
que estejam em manobras de pouso ou decolagem.
"Sonhava em pilotar desde criança",
diz o engenheiro paulista José Eduardo de Faria, de 56 anos.
"Resolvi concretizar o sonho depois que meus filhos cresceram."
Piloto há cinco anos, Faria costuma voar em ultraleves, planadores
e motoplanadores no aeroclube de Jundiaí, no interior de
São Paulo, e às vezes leva o neto na aventura. Além
dos planadores, existem os ultraleves primários e avançados.
O primeiro tipo é aquele que parece uma asa-delta, comumente
visto sobrevoando praias. Geralmente ele não tem capota
entre o piloto e o espaço aberto estão apenas o pára-brisa
e os quebra-ventos laterais. Esse aparelho voa a velocidades entre
60 e 100 quilômetros por hora e seu motor tem cerca de 65
HP de potência, equivalente ao de um automóvel do tipo
1.0. É possível comprar um brinquedinho desses por
30.000 reais. Os ultraleves avançados
são os mais utilizados pelos pilotos de lazer. Parecem réplicas
de um avião comum, só que em tamanho menor. Atingem
200 quilômetros por hora, possuem motor de 100 HP de potência,
o mesmo de um carro 1.8, e custam 190.000
reais, em média. Quem prefere comprar um ultraleve em vez
de alugar gasta cerca de 5.000 reais
por ano em manutenção.
Masao Goto Filho
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| Faria no ultraleve e em ação no
planador (à dir.): "Sonhava em pilotar desde criança.
Resolvi concretizar o sonho depois que meus filhos cresceram"
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Os planadores, por sua vez, não têm
motor, movem-se ao sabor das correntes de vento e, para ganhar os
céus, precisam ser rebocados por um avião motorizado.
A maioria deles alcança velocidade entre 80 e 120 quilômetros
por hora e custa a partir de 100.000
reais. Há ainda a família híbrida dos motoplanadores.
Eles possuem um pequeno motor apenas para decolar sem depender do
reboque. Ao atingir a altura desejada, o piloto desliga o motor
e o aparelho passa a funcionar como um planador comum. A pergunta
mais freqüente entre os que pensam em se tornar pilotos de
lazer é: afinal, qual o nível de segurança
que essas aeronaves oferecem? No caso dos planadores, os acidentes
são muito raros e geralmente envolvem uma asa quebrada ou
uma roda arrancada numa aterrissagem malfeita. Já no caso
dos ultraleves, o risco é maior: no ano passado, no Brasil,
houve trinta acidentes com aparelhos desse tipo e sete deles resultaram
na morte do piloto. Em todos, a causa apontada foi falha humana.
"No início, o piloto fica um pouco apreensivo, mas logo o
medo se transforma num termômetro que ajuda a medir até
onde se pode arriscar", diz o paulistano Ricardo Cimerman, administrador
de empresas de 36 anos, que há três pilota planadores
e ultraleves como hobby. É bom nunca perder esse termômetro.
Fotos Luis Eduardo Tostes/arquivo pessoal/Masao
Goto Filho
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