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Especial
O cérebro devassado
Já é
possível ver o cérebro em
plena
atividade. As descobertas são
fascinantes
e estão levando a uma melhor
compreensão
do funcionamento da mente
humana

Anna Paula Buchalla
O cérebro é considerado a caixa-preta
do corpo humano. De tão insondável, foi objeto de
todo tipo de especulação. De filósofos a médicos,
muito se arriscava em teorias, mas pouco se sabia na prática
sobre o que acontecia nesse órgão que faz a grande
diferença da espécie humana. Nos últimos cinco
anos, contudo, com a invenção e o aprimoramento da
ressonância magnética funcional, do PET/CT, que associa
a tomografia por emissão de pósitrons à tomografia
computadorizada de última geração, e da espectroscopia,
novas imagens vieram à luz e estão revolucionando
o conhecimento do cérebro.
As descobertas são
fantásticas. "É como se tivéssemos substituído
a rudimentar luneta de Galileu pelo telescópio Hubble", compara
o neurorradiologista Edson Amaro Júnior, do Hospital Albert
Einstein e do Hospital das Clínicas, em São Paulo.
Como esses exames podem flagrar o cérebro em plena atividade,
os pesquisadores estão conseguindo mapear praticamente tudo
o que acontece dentro dele como se processam as emoções,
a cognição, o pensamento e o raciocínio e até
mesmo como se originam algumas doenças. Essa visão
preciosa está prestes a mudar a forma como hoje se detecta
e trata uma série de distúrbios, como Alzheimer, autismo,
transtorno do déficit de atenção e perda de
memória. Ela também ajuda a identificar os aspectos
que contribuem para o aparecimento de problemas como depressão,
esquizofrenia, alcoolismo e uso de drogas. O trabalho dos neurocientistas,
amparado por esse impressionante aparato tecnológico, vai
além de desvendar o funcionamento do cérebro. Está-se
descobrindo de que maneira ele responde a estímulos externos
tanto que já se criou uma nova modalidade nos Estados
Unidos, o neuromarketing. Em suas pesquisas, os neuromarqueteiros
utilizam os aparelhos que fornecem imagens do cérebro, para
saber que áreas são ativadas quando a pessoa é
exposta a marcas, produtos ou imagens e falas de políticos.
Dessa forma, ao detectarem as emoções suscitadas,
podem direcionar melhor campanhas publicitárias. Não
se exclui, ainda, que esse tipo de iniciativa também seja
empreendido em tratamentos psicológicos.
Em 1,5 quilo de massa
encefálica (valor equivalente ao peso do cérebro de
um adulto), 100 bilhões de células nervosas estão
em atividade. Cada uma se liga a milhares de outras em mais de 100
trilhões de circuitos. A trama é complexa, precisa
e delicada. Graças a ela, o homem pensa, raciocina, lembra.
Enxerga, ouve, aprende. Não faz tanto tempo assim, acreditava-se
que o ser humano utilizasse apenas 10% de sua capacidade cerebral.
Hoje já se sabe que esse é mais um daqueles mitos
que se produzem no vaivém da ciência. Os médicos
já não têm a menor dúvida de que toda
a máquina cerebral é solicitada nas mais diferentes
funções. "Qualquer atividade ou pensamento com um
mínimo de complexidade, como jogar conversa fora ou ler uma
história em quadrinhos, vale-se de inúmeras conexões
neuronais em áreas diferentes do cérebro ao mesmo
tempo", afirma o neurologista Steven Yantis, da Universidade Johns
Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos, um dos centros mais avançados
do mundo em pesquisas cerebrais.
Durante séculos,
o conhecimento da estrutura cerebral humana permaneceu rudimentar.
O filósofo grego Aristóteles, um dos primeiros a se
debruçar sobre o assunto, acreditava que a memória
fosse fisicamente armazenada no cérebro. As recordações
ficariam uma a uma impressas no tecido cerebral. No século
XVIII, o cientista alemão Franz Joseph Gall divulgou a teoria
de que as protuberâncias cranianas poderiam determinar a personalidade
das pessoas. Uma de suas concepções era a de que crianças
com boa memória também tinham "olhos proeminentes"
uma pista clara de que, segundo ele, a memória estava
armazenada no cérebro. Quanto maior a memória, mais
"inchado" o cérebro. Conhecida como frenologia, essa teoria
foi derrubada em 1861, quando o neuroanatomista francês Paul
Broca dissecou o cérebro de um paciente com distúrbios
na fala que tinha acabado de morrer. O que ele viu não correspondia
ao que dizia a frenologia.
O fato é que,
até meados do século XX, os pesquisadores não
faziam uma idéia suficientemente clara do que enxergavam
dentro do crânio humano. Somente no início dos anos
70 é que foram obtidas as primeiras imagens anatômicas
do cérebro. Isso foi possível com a ajuda de computadores
que passaram a processar as imagens dos raios X técnica
batizada de tomografia computadorizada. Os médicos começaram
a lançar mão com freqüência cada vez maior
desse tipo de exame, hoje mais avançado, que mostra a estrutura
do cérebro em finas fatias. A partir dele, surgiu uma variedade
considerável de técnicas que estão ajudando
os pesquisadores a entender melhor a relação entre
a estrutura cerebral, as funções neuronais e o comportamento
humano. Para saber qual área do cérebro está
sendo ativada quando alguém, por exemplo, fala ou ouve música,
pode-se recorrer ao PET, sigla em inglês para tomografia por
emissão de pósitrons, que mapeia o cérebro
com a ajuda de material radioativo.
Há menos de duas
décadas, um paciente com suspeita de tumor cerebral tinha
necessariamente de se submeter a uma cirurgia. Atualmente, graças
à ressonância magnética, para mapear o cérebro
basta ao paciente entrar num tubo. Ondas eletromagnéticas
permitem a visualização de fatias do cérebro,
com uma perfeição incrível, possibilitando
ao especialista captar anomalias sutis. Doenças que antes
só eram estudadas em cérebros de cadáveres
agora podem ser acompanhadas em toda a sua evolução,
o que deverá ajudar na descoberta da cura de Alzheimer, Parkinson
e epilepsia. Por meio da ressonância magnética funcional,
uma evolução da ressonância magnética,
sinais de radiofreqüência fornecem uma visão das
alterações no fluxo sanguíneo e na oxigenação
em determinadas áreas cerebrais. O equipamento tem a vantagem
de não utilizar material radioativo e de fornecer imagens
em diferentes dimensões. É seguro e não invasivo.
Com a ajuda desse tipo de ressonância, hoje já se sabe,
entre outras coisas, como funciona o processo pelo qual o cérebro
arquiva a memória de episódios ruins. Para impedir
que esses registros permaneçam na superfície da memória,
há uma diminuição na atividade do hipocampo,
uma das regiões envolvidas no processo de lembrança.
Esse tipo de conhecimento pode abrir caminho para novos tratamentos
de fobias e de stress pós-traumático. Uma maior investigação
sobre o hipocampo também permitirá que sejam criados
procedimentos para deter a perda de memória verificada entre
muitas pessoas que ultrapassam os 40 anos.
Por meio da espectroscopia
por ressonância magnética, o tratamento precoce da
esclerose múltipla, uma doença crônica e progressiva,
está para se tornar uma possibilidade real. Isso porque,
com o exame, é possível medir os níveis de
uma substância no cérebro relacionada à doença.
"Acredito que, em relativamente pouco tempo, será estabelecida
uma nova forma de encarar a doença", diz o médico
David Yousem, professor de radiologia da Universidade Johns Hopkins.
A ciência também anda utilizando a espectroscopia para
tentar explicar eventos tidos como paranormais. A experiência
transcendental é um deles. Pelo que mostram as imagens, com
esse tipo de meditação, o córtex pré-frontal,
no qual reside a atenção, sofre uma baixa de atividade,
fazendo com que a pessoa perca a noção de tempo e
de espaço. É esse fenômeno absolutamente físico
que causa a sensação de que se atingiu uma outra dimensão.
As imagens do cérebro
em ação já têm uma aplicação
prática incontestável. Elas são a garantia
de uma cirurgia mais precisa e menos arriscada. Como nenhum cérebro
é igual a outro, os neurocirurgiões estão se
valendo do que vêem para saber exatamente onde estão
os centros de fala, visão ou movimento de cada paciente,
para evitar lesioná-los durante a operação.
Além disso, ao conhecer exatamente qual o dano que um distúrbio
é capaz de causar em determinada área cerebral, abre-se
caminho para o desenvolvimento de drogas mais específicas.
Através das imagens também é possível
monitorar os tratamentos e suas evoluções. Cientistas
americanos conseguiram provar, por meio da ressonância magnética,
que os antidepressivos têm, de fato, uma ação
direta sobre os neurotransmissores. Pesquisadores da Universidade
de Wisconsin-Madison usaram o mesmo tipo de exame para verificar
as mudanças que ocorriam em pacientes medicados com o antidepressivo
Efexor. Notaram que o remédio causa alterações
no cíngulo anterior, região cerebral ativada por estímulos
de atenção e em momentos de conflito. Uma das surpresas
foi observar que essas mudanças ocorriam em apenas duas semanas
de tratamento. Não se imaginava que os efeitos de um antidepressivo
pudessem ser tão rápidos. O achado foi publicado na
revista American Journal of Psychiatry. Em breve, acredita-se,
será possível partir para tratamentos da depressão
mais personalizados. Pacientes com resistência a antidepressivos
serão submetidos a exames de imagem, para que o médico
verifique quais são os neurotransmissores mais implicados
em cada caso. Com isso, ele prescreverá medicamentos antidepressivos
manipulados com a dose certa de certas substâncias.
Fora do âmbito
médico, a curiosa associação entre marketing
e neurociência o neuromarketing leva a que se
"leia" o pensamento dos consumidores. Ao se monitorar a atividade
cerebral do pesquisado, dá para saber se ele aprova ou rejeita
determinado produto ou marca e, mais importante, por quê.
As experiências ocorrem da seguinte forma: enquanto o voluntário
permanece em uma máquina de ressonância magnética
funcional, os pesquisadores lhe apresentam fotos ou videoclipes.
Dependendo da área cerebral mais ativada pelo fluxo sanguíneo,
conclui-se que tipo de reação o estímulo causa.
Os neurocientistas já constataram, por exemplo, que a migração
de sangue para uma área do cérebro conhecida como
córtex pré-frontal medial, no momento em que o voluntário
está olhando para um determinado logotipo, significa que
ele se identifica com a marca. Esse é um campo com um potencial
imenso para empresas de marketing e institutos de pesquisa, que
costumam trabalhar apenas com informações que recebem
por meio de questionários. Como nada garante que o entrevistado
esteja falando a verdade, há sempre um fio de suspeita nessas
sondagens suspeita que seria inteiramente cancelada com exames
de imagens cerebrais.
O neuromarketing começou
a dar seus primeiros passos no fim dos anos 90. O médico
Gerry Zaltman, da Universidade Harvard, foi o primeiro a colocar
um voluntário deitado em um equipamento de ressonância
magnética com esse objetivo. Em 2001, a empresa de marketing
americana BrightHouse, de Atlanta, passou a explorar esse filão
comercialmente. Entre seus clientes estão a Coca-Cola e a
companhia aérea Delta Airlines. Dois fabricantes de carros,
a alemã DaimlerChrysler e a Ford européia, admitiram
que utilizaram os estudos de neuromarketing no ano passado. Recentemente,
a empresa de marketing Lieberman Research Worldwide, sediada em
Los Angeles, começou a prestar serviços de neuromarketing
a grandes estúdios de cinema. Ela testa a receptividade do
espectador a trailers de filmes.
Na política,
o terreno para o neuromarketing parece ser vasto. Pesquisadores
da Universidade da Califórnia testaram as respostas cerebrais
de dez voluntários americanos, metade eleitora do Partido
Republicano, metade do Democrata, a três vídeos de
propaganda política. Em um deles, o presidente republicano
George W. Bush faz menção aos atentados do 11 de Setembro.
Em outro vídeo, aparece seu concorrente, o democrata John
Kerry, que não aborda o tema do terrorismo. Numa terceira
fita, é mostrado um comercial famoso nos anos 60, utilizado
pelo candidato democrata Lyndon Johnson contra o republicano Barry
Goldwater. Uma garota segura uma margarida e imagens de uma explosão
nuclear são sobrepostas a ela uma alusão à
possibilidade de ser deflagrada uma guerra atômica caso o
belicista Goldwater fosse eleito. Os pesquisadores notaram que os
voluntários democratas reagiram às imagens violentas
com uma atividade maior da amídala em relação
aos republicanos. Isso sugere que eles se sensibilizam mais com
as cenas de terror. Outra vertente desse estudo foi analisar o que
acontecia no cérebro dessas pessoas quando expostas às
imagens de Bush e Kerry fora do contexto de um comercial de TV.
Confrontadas com fotos de seus próprios candidatos, elas
tiveram ativada uma parte do córtex pré-frontal associada
a reações instintivas. Mas, quando a imagem era do
candidato do outro partido, ativaram-se áreas mais voltadas
para a racionalidade.
No estudo de neuromarketing
conduzido por encomenda da DaimlerChrysler, foram mostradas imagens
de 66 carros 22 esportivos, 22 sedãs e 22 veículos
pequenos a um grupo de doze homens na faixa dos 30 anos.
A conclusão: os esportivos excitam áreas do cérebro
associadas a poder. A visão do cérebro em funcionamento
também revelou reações de consumidores aos
refrigerantes Pepsi e Coca-Cola. As imagens mostraram uma maior
preferência cerebral pelo sabor da Pepsi. Mas por que, então,
a Coca-Cola vende mais? Porque a marca estimula mais as áreas
do cérebro ligadas aos atos de vontade. Ou seja, seu logotipo
é mais poderoso que o da Pepsi.
As novas tecnologias
permitiram descobrir que o cérebro evolui até a maturidade.
Com a ressonância magnética funcional, os neurocientistas
verificaram que 95% do volume do cérebro é alcançado
até os 5 anos. Os outros 5% são formados até
os 35 anos. "Curiosamente, os advogados já pareciam saber
disso. Tanto que recomendam que ninguém faça o próprio
testamento antes dessa idade", brinca o médico Gary Goldstein,
presidente do Instituto Kennedy Krieger, de pesquisas neurológicas
do Hospital Johns Hopkins. Outra descoberta é que há
mesmo diferenças entre o cérebro masculino e o feminino.
Um dado que chama a atenção dos pesquisadores diz
respeito à linguagem. As mulheres utilizam os dois hemisférios
cerebrais para essa atividade, enquanto os homens o esquerdo. Isso
dá a elas a vantagem de, em caso de um derrame no lado esquerdo,
ainda manterem alguma capacidade de linguagem do lado direito. Além
disso, as mulheres são, em geral, mais emotivas e melhores
para expressar sentimentos que os homens porque seu sistema límbico
é mais desenvolvido.
Há mais de um
século e meio, a poeta americana Emily Dickinson escreveu
num célebre poema que o cérebro é mais vasto
do que o céu. "The Brain / is wider than the Sky / For put
them side by side / The one the other will contain / With ease and
You beside" ("O Cérebro é mais vasto
que o Céu. Postos lado a lado, um facilmente conterá
o outro. E o Ser também"). É esse universo que começa
a ser desvendado.
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As conquistas
proporcionadas
pelos novos exames
Pedro Rubens
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| O diagnóstico da hiperatividade
infantil pode ficar mais claro com os novos exames |
NEUROMARKETING
Pesquisadores
já estão utilizando imagens do cérebro
de consumidores para saber quais os produtos que agradam
e quais os mais evitados por uma determinada amostragem
antes de lançá-los no mercado
DIAGNÓSTICO
DE DOENÇAS
Distúrbios
como autismo, mal de Alzheimer, hiperatividade e depressão
já podem ser confirmados através do mapeamento
das funções cerebrais. Esses males têm
em comum o difícil diagnóstico clínico
PRECISÃO
NA CIRURGIA
Como nenhum
cérebro é igual a outro, os neurocirurgiões
estão se valendo das imagens para saber exatamente
onde estão os centros de fala, visão ou
movimento de cada paciente, antes do procedimento, para
evitar lesioná-los durante a operação
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Na onda das
ondas cerebrais
Saber instantaneamente
o que uma pessoa deseja no mais recôndito do seu
ser. Assustador? Talvez. Divertido? Sem dúvida.
Para descobrir o que dezenas de jovens sentiam ao ouvir
certas músicas e ser submetidos a diferentes
intensidades de luz, uma casa noturna de Toronto, no
Canadá, conectou-os por meio de eletrodos a um
computador. A máquina analisava as ondas cerebrais
emitidas pelos jovens, indicando se os estímulos
sonoros e visuais correspondiam a sensações
de prazer ou de desprazer. Se a maioria das ondas denotava
prazer, a música continuava e a luz era mantida.
Se não, trocava-se o som e alterava-se a iluminação.
Qual a conclusão geral dessa experiência?
Nenhuma. Divertido? Sem dúvida.
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O cérebro
deles e o delas
As imagens
confirmam que o cérebro de homens e o de mulheres
têm diferenças. As principais são:
1.
O cérebro feminino é cerca de 10% menor
que o masculino. Mas tem maior número de conexões
entre as células nervosas
2.
Uma das diferenças estruturais claras é
o hipotálamo, maior em cérebros masculinos
do que em femininos. É nessa região que
se processam o sono e os ciclos menstruais das mulheres
3.
As mulheres sintetizam menos serotonina que os homens.
A baixa nessa substância química cerebral,
ligada à sensação de bem-estar,
é associada a uma série de doenças,
entre elas a depressão
4.
O cérebro feminino é predominantemente
programado para a empatia, enquanto o masculino é
voltado para sistemas de construção e
compreensão
5.
A ressonância magnética funcional mostrou
que meninos submetidos a fotografias de rostos com expressões
de medo apresentam uma ativação menor
da amídala que as meninas
6.
Homens se saem melhor em tarefas que envolvem cálculos,
enquanto as mulheres são melhores em habilidades
verbais. As imagens mostram que o lobo parietal inferior,
envolvido em tarefas matemáticas, é maior
no cérebro deles
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