Edição 1865 . 4 de agosto de 2004

Índice
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Auto-retrato
Contexto
Veja essa
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Saúde
O banquete dos mosquitos

Um estudo mostra por que algumas pessoas
são mais sujeitas às picadas do que outras


Divulgação


Os pernilongos e os borrachudos, assim como os gourmets, são seletivos em suas refeições. Como é fácil observar num fim de semana na praia ou no campo, eles dão preferência a determinadas pessoas para cravar seus ferrões e sugar-lhes o sangue, enquanto outras permanecem quase imunes a suas picadas. "Por que eu?", pergunta-se a vítima, enquanto coça as pernas e os braços. Segundo descobertas recentes da ciência, há uma série de fatores que explicam quais os critérios desses insetos para escolher a quem atacar. "Em cada grupo de dez pessoas, uma será sempre mais propensa a ser picada", diz o entomologista Jerry Butler, da Florida University. Junto a seu assistente Karen McKenzie, Butler construiu um "olfatômetro" capaz de medir quais odores são mais atraentes para os mosquitos. Eles colocaram numa redoma pequenos discos cobertos de sangue de gado – contendo diversos aromatizantes reproduzindo cheiros do corpo humano – e envoltos em uma membrana semelhante à pele. A seguir, soltaram dentro da redoma sucessivas levas de pernilongos fêmeas (só elas picam os humanos, pois precisam do sangue para colocar ovos férteis), a fim de medir suas reações com a ajuda de um computador.

Butler e McKenzie concluíram que diversas substâncias do organismo que afloram à pele, e em geral permanecem misturadas ao suor, funcionam como iscas para os mosquitos. Entre elas estão o colesterol, o ácido lático, o ácido úrico e os hormônios classificados como esteróides. As vitaminas do complexo B, de que os insetos necessitam para se desenvolver mas que são incapazes de produzir, também transformam em chamarizes as pessoas que as possuem em alta concentração no metabolismo. Determinadas substâncias contidas em remédios para pressão alta são igualmente atrativas. Outra descoberta: fatores genéticos contam. Filhos de pessoas que costumam atrair a sanha dos borrachudos são propensos a atraí-los da mesma forma. Segundo as conclusões da dupla de cientistas, os cosméticos, como alguns tipos de desodorante e sabonete, depois de aplicados à epiderme, podem despertar o apetite dos mosquitos. E quem costuma praticar esportes ao ar livre deve ter redobrada atenção: o movimento rápido do corpo, como aquele feito ao correr ou ao mexer os braços, deixa os pequenos vampiros agitados e ansiosos para conferir o cheiro da pele do esportista.

O processo de atração da pele humana sobre os mosquitos, na verdade, começa bem antes de sua aterrissagem no corpo. Eles são capazes de farejar o jantar a até quilômetros de distância. Pernilongos e borrachudos são atraídos, primeiramente, pelo dióxido de carbono contido no ar que sai de nossos pulmões durante o processo de respiração. Eis por que os adultos – e, dentre eles, os mais corpulentos – costumam ser mais picados do que as crianças. Quanto maiores os pulmões, mais dióxido de carbono eles exalam. O mesmo vale para as mulheres grávidas, cuja respiração tende a emitir maiores quantidades desse gás. Só depois de se aproximarem da pessoa, atraídos pelo dióxido, é que os mosquitos são capazes de avaliar quem, entre os integrantes de um grupo, lhes garantirá a refeição mais apetitosa.

 

 

Foto Photodisc
Espantar mosquitos na praia, uma situação comum:
ela atrai também os pequenos vampiros
 
 
 
topovoltar