Edição 1865 . 4 de agosto de 2004

Índice
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Auto-retrato
Contexto
Veja essa
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Eleições
Eles estão subindo

Na maior rodada de pesquisas até agora,
petistas ganham notas acima da média


Otávio Cabral


Mauricio de Souza/Hoje em Dia/Folha Imagem
Monica Zarattini/AE
O petista Fernando Pimentel (à esq.), na capital mineira: apoio velado do governador tucano Marta Suplicy, em campanha: sua subida foi a melhor notícia para a cúpula do PT

Pela primeira vez desde que a eleição municipal de outubro passou a ser o tema principal das conversas políticas, o PT consegue respirar acima da linha-d'água. Na semana passada, com a divulgação de pesquisas realizadas em dez capitais, o partido saiu-se bem em quase todas elas. A grande exceção é o Rio de Janeiro, onde o candidato petista a prefeito, Jorge Bittar, patina no último lugar, com 3%. A melhor notícia para os petistas, porém, aconteceu em São Paulo, onde a prefeita Marta Suplicy saltou 7 pontos porcentuais, ficando apenas 1 ponto atrás do tucano José Serra, que caiu 6. Nas únicas três capitais em que há pesquisas anteriores, permitindo uma comparação de desempenho, o PT vem crescendo – e em todas elas o partido está na batalha pela reeleição. Afora São Paulo, os petistas subiram em Porto Alegre, com Raul Pont isolando-se em primeiro lugar com quase o dobro dos votos do segundo colocado, e no Recife, onde o prefeito João Paulo assumiu a liderança, com 34%. "O PT pode chegar ao segundo turno em até quinze capitais", comemora o presidente do partido, José Genoíno.

À primeira vista, o bom desempenho do PT pode parecer uma decorrência de sua preponderância na política nacional, pois o presidente da República é do partido. Analisando-se o caso mais de perto, porém, descobre-se que o fato de comandar o Palácio do Planalto é um dado menos decisivo do que a fartura do caixa eleitoral do partido. Graças ao fundo partidário e à contribuição dos filiados, muitos dos quais viraram funcionários do governo, estima-se que o diretório nacional do PT poderá despachar até 50 milhões de reais para ajudar seus candidatos a prefeito e vereador. É uma montanha de dinheiro, considerando que a conta não inclui os recursos que os diretórios estaduais e municipais podem despejar nas campanhas. "O PT é um partido capitalizado. Por isso, consegue contratar os melhores marqueteiros, fazer pesquisas eleitorais com bons institutos e ter materiais de divulgação de ótima qualidade, fatores que influenciam na campanha", afirma o cientista político Jairo Nicolau, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro.

No Palácio do Planalto, avalia-se que o presidente Lula, mesmo estando bem nas pesquisas de popularidade, não transferirá muitos votos aos candidatos petistas. É uma lição de 1996, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso, embora estivesse no auge da popularidade, não conseguiu que José Serra disputasse o segundo turno da eleição em São Paulo – que acabou vencida por Celso Pitta, então discípulo de Paulo Maluf. O publicitário Duda Mendonça, o marqueteiro-mor do PT, entende que o presidente Lula, se não ajuda os candidatos petistas estando com popularidade alta, pode prejudicá-los caso esteja em baixa. Lula já esteve mais popular que agora, mas o governo aposta que até as eleições o presidente voltará a ampliar sua aprovação, embalado pelos efeitos da recuperação da economia.

Os estrategistas eleitorais do PT, porém, têm tirado todo o proveito possível de ser governo federal com a formação de poderosas alianças. Explorando o receio que muitos prefeitos e governadores têm de enfrentar a máquina federal, os petistas vêm conseguindo a adesão da oposição. Há exemplos em quase todos os lugares. Em São Paulo, o governador tucano Geraldo Alckmin não diz uma palavra contra o governo federal, limitando sua crítica ao PT paulistano. No Rio de Janeiro, o prefeito Cesar Maia, do PFL, candidato à reeleição e líder nas pesquisas, derrete-se de amores pelo PT, tendo-se aliado aos petistas pela disputa das prefeituras de Niterói e Nova Iguaçu. Em Minas Gerais, o governador tucano Aécio Neves empenhou-se até em evitar que seu partido lançasse candidato a prefeito de Belo Horizonte, tudo para facilitar o caminho do petista Fernando Pimentel. Está dando resultado. Na semana passada, na primeira pesquisa do Ibope na capital mineira, Pimentel apareceu com 33% dos votos, apenas 2 pontos atrás do líder.




 
 
 
 
topovoltar