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Eleições
Eles estão subindo
Na maior rodada de pesquisas até agora,
petistas ganham notas acima da média

Otávio Cabral
Mauricio de Souza/Hoje em Dia/Folha Imagem
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Monica Zarattini/AE
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| O petista Fernando Pimentel (à esq.),
na capital mineira: apoio velado do governador tucano |
Marta Suplicy, em campanha: sua subida foi
a melhor notícia para a cúpula do PT |
Pela primeira vez desde que a eleição
municipal de outubro passou a ser o tema principal das conversas
políticas, o PT consegue respirar acima da linha-d'água.
Na semana passada, com a divulgação de pesquisas realizadas
em dez capitais, o partido saiu-se bem em quase todas elas. A grande
exceção é o Rio de Janeiro, onde o candidato
petista a prefeito, Jorge Bittar, patina no último lugar,
com 3%. A melhor notícia para os petistas, porém,
aconteceu em São Paulo, onde a prefeita Marta Suplicy saltou
7 pontos porcentuais, ficando apenas 1 ponto atrás do tucano
José Serra, que caiu 6. Nas únicas três capitais
em que há pesquisas anteriores, permitindo uma comparação
de desempenho, o PT vem crescendo e em todas elas o partido
está na batalha pela reeleição. Afora São
Paulo, os petistas subiram em Porto Alegre, com Raul Pont isolando-se
em primeiro lugar com quase o dobro dos votos do segundo colocado,
e no Recife, onde o prefeito João Paulo assumiu a liderança,
com 34%. "O PT pode chegar ao segundo turno em até quinze
capitais", comemora o presidente do partido, José Genoíno.
À primeira vista, o bom desempenho
do PT pode parecer uma decorrência de sua preponderância
na política nacional, pois o presidente da República
é do partido. Analisando-se o caso mais de perto, porém,
descobre-se que o fato de comandar o Palácio do Planalto
é um dado menos decisivo do que a fartura do caixa eleitoral
do partido. Graças ao fundo partidário e à
contribuição dos filiados, muitos dos quais viraram
funcionários do governo, estima-se que o diretório
nacional do PT poderá despachar até 50 milhões
de reais para ajudar seus candidatos a prefeito e vereador. É
uma montanha de dinheiro, considerando que a conta não inclui
os recursos que os diretórios estaduais e municipais podem
despejar nas campanhas. "O PT é um partido capitalizado.
Por isso, consegue contratar os melhores marqueteiros, fazer pesquisas
eleitorais com bons institutos e ter materiais de divulgação
de ótima qualidade, fatores que influenciam na campanha",
afirma o cientista político Jairo Nicolau, do Instituto Universitário
de Pesquisas do Rio de Janeiro.
No Palácio do Planalto, avalia-se que
o presidente Lula, mesmo estando bem nas pesquisas de popularidade,
não transferirá muitos votos aos candidatos petistas.
É uma lição de 1996, quando o então
presidente Fernando Henrique Cardoso, embora estivesse no auge da
popularidade, não conseguiu que José Serra disputasse
o segundo turno da eleição em São Paulo
que acabou vencida por Celso Pitta, então discípulo
de Paulo Maluf. O publicitário Duda Mendonça, o marqueteiro-mor
do PT, entende que o presidente Lula, se não ajuda os candidatos
petistas estando com popularidade alta, pode prejudicá-los
caso esteja em baixa. Lula já esteve mais popular que agora,
mas o governo aposta que até as eleições o
presidente voltará a ampliar sua aprovação,
embalado pelos efeitos da recuperação da economia.
Os estrategistas eleitorais do PT, porém,
têm tirado todo o proveito possível de ser governo
federal com a formação de poderosas alianças.
Explorando o receio que muitos prefeitos e governadores têm
de enfrentar a máquina federal, os petistas vêm conseguindo
a adesão da oposição. Há exemplos em
quase todos os lugares. Em São Paulo, o governador tucano
Geraldo Alckmin não diz uma palavra contra o governo federal,
limitando sua crítica ao PT paulistano. No Rio de Janeiro,
o prefeito Cesar Maia, do PFL, candidato à reeleição
e líder nas pesquisas, derrete-se de amores pelo PT, tendo-se
aliado aos petistas pela disputa das prefeituras de Niterói
e Nova Iguaçu. Em Minas Gerais, o governador tucano Aécio
Neves empenhou-se até em evitar que seu partido lançasse
candidato a prefeito de Belo Horizonte, tudo para facilitar o caminho
do petista Fernando Pimentel. Está dando resultado. Na semana
passada, na primeira pesquisa do Ibope na capital mineira, Pimentel
apareceu com 33% dos votos, apenas 2 pontos atrás do líder.
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