Edição 1865 . 4 de agosto de 2004

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Aviação
Mergulhos no azul

Muita gente se diverte pilotando ultraleves
e planadores. E não é preciso gastar uma
fortuna para isso


Rosana Zakabi

 
Claudio Rossi
Cimerman com o motoplanador: "O medo se transforma num termômetro que mede até onde se pode arriscar"

Que tal assumir o manche de um avião e cruzar os céus a 200 quilômetros por hora, curtindo uma gostosa sensação de liberdade? Parece diversão de milionários, mas não é necessário pertencer à turma de Bill Gates para fazer um programa como esse. Cerca de 5.000 brasileiros costumam lotar os aeroclubes nos fins de semana para pilotar ultraleves e planadores – aeronaves de pequeno porte, fáceis de conduzir e que voam baixo, numa faixa entre 300 e 2.000 metros do solo. Pode-se alugar um ultraleve por algo entre 200 e 300 reais por hora. O requisito é ter um brevê de piloto desportivo, emitido por uma das cinqüenta escolas do Brasil especializadas nesse tipo de treinamento. O curso custa em média 4.500 reais e compreende quinze horas de vôo acompanhado por um instrutor. A única restrição a esses pilotos semi-amadores é que, por segurança, eles não podem voar fora de um raio de 50 quilômetros do aeroclube de onde partiram – evita-se, assim, o risco de que dividam o espaço aéreo com aviões comerciais que estejam em manobras de pouso ou decolagem.

"Sonhava em pilotar desde criança", diz o engenheiro paulista José Eduardo de Faria, de 56 anos. "Resolvi concretizar o sonho depois que meus filhos cresceram." Piloto há cinco anos, Faria costuma voar em ultraleves, planadores e motoplanadores no aeroclube de Jundiaí, no interior de São Paulo, e às vezes leva o neto na aventura. Além dos planadores, existem os ultraleves primários e avançados. O primeiro tipo é aquele que parece uma asa-delta, comumente visto sobrevoando praias. Geralmente ele não tem capota – entre o piloto e o espaço aberto estão apenas o pára-brisa e os quebra-ventos laterais. Esse aparelho voa a velocidades entre 60 e 100 quilômetros por hora e seu motor tem cerca de 65 HP de potência, equivalente ao de um automóvel do tipo 1.0. É possível comprar um brinquedinho desses por 30.000 reais. Os ultraleves avançados são os mais utilizados pelos pilotos de lazer. Parecem réplicas de um avião comum, só que em tamanho menor. Atingem 200 quilômetros por hora, possuem motor de 100 HP de potência, o mesmo de um carro 1.8, e custam 190.000 reais, em média. Quem prefere comprar um ultraleve em vez de alugar gasta cerca de 5.000 reais por ano em manutenção.

 
Masao Goto Filho
Faria no ultraleve e em ação no planador (à dir.): "Sonhava em pilotar desde criança. Resolvi concretizar o sonho depois que meus filhos cresceram"

Os planadores, por sua vez, não têm motor, movem-se ao sabor das correntes de vento e, para ganhar os céus, precisam ser rebocados por um avião motorizado. A maioria deles alcança velocidade entre 80 e 120 quilômetros por hora e custa a partir de 100.000 reais. Há ainda a família híbrida dos motoplanadores. Eles possuem um pequeno motor apenas para decolar sem depender do reboque. Ao atingir a altura desejada, o piloto desliga o motor e o aparelho passa a funcionar como um planador comum. A pergunta mais freqüente entre os que pensam em se tornar pilotos de lazer é: afinal, qual o nível de segurança que essas aeronaves oferecem? No caso dos planadores, os acidentes são muito raros e geralmente envolvem uma asa quebrada ou uma roda arrancada numa aterrissagem malfeita. Já no caso dos ultraleves, o risco é maior: no ano passado, no Brasil, houve trinta acidentes com aparelhos desse tipo e sete deles resultaram na morte do piloto. Em todos, a causa apontada foi falha humana. "No início, o piloto fica um pouco apreensivo, mas logo o medo se transforma num termômetro que ajuda a medir até onde se pode arriscar", diz o paulistano Ricardo Cimerman, administrador de empresas de 36 anos, que há três pilota planadores e ultraleves como hobby. É bom nunca perder esse termômetro.

 
Fotos Luis Eduardo Tostes/arquivo pessoal/Masao Goto Filho

 
 
 
 
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