|
|
Diogo
Mainardi
Brasil, cúmplice
de um crime
"Lula
foi à África. De novo. Assinou acordos
para o plantio de mandioca com o ditador do
Gabão. Deveria ter aproveitado a viagem
para condenar o regime genocida do Sudão.
Preferiu falar sobre maracatu"
Sudão.
De um lado, os milicianos árabes ou "janjawid". Do outro,
a população negra da região de Darfur. Os milicianos
árabes querem tomar a terra dos negros. Já assassinaram
cerca de 30.000 pessoas. Incendiaram vilarejos. Praticaram estupros
em massa. Raptaram crianças. Envenenaram as fontes de água.
Um milhão de habitantes de Darfur foram obrigados a abandonar
suas casas. Dois milhões estão desnutridos. Cento
e cinqüenta mil se refugiaram no Chade. Trata-se da maior crise
humanitária da atualidade. Que lado o Brasil escolheu nessa
tragédia? O dos negros? Claro que não. O Brasil escolheu
ficar com o regime do Sudão e seus esquadrões da morte
árabes. Lula nos tornou cúmplices das atrocidades
cometidas em Darfur.
A questão
está sendo debatida no Conselho de Segurança da ONU.
Os Estados Unidos, desde o fim de junho, defendem a imposição
de sanções contra o regime ditatorial do Sudão,
que arma e protege os milicianos árabes de Darfur. França,
Inglaterra, Alemanha, Espanha e Chile apóiam a iniciativa.
O Brasil, não. Uniu-se à Argélia e ao Paquistão
para obstruir a proposta americana. O representante brasileiro na
ONU, Ronaldo Sardenberg, sugeriu dar mais tempo ao regime do Sudão.
A Anistia Internacional calcula que 1.000 pessoas morrem por semana
em Darfur. Dar mais tempo aos paramilitares sudaneses significa
permitir o assassinato de ainda mais gente. Como disse o jornal
Washington Post, o Brasil considera mais importante a soberania
do que a vida.
Os parlamentares
dos Estados Unidos, na última semana, definiram a situação
em Darfur como um genocídio. Pediram uma intervenção
urgente do governo americano, multilateral ou unilateral. Ou seja,
com ou sem a ONU. George W. Bush ameaçou abertamente os chefes
militares sudaneses, incitando-os a conter os "janjawid". O candidato
do Partido Democrata, John Kerry, foi ainda mais veemente. Discursando
na maior associação de negros do país, demandou
a punição imediata dos mandantes do genocídio.
O movimento negro americano pressionou os políticos a se
ocupar do genocídio de negros no Sudão. A ministra
de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro,
que representa o movimento negro brasileiro, optou por ignorar o
imobilismo criminoso de seus colegas de governo.
Lula foi
à África. De novo. Doou cinco ou seis computadores
à população de São Tomé e Príncipe
e assinou acordos para o plantio de mandioca com o ditador do Gabão,
Omar Bongo, conhecido por ser o líder estrangeiro com o maior
número de propriedades imobiliárias em Paris. O presidente
deveria ter aproveitado a viagem à África para condenar
o regime genocida do Sudão. Preferiu falar sobre maracatu.
A megalomania petista considera o Brasil importante o bastante para
merecer uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da
ONU. Neste ano, ocupamos uma cadeira rotativa. A primeira decisão
relevante de nosso mandato foi sobre as sanções ao
Sudão. Escolhemos o lado errado. Decidimos ser coniventes
com um crime. Ainda bem que daqui a um ano e meio tomam de volta
nossa cadeira rotativa.
|