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Trabalho
Fim da moleza
Desemprego em alta leva sindicatos
europeus a abrir mão da jornada reduzida
AFP
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AFP
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| Alemães em parque de Munique: um pouco
menos de tempo livre para o lazer |
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Foi bom enquanto durou: trabalhar menos pelo
mesmo salário, uma experiência européia para
combater o desemprego, está saindo de moda. A jornada reduzida
diminui a competitividade das empresas e tem pouco impacto na criação
de novos postos de trabalho. Há duas semanas, na França,
os funcionários de uma fábrica de componentes automotivos
da multinacional alemã Bosch assinaram um acordo com os patrões
para trabalhar mais do que as 35 horas semanais de lei, sem aumento
de salário. Na Alemanha, onde os funcionários das
indústrias metalúrgicas e eletroeletrônicas
têm uma jornada equivalente à dos franceses, a direção
da Siemens conseguiu recentemente um acordo com os trabalhadores
para que em uma de suas fábricas a carga horária voltasse
ao que era 25 anos atrás: quarenta horas de trabalho por
semana, sem aumento de salário. O sindicato teve de aceitar
essas condições para não colocar em risco o
emprego de seus associados. A empresa ameaçava fechar a fábrica
e transferir a operação para a Hungria, onde a mão-de-obra
é mais barata. Acordo semelhante foi acertado pela montadora
DaimlerChrysler. Outras cinqüenta companhias abriram negociações
com seus funcionários. O primeiro-ministro Gerhard Schröder
quer aumentar o expediente dos funcionários do governo de
38,5 para quarenta horas semanais. A empresa ferroviária
alemã propõe o mesmo.
Os sindicatos conquistaram a diminuição
da jornada de trabalho a partir da década de 80 com o argumento
de que ajudaria a combater o desemprego. O raciocínio era
básico: se um funcionário trabalha menos, abre espaço
à contratação de mais gente para manter o ritmo
da produção. Previsivelmente, ocorreu o oposto. Os
custos salariais tornaram-se altos demais, o que prejudicou a competitividade
e dificulta a contratação de mais funcionários.
Coreanos e chineses estão inundando o mercado europeu com
produtos mais baratos que os produzidos pelas empresas locais, que
gastam mais com o salário dos operários. No passado
isso era compensado com a alta produtividade dos europeus, que contribuiu
para o aumento das exportações e o crescimento da
economia vantagem que está se desmanchando no ar.
"Sindicatos e políticos estão
tendo de prestar atenção ao que os industriais alemães
dizem há anos: a redução da jornada de trabalho
fez mal à economia", disse a VEJA o economista Heinz Preusse,
professor da Universidade de Tübingen, na Alemanha. Costuma-se
dizer que os europeus construíram um sistema social em que
se trabalha para viver, e os americanos um sistema em que se vive
para trabalhar. Em troca do hiperdinamismo da economia americana,
vivem numa sociedade mais humana. Em ambos os casos, os modelos
acabam sofrendo reajustes quando se exagera demais a tendência
como começa a acontecer com a idílica semana
de 35 horas.
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