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Perfil Sandra Corveloni
acaba de ganhar o mundo: com
Sandra chegou à vitória em Cannes pelo caminho mais breve que se pode percorrer, mas desembocou na profissão de atriz por meio de um trajeto longo e repleto de desvios curiosos. Filha de um agricultor e uma costureira que se mudaram para São Paulo quando ela tinha 5 anos, Sandra demorou para perceber que seu jeito expansivo e sua disposição para entrar em toda e qualquer atividade extra que a escola oferecesse, de corais a pecinhas, eram sintomas de que o palco seria o lugar certo para ela. Demorou não é maneira de dizer: ela estagiou na área têxtil do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, cursou engenharia química e trabalhou na indústria de tecidos antes de concluir que a agitação enorme que sua figura miudinha contém não cabia num laboratório. Pediu as contas, foi fazer um curso de teatro no Tuca, o teatro da Universidade Católica de São Paulo, e nunca mais mudou de idéia. Profissional desde o início dos anos 90, ela é uma das integrantes mais ativas do Grupo Tapa, no qual, além de atuar, dirige e dá aulas. Selecionada para Linha de Passe (que tem estréia prevista para o segundo semestre) por meio de testes, Sandra diz ter estranhado apenas a mudança de registro: tudo o que, no palco, tem de ser amplificado, a câmera pede que se reduza. "Às vezes eu dava alguma sugestão para a Fátima Toledo, que preparou o elenco, e ouvia um Está louca?. Mas, outras vezes, eles topavam a minha idéia", conta sobre a experiência de, sendo veterana, ver-se outra vez na condição de iniciante. "Só uma pessoa vinda do teatro independente, na contramão da cultura da celebridade, poderia ter-se entregue dessa forma a Cleuza", diz Salles. Pois Sandra acaba de sair da contramão: com a vitória em Cannes, ela agora está em pleno fluxo.
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