Sex and the
Cityé como
uma bolsa da
coleção passada: devia ficar no armário
Isabela Boscov
Divulgação
Cynthia Nixon, Kristin Davis e
Sarah Jessica Parker: regressão ao amadorismo
Em sua primeira temporada,
de 1998, Sex and the City foi um estouro de audiência
e alçou a rede HBO ao posto de principal potência
criativa da televisão americana; no decorrer dos outros
cinco anos em que permaneceu no ar, consagrou-se como algo mais:
um evento da cultura pop, movido pela obsessão fashion,
pelo culto ao cosmopolitismo de Manhattan e pelo sexo
quase sempre por iniciativa feminina. É verdade que,
ao contrário de A Família Soprano, momento
maior de genialidade da HBO, Sex nunca foi uma unanimidade
(em parte porque aquelas quatro amigas ultraconsumistas, no
que toca tanto a sapatos quanto a homens, pareciam algo aterradoras
para o contingente heterossexual masculino). Já Sex
and the City O Filme(Sex and the City: The
Movie, Estados Unidos, 2008), desde sexta-feira em cartaz
no país, deve atingir o consenso: os diálogos
são pavorosos, o humor é vulgar e os clichês
se acumulam (incluem, a saber, uma noiva deixada no altar, um
sushi erótico e uma seqüência de trocas de
roupa). Elenco e equipe, trazidos na íntegra do seriado,
parecem ter regredido a um estado penoso de amadorismo. Espantosamente,
nem os figurinos são inspiradores. Sex and the City
O Filme é o equivalente a uma bolsa de várias
coleções passadas: nunca deveria ter saído
do fundo do armário.