Edição 1865 . 4 de agosto de 2004

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Brasil
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Economia e Negócios
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Artes e Espetáculos
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Auto-retrato
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Cartas

 
"Autoridades, não demorem muito. É preciso mudar esse monstrengo chamado sistema tributário brasileiro. A paciência já vai longe."
Ilvo Debus
Brasília, DF

 

Impostos

É revoltante saber que cerca de 65% da renda dos pagadores de impostos é comprometida em virtude do gigantismo do governo. Se é verdade que ganhamos essa última singela batalha acerca do aumento na contribuição previdenciária, é verdade também que temos perdido de lavada nos últimos anos. De forma silenciosa e constante, a mordida do governo aumenta e parece que só vai parar quando 100% da renda nacional for destinada para financiar o Estado. Mais que lutar para evitar o aumento de impostos, é preciso lutar para diminuí-los – e muito. Esse deve ser o verdadeiro debate. De uma vez por todas, é necessário acabar com o mito da "luta de classes" entre trabalhadores e empresários para focar a verdadeira luta, que é entre sociedade e Estado ("Sobra pouco dinheiro...", 28 de julho).
Carlos Gustavo Poggio Teixeira
São Paulo, SP

A carga tributária brasileira é sufocante e sua manutenção, inviável. Essa carga desloca grande parte da renda da população para os cofres do governo, inviabilizando a formação de poupança e inibindo os investimentos, o que resulta em pontos de estrangulamento para a economia. Acredito que os políticos e outras autoridades que elaboraram a arquitetura fiscal se basearam na teoria de Hawking, dado que o Leão atua como um buraco negro: absorve nossa renda e devolve apenas "radiação", sob a forma de esparsos benefícios. Assim como os buracos negros reais não são o caminho para um universo paralelo, buracos negros "fiscais" não são o caminho para o crescimento econômico.
Jilvan de Oliveira Pinto
Goiânia, GO

O contribuinte está farto de ver seus impostos ser utilizados para custear pequenas prefeituras e câmaras de vereadores totalmente inúteis, em municípios que não têm a mínima possibilidade de se manter financeiramente e que só foram criados para atender a interesses políticos da casta dominante. Esses "ralos" do dinheiro público devem ser tampados urgentemente, e o dinheiro economizado revertido em melhorias para os habitantes locais. Além disso, seriam reduzidos, com toda a certeza, o número de desvios de verbas e todo tipo de fraude ao Erário. É hora de dizer basta a esses "Odoricos Paraguaçus" e suas "Sucupiras".
Adriano Aparecido Bruno
Bauru, SP

Tenho uma pequena empresa de informática há oito anos, e nos dois últimos a "perseguição fiscal" ficou insuportável. Este mês é o último em que ela funciona. Não a estou fechando por dívidas, mas porque não agüento mais passar noites acordado, preocupado se alguém do governo vai criar alguma despesa nova. Além dos 40% de impostos, de vez em quando eles "inventam" um documento ou procedimento (obrigações acessórias) que a empresa tem de cumprir. Se alguma é esquecida, as multas são muito altas. Aqui serão oito empregos a menos.
Eduardo Brito
Teresina, PI

 

Bob Woodward

Interessante a análise do jornalista Bob Woodward (Amarelas, 28 de julho) quando diz que Bush tirou como lição do 11 de Setembro jamais hesitar. Por outro lado, John Kerry vem se esforçando para devolver aos Estados Unidos o cérebro que a Presidência perdeu após os atentados.
Kazuaki Ishizaki
Hikari, Japão

Essa entrevista ratificou o conceito já consolidado pela opinião pública em âmbito internacional sobre a gestão Bush: prepotente e autoritária. É notório que a guerra e a força bruta podem até oprimir, todavia não conquistam adesões. É aceitável Saddam Hussein como um perfeito símbolo para o mal, porém jamais George Walker Bush poderia ser considerado um representante ideal para o bem.
Hugo Lins Coelho
Recife, PE

 

Carta ao leitor

VEJA conseguiu sintetizar em menos de uma página todas as aflições e os desencantos que hoje nos atingem – nós, os cidadãos brasileiros, ordeiros e normais. Resta saber de onde surgirão as forças capazes de pôr termo a todo esse desvario ("Um asilo de idéias", Carta ao leitor, 28 de julho).
Luis Augusto G.C. de Barros Barreto
São Paulo, SP

As críticas severas ao socialismo radical e aos excessos do nacionalismo e do corporativismo são válidas. Mas faltaram as inerentes aos males do ultracapitalismo, que eleva aos píncaros a competição interpessoal e intergrupal, em detrimento da solidariedade e dos valores do trabalho. Houve esquecimento de que, se o "Estado Gigante" não nos interessa, por afrontar a liberdade que é sagrada, também se vê lesivo o "Estado Mínimo", "garantidor" de injustiças e afrontoso à dignidade do ser humano. Em todo esse magno assunto faz-se mister que se reflita sobre a máxima de Aristóteles de que a virtude está no meio.
Luiz Felipe da Silva Haddad
Niterói, RJ

 

Lya Luft

Fantástico saber que ainda existem pessoas nobres e que se preocupam com coisas que são de extrema importância e que poucos valorizam. Concordo plenamente quando Lya Luft diz que "falta alegria em nossas vidas" (Ponto de vista, 28 de julho). O mundo moderno está nos transformando em máquinas frias. Mas, apesar de todos os percalços, sempre há espaço e tempo para a alegria.
Teresa Cristina Américo
Brasília, DF

Tenho 51 anos e há oito me submeti a um transplante cardíaco muito bem-sucedido. Vivo uma vida nova e plena, feliz e em paz. Penso que nós, simplesmente por estarmos vivos e podermos acordar a cada manhã e lutar pelo pão, já somos vencedores. O resto é só um acréscimo àquilo que nós construímos para nossa vida.
Marcia Maluf
Por e-mail

O texto de Lya Luft foi escrito para mim, que, além das dificuldades com a doença de meu filho, venho enfrentando problemas com uma dolorosa cirurgia que ele precisou fazer. Suas palavras foram um bálsamo para os "tropeços" na minha fé e esperança.
Rosana Puga de Moraes Martinez
Campo Grande, MS

 

Claudio de Moura Castro

Parabéns a Claudio de Moura Castro, e a todos que pensam como ele, pela clareza de suas idéias sobre a educação ("O novo Mobral", Ponto de vista, 21 de julho). Os educadores de minha geração (62 anos) freqüentaram a escola numa época em que os professores eram autoridades conceituadas e respeitadas. Depois, trabalhamos educando brasileiros e vendo a escola e os professores perder paulatinamente a importância. A escola foi deixando de formar para só informar, e cada vez pior. Se o alerta do articulista foi válido em 1990 e está atualíssimo hoje, é sinal de que as bases e os conceitos do sistema educacional estão errados. Portanto, não adiantam os curativos, precisamos cicatrizar a ferida, mas com urgência, porque ela já se tornou um mal crônico, refletindo-se em toda a sociedade. Será que só os professores sentem isso ou as autoridades competentes é que não fazem caso?
Neusa B. Iplinsky
Por e-mail

 

Tales Alvarenga

Ainda existem pessoas que vão contra "verdades" impostas por gerações e gerações. Parabéns ao senhor Tales Alvarenga!
Josete Moura
Feira de Santana, BA

Brilhante o artigo de Tales Alvarenga. Para tentar "resgatar a auto-estima do brasileiro", o presidente da República poderia tornar verdadeira a promessa de campanha de criar 10 milhões de empregos.
José Teixeira Gomes Ferreira Júnior
Brasília, DF

 

Holofote

Fiquei feliz em saber que, com o aumento da arrecadação, o Ministério da Educação terá mais 2 bilhões de reais para investir no ensino superior, como deseja o presidente, tendo sido noticiado também que o ministro da Educação, Tarso Genro, planeja construir cinco universidades no interior, sendo uma na Bahia. Nada contra. Contudo, convém reservar uma parcela desses recursos para a manutenção das já existentes, como a Universidade Federal da Bahia, que abriga a centenária Faculdade de Direito, onde falta, segundo a atual direção, até verba para papel higiênico. Se isso não acontecer, há o risco de criar-se uma universidade no interior e extinguir-se, por inanição, a da capital ("Cinco novas universidades", Holofote, 28 de julho).
César de Faria Júnior
Professor assistente da Faculdade de Direito da UFBA
Salvador, BA

 

Brasília

O texto da matéria "Mansão sem lei" (28 de julho) faz referência à presença do ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Henrique Accioly Campos, na festa que motivou a reportagem. Na noite desse mesmo dia, entretanto, o ministro encontrava-se em companhia do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio da Alvorada. Eduardo Campos atendeu ao convite do presidente para uma sessão de cinema na residência presidencial em que foi exibido o filme Olga. Antes desse compromisso, Eduardo Campos cumpriu agenda em São Paulo, onde recebeu o Prêmio Renato Archer, oferecido pela Abimaq. Ao retornar a Brasília, manteve reuniões previamente assumidas em seu gabinete, no Ministério da Ciência e Tecnologia. Desse modo, o ministro não esteve presente ao evento realizado na residência do senador Valmir Amaral.
Vera Canfran
Coordenadora da Assessoria de Comunicação Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT)
Brasília, DF

 

Sociedade

Ao externar sentimentos de alta estima e consideração, aproveito para demonstrar a satisfação e o agradecimento do governo do Estado de Goiás pela propriedade do trabalho jornalístico de alerta, informação e conscientização dos brasileiros que porventura pensem em engrossar as fileiras do êxodo brasileiro ilegal para os Estados Unidos. Ressalte-se que a matéria "Sonho e morte no deserto" (28 de julho) não teve cunho sensacionalista e, certamente, serviu para aclarar e desmistificar a travessia via México, outrora vista com certo romantismo, hoje com apreensão e angústia.
Elie Chidiac
Chefe da Assessoria para Assuntos Internacionais
Secretaria do Planejamento e Desenvolvimento
Goiânia, GO

 

Diogo Mainardi

Em relação ao artigo "Perde, Brasil" (28 de julho), o Banco do Brasil presta os seguintes esclarecimentos: a) o Banco do Brasil não levará torcedores a Atenas. O BB tem investido no ciclo olímpico para expor sua marca e fazer negócios. Esse investimento no marketing esportivo permitiu ao Banco do Brasil rejuvenescer sua marca e sua clientela; b) no BB, os patrocínios, após parecer técnico, são aprovados no mínimo em três instâncias em sistema de gestão colegiada; c) a CUT é cliente do Banco do Brasil há mais de dez anos. Recentemente, assinou contrato com o BB para realizar operações de empréstimo consignado em folha de pagamento. Diversas instituições financeiras estão disputando esse segmento de mercado. Tal relacionamento não caracteriza oportunismo nem favorecimento político, como insinua o artigo; d) os 70.000 reais utilizados na compra dos ingressos para o show da dupla Zezé di Camargo e Luciano já retornaram ao Banco do Brasil, a pedido da promotora do evento, que admitiu não ter comunicado ao BB que os recursos seriam destinados ao PT.
Henrique Pizzolato
Diretor de marketing e comunicação do Banco do Brasil
Brasília, DF

 

Televisão

A apresentadora Eliana não deixou o público infantil, como apregoa a reportagem "Em busca do programa ideal" (28 de julho). O conteúdo de entretenimento educativo que recheava o Eliana na Fábrica Maluca deixou de ter uma apresentação puramente infantil e ganhou linguagem atraente também para os pré-adolescentes, no agora denominado Programa Eliana. Além de permanecer na mesma faixa de horário (das 15 horas às 17h30), a atração manteve seus quadros mais instrutivos e, não por mera coincidência, mais atrativos, como o do biólogo Sérgio Rangel e o Diário de Viagem. As constantes médias de 8 pontos de audiência e registros de até 12 pontos de pico mostram que Eliana continua agradando às crianças e já conquistou a meninada um pouco mais velha.
Cíntia Araium
Assessoria de comunicação da apresentadora Eliana
Por e-mail

 

 

A busca pela beleza

A reportagem de capa "Mudança radical" (14 de julho) motivou 76 leitores a elogiar, criticar, solicitar informações gerais e até dar algumas dicas a quem busca uma mudança no visual. O professor de educação física Alvaro Romano achou muito interessante a matéria e destacou em sua mensagem o método que desenvolveu há anos – a ginástica natural (www.ginasticanatural.com.br) – e pratica diariamente para obter condicionamento físico, saúde e qualidade de vida. "Existem no Brasil muitos exemplos de profissionais da área de saúde que, como eu, nunca utilizaram recursos como cirurgias, suplementos ou dietas milagrosas para obter corpo e mente saudáveis", informou Romano. De Piripá, na Bahia, a jovem de 15 anos Dayse Mary opinou: "Não acho que seja preciso tanto apelo ao bisturi para trazer beleza exterior à pessoa. Emagreci 15 quilos desde que comecei a me sentir bonita por dentro, me valorizei pelo que eu sou e parei de pensar no modelo de beleza". Para a leitora Denise Silva Costa, da capital mineira, não há segredo que permita conquistar a beleza: "A beleza é um dom, e poucos nascem com ele!".

 

Olimpíadas e terror

As entrevistas de Hacker (à esq.) e Sieber: comentários e previsões sobre os atentados de Munique, em 1972

DOS ARQUIVOS DE VEJA
Íntegra das entrevistas
Georg Sieber
Friedrick Hacker

Henrique Carlos Redorat, leitor da capital paulista, lembrou que, após os Jogos Olímpicos de 1972, "VEJA publicou entrevista com um psicólogo (não sei o nome dele) que deixou de ser contratado pela polícia de Munique porque suas propostas contra o terrorismo foram consideradas coisas de louco". Redorat, que se arrepende de não ter guardado o interessante material jornalístico, aproveitou a proximidade dos Jogos Olímpicos de 2004 para pedir a recuperação daquele material. A entrevista com o psicólogo especialista em terrorismo Georg Sieber, que previu o ataque à Vila Olímpica alemã, foi publicada por VEJA em complemento à reportagem "A Internacional Terrorista" (20 de setembro de 1972), sobre o massacre nas Olimpíadas de Munique e seus desdobramentos. Um mês antes, VEJA veiculara uma entrevista com outro psicólogo, o americano Friedrick Hacker (Amarelas, 9 de agosto de 1972), que explicava a violência e alguns atentados terroristas com base nas teorias de Freud.

 

 
 
 
 
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