Edição 1865 . 4 de agosto de 2004

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Diversão
Papai, encolhi a motocicleta

Barata e barulhenta, a "moto de bolso"
é moda de verão nos Estados Unidos

À primeira vista, parece coisa de circo: um adulto dirigindo uma minimoto feita para crianças de 5 anos. Na verdade, o piloto, em geral adolescente, está levando muito a sério a diversão de andar pelas ruas a 50 quilômetros por hora, sem capacete, joelhos na altura da orelha, fazendo barulho e chamando atenção em "motocicletas de bolso", como são conhecidas essas miniaturas de motos de corrida (ver quadro). Fabricado originalmente na Europa, principalmente na Itália, esse tipo de minimoto foi projetado para ser usado da mesma forma que seu original: em pistas de corrida, com pilotos de capacete e medidas de segurança. Nos Estados Unidos, porém, as motinhas viraram moda de verão entre a garotada, primeiro na Califórnia – a mãe de todas as modas – e, agora, no país inteiro. Embora não existam números precisos, um importador de São Francisco calcula que mais de 500.000 dessas minimotos entraram no país nos últimos doze meses. São comercializadas em lojas (de brinquedos, inclusive), nas esquinas e na internet – em um dia, cerca de 2.500 trocam de dono no eBay, o site de leilões.

O principal motivo para o sucesso atual das "motos de bolso" é a fúria copiadora dos chineses. Enquanto uma original, italiana, custa cerca de 1.000 dólares (3.000 reais), os modelos mais simples feitos na China não passam de 200 dólares (600 reais), e são eles que estão invadindo os Estados Unidos. Como não têm pisca-pisca, farol nem sequer número de identificação do motor, são vendidos como brinquedos para ser usados apenas no quintal das casas. Mas isso, claro, não tem graça nenhuma, e a garotada vai para a rua, para ver e ser vista – correndo, de preferência, a meio metro do chão, inclinando-se nas curvas. "Ficamos a centímetros de um desastre. É uma sensação fantasticamente precária", descreve Dan, 22 anos, de São Francisco. Quando a polícia vê, multa e apreende o veículo. Antes, no entanto, precisa parar o piloto, o que não é nada fácil. Montado em sua miniatura, ele entra por onde viaturas não passam. E, se encontra um obstáculo mais complicado – uma escada, por exemplo –, não tem dúvida: põe a moto embaixo do braço e sai caminhando.

 


 
 
 
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