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Tecnologia
Esta roupa é de milho
Cientistas reinventam
matérias-primas com novas
combinações de moléculas
Divulgação
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Plástico de soja, tecido de fibra de milho e até fibras
à prova de bala vêm sendo criados por cientistas que
pinçam na natureza os genes que dão características
especiais a animais e plantas e os implantam em materiais maleáveis,
que servem para a fabricação de milhares de produtos.
Um tecido ultra-resistente é produzido na empresa canadense
Nexia Biotechnologies para o Exército dos Estados Unidos,
detentor da patente. O Biosteel, ou aço biológico,
foi desenvolvido a partir de teias de aranha das espécies
Araneus diadematus e Nephila clavipes. Cinco vezes
mais resistente que a liga mineral e com uma flexibilidade trinta
vezes maior, o Biosteel está sendo testado na confecção
de uniformes militares e na blindagem de aeronaves e veículos
de combate. O caminho para chegar a esse material foi bem estranho.
Primeiro, os pesquisadores isolaram nas células das aranhas
os genes responsáveis pela produção da proteína
que origina a teia. Depois, inseriram esses genes em células
de cabras, que passaram a produzir no leite grande quantidade da
matéria-prima.
No Brasil, cientistas do Centro Nacional de
Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cernagem),
da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, também
desenvolveram um aço biológico. O geneticista Elíbio
Rech Filho, que concluiu o genoma de uma espécie de aranha
da Amazônia, criou uma soja transgênica com o gene do
aracnídeo. Os grãos são capazes de produzir
a substância em quantidade superior à obtida com as
cabras canadenses.
Outro ramo dessas pesquisas é o dos
substitutos do plástico. O Cernagem fez protótipos
de embalagens com moléculas de oleaginosas que mudam de cor
conforme o prazo de validade e se degradam sem impacto na natureza.
Nos EUA, a Cargill Dow desenvolveu o plástico NatureWorks
e a fibra têxtil Ingeo, já disponíveis na forma
de copos e talheres descartáveis, roupas e embalagens para
alimentos. Americanos e japoneses convivem também com descartáveis
feitos de soja e milho. Em Serrana, no interior paulista, usineiros
se preparam para produzir plástico de cana-de-açúcar,
o Biocycle.
Há duas semanas, pesquisadores do Instituto
de Química da Universidade Estadual Paulista, campus de Araraquara,
e do Instituto de Física de São Carlos, da Universidade
de São Paulo, apresentaram o resultado de uma parceria com
a empresa Bionext: um curativo com as mesmas propriedades da pele
humana, obtido a partir da celulose produzida por um tipo de bactéria
comumente encontrada nas frutas. A razão pela qual esses
estudos avançam depressa é fácil de entender.
A consultoria McKinsey, dos Estados Unidos, calcula que o mercado
de biotecnologia logo ultrapassará os 100 bilhões
de dólares ao ano.
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