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Saúde
O banquete dos mosquitos
Um estudo mostra por que algumas pessoas
são mais sujeitas às picadas do que outras
Divulgação
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Os pernilongos e os borrachudos, assim como os gourmets, são
seletivos em suas refeições. Como é fácil
observar num fim de semana na praia ou no campo, eles dão
preferência a determinadas pessoas para cravar seus ferrões
e sugar-lhes o sangue, enquanto outras permanecem quase imunes a
suas picadas. "Por que eu?", pergunta-se a vítima, enquanto
coça as pernas e os braços. Segundo descobertas recentes
da ciência, há uma série de fatores que explicam
quais os critérios desses insetos para escolher a quem atacar.
"Em cada grupo de dez pessoas, uma será sempre mais propensa
a ser picada", diz o entomologista Jerry Butler, da Florida University.
Junto a seu assistente Karen McKenzie, Butler construiu um "olfatômetro"
capaz de medir quais odores são mais atraentes para os mosquitos.
Eles colocaram numa redoma pequenos discos cobertos de sangue de
gado contendo diversos aromatizantes reproduzindo cheiros
do corpo humano e envoltos em uma membrana semelhante à
pele. A seguir, soltaram dentro da redoma sucessivas levas de pernilongos
fêmeas (só elas picam os humanos, pois precisam do
sangue para colocar ovos férteis), a fim de medir suas reações
com a ajuda de um computador.
Butler e McKenzie concluíram que diversas
substâncias do organismo que afloram à pele, e em geral
permanecem misturadas ao suor, funcionam como iscas para os mosquitos.
Entre elas estão o colesterol, o ácido lático,
o ácido úrico e os hormônios classificados como
esteróides. As vitaminas do complexo B, de que os insetos
necessitam para se desenvolver mas que são incapazes de produzir,
também transformam em chamarizes as pessoas que as possuem
em alta concentração no metabolismo. Determinadas
substâncias contidas em remédios para pressão
alta são igualmente atrativas. Outra descoberta: fatores
genéticos contam. Filhos de pessoas que costumam atrair a
sanha dos borrachudos são propensos a atraí-los da
mesma forma. Segundo as conclusões da dupla de cientistas,
os cosméticos, como alguns tipos de desodorante e sabonete,
depois de aplicados à epiderme, podem despertar o apetite
dos mosquitos. E quem costuma praticar esportes ao ar livre deve
ter redobrada atenção: o movimento rápido do
corpo, como aquele feito ao correr ou ao mexer os braços,
deixa os pequenos vampiros agitados e ansiosos para conferir o cheiro
da pele do esportista.
O processo de atração da pele
humana sobre os mosquitos, na verdade, começa bem antes de
sua aterrissagem no corpo. Eles são capazes de farejar o
jantar a até quilômetros de distância. Pernilongos
e borrachudos são atraídos, primeiramente, pelo dióxido
de carbono contido no ar que sai de nossos pulmões durante
o processo de respiração. Eis por que os adultos
e, dentre eles, os mais corpulentos costumam ser mais picados
do que as crianças. Quanto maiores os pulmões, mais
dióxido de carbono eles exalam. O mesmo vale para as mulheres
grávidas, cuja respiração tende a emitir maiores
quantidades desse gás. Só depois de se aproximarem
da pessoa, atraídos pelo dióxido, é que os
mosquitos são capazes de avaliar quem, entre os integrantes
de um grupo, lhes garantirá a refeição mais
apetitosa.
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