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Edição 2063

4 de junho de 2008
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CINEMA

Divulgação
Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto: diretor e elenco em grande forma

Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto (Before the Devil Knows You’re Dead, Estados Unidos/Inglaterra, 2007. Estréia nesta sexta-feira no país) – O diretor Sidney Lumet, 83 anos, já deu grandes contribuições ao cinema americano, de Serpico a Um Dia de Cão e Príncipe da Cidade – e este novo filme não fica nada a dever aos seus melhores. Philip Seymour Hoffman e Ethan Hawke, ambos excelentes, são Andy e Hank, dois irmãos que atravessam dificuldades pessoais e financeiras. Andy tem uma sugestão para saná-las: que Hank assalte a pequena joalheria de seu pai (Albert Finney, também em um grande momento). Hank não tem coragem de fazer o serviço sozinho, e chama alguém que não deveria para acompanhá-lo. Claro que aquilo que começa mal há de ficar pior – e, depois, pior ainda. Dirigindo com vigor invejável (para qualquer idade), Lumet leva essa história para trás e para diante, expondo seus personagens com uma crueza e um conhecimento do mundo que, sozinhos, já bastariam para destacar esse pequeno trabalho de ourivesaria. Veja cenas.

 

DVD

The Riches – A Primeira Temporada (Estados Unidos, 2007. Fox) – Os Malloy pertencem a um segmento pouco conhecido: os ciganos de origem irlandesa, ou "viajantes", como eles se chamam, que vivem em parte de pequenos golpes e furtos. O patriarca Wayne, porém, quer algo diferente: sua porção do sonho americano. Assim, ele assume a identidade de um advogado morto num acidente e arrasta a mulher, Dahlia, e os três filhos para um condomínio de luxo na Louisiana, onde eles tentarão convencer não só aos vizinhos mas a si próprios de que são o que fingem ser. Os ingleses Eddie Izzard e Minnie Driver interpretam o casal Malloy com garra – e um ótimo sotaque sulista – nesta intrigante mistura de drama e sátira.

 

LIVROS

Dave Benett/Getty Images
Lebrecht: o jornalista mais temido do mundo erudito alfineta a indústria fonográfica

Maestros, Obras-Primas & Loucura, de Norman Lebrecht (tradução de Rafael Sando; Record; 350 páginas; 47 reais) – O inglês Norman Lebrecht é um dos jornalistas mais temidos do mundo erudito: defende seus pontos de vista sem se importar com o quilate, se grande ou pequeno, do criticado. Neste livro, ele revela como a indústria de discos de música erudita se perdeu e hoje está praticamente em extinção. Lebrecht traça o perfil de executivos lendários, como Goddard Lieberson, ex-Columbia, que convenceu o compositor russo Igor Stravinsky a gravar sua obra integral enquanto ainda era vivo. Os momentos mais deliciosos para o leitor são aqueles em que o jornalista relata as patetadas da indústria atual e lista as vinte piores gravações da história da música clássica.

O Livro das Emoções, de João Almino (Record; 256 páginas; 35 reais) – Com os romances Idéias para Onde Passar o Fim do Mundo, Samba-Enredo e As Cinco Estações do Amor, o diplomata e escritor João Almino havia produzido um acurado retrato ficcional da capital brasileira, no que ficou conhecido como Trilogia de Brasília. Agora, ela se amplia em um quarteto. O Livro das Emoções explora mais uma vez a cidade, com sua fracassada utopia modernista. O protagonista é um fotógrafo de 70 anos, já cego, que tenta organizar sua biografia a partir da memória das fotos que tirou para um diário íntimo. A narrativa vai se construindo como um quebra-cabeça ao redor das imagens que o personagem registrou. É uma visão existencialista – e muito original – de Brasília. Leia trecho.

 

DISCO

Red, Guillemots (Universal) – Liderado pelo vocalista (e pianista erudito nas horas vagas) Fyfe Dangerfield, o Guillemots despontou no showbiz internacional no ano passado com Through the Windowpane, um disco de pop com pretensões. Neste novo lançamento, o quarteto compõe canções repletas de fraseados de guitarra e baixo, além de arranjos de cordas que remetem aos musicais da Broadway. O excesso de referências, no entanto, não ofusca a qualidade do Guillemots, uma banda que sabe como poucas criar hits radiofônicos. As provas estão em Kriss Kross e Get Over, mais orientadas para o rock, e no funk Big Dog, que deve funcionar muito nas apresentações ao vivo.

 

Extrair de um personagem o que só ele pode contar (ou aquilo que ele deseja esconder) é um dos maiores desafios da prática jornalística. A Arte de Entrevistar Bem (Contexto; 112 páginas; 25,90 reais), da editora de VEJA Thaís Oyama, ensina os fundamentos e os macetes para retirar o máximo de um entrevistado. O livro destina-se, sobretudo, a jornalistas e estudantes de jornalismo – mas será lido com prazer por qualquer interessado na carpintaria do ofício. Thaís examina detalhes práticos como os caminhos certos para agendar uma entrevista, o uso do gravador e até a forma adequada de um repórter se vestir, de acordo com cada entrevistado. E também ensina como desarmar os entrevistados mais difíceis. Para tanto, recorre a casos vividos por alguns dos mais experientes jornalistas brasileiros – inclusive, é claro, ela mesma. Thaís narra, por exemplo, a delicada entrevista que fez com uma doente terminal de 16 anos – que, até então, ainda não falara da perspectiva da morte. Leia trecho.

 

 

 
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