Edição 1865 . 4 de agosto de 2004

Índice
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Auto-retrato
Contexto
Veja essa
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Tecnologia
Esta roupa é de milho

Cientistas reinventam
matérias-primas com novas
combinações de moléculas

Divulgação
EXCLUSIVO ON-LINE
Galeria de fotos


Plástico de soja, tecido de fibra de milho e até fibras à prova de bala vêm sendo criados por cientistas que pinçam na natureza os genes que dão características especiais a animais e plantas e os implantam em materiais maleáveis, que servem para a fabricação de milhares de produtos. Um tecido ultra-resistente é produzido na empresa canadense Nexia Biotechnologies para o Exército dos Estados Unidos, detentor da patente. O Biosteel, ou aço biológico, foi desenvolvido a partir de teias de aranha das espécies Araneus diadematus e Nephila clavipes. Cinco vezes mais resistente que a liga mineral e com uma flexibilidade trinta vezes maior, o Biosteel está sendo testado na confecção de uniformes militares e na blindagem de aeronaves e veículos de combate. O caminho para chegar a esse material foi bem estranho. Primeiro, os pesquisadores isolaram nas células das aranhas os genes responsáveis pela produção da proteína que origina a teia. Depois, inseriram esses genes em células de cabras, que passaram a produzir no leite grande quantidade da matéria-prima.

No Brasil, cientistas do Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cernagem), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, também desenvolveram um aço biológico. O geneticista Elíbio Rech Filho, que concluiu o genoma de uma espécie de aranha da Amazônia, criou uma soja transgênica com o gene do aracnídeo. Os grãos são capazes de produzir a substância em quantidade superior à obtida com as cabras canadenses.

Outro ramo dessas pesquisas é o dos substitutos do plástico. O Cernagem fez protótipos de embalagens com moléculas de oleaginosas que mudam de cor conforme o prazo de validade e se degradam sem impacto na natureza. Nos EUA, a Cargill Dow desenvolveu o plástico NatureWorks e a fibra têxtil Ingeo, já disponíveis na forma de copos e talheres descartáveis, roupas e embalagens para alimentos. Americanos e japoneses convivem também com descartáveis feitos de soja e milho. Em Serrana, no interior paulista, usineiros se preparam para produzir plástico de cana-de-açúcar, o Biocycle.

Há duas semanas, pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista, campus de Araraquara, e do Instituto de Física de São Carlos, da Universidade de São Paulo, apresentaram o resultado de uma parceria com a empresa Bionext: um curativo com as mesmas propriedades da pele humana, obtido a partir da celulose produzida por um tipo de bactéria comumente encontrada nas frutas. A razão pela qual esses estudos avançam depressa é fácil de entender. A consultoria McKinsey, dos Estados Unidos, calcula que o mercado de biotecnologia logo ultrapassará os 100 bilhões de dólares ao ano.

 

 

 

 
 
 
topovoltar