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Dinheiro Invejadas e imitadas,
as mulheres e filhas dos
Esse tipo de tirada, evidentemente, é para provocar risadas, da mesma forma que a capa do livro, na qual as duas autoras posam com metralhadora na mão. Oksana e Ksenia (25 anos, dois programas de televisão, linhagem política remontando ao falecido Anatoli Sobchak, que foi prefeito de São Petersburgo e mentor de Vladimir Putin) pretendem ensinar as jovens menos versadas nas artes sociais a se distinguir pela classe. Ou, pelo menos, pegar leve no figurino para não parecer uma sterva, palavra que poderia ser traduzida, cuidadosamente, como cachorra. Um dos conselhos da dupla: "Não use jeans com lantejoulas, barriga de fora, bronzeado artificial, estampa de oncinha, óculos escuros à noite e bota de salto alto em pleno verão. Esse é o uniforme de combate das prostitutas ucranianas". O simples fato de que exista preocupação em demonstrar refinamento já indica como evoluíram as oligarquetes as filhas ou esposas dos empreendedores monumentalmente ambiciosos nascidos nos tempos turbulentos do pós-comunismo, chamados oligarcas.
No topo da hierarquia das milionárias estão as mulheres na faixa dos 40 anos que já compraram tudo o que o dinheiro permite e hoje procuram um lugar no mundo mais rarefeito do prestígio. Sua passagem para ele costuma ser paga via patrocínio da cultura e das artes. Gastam fortunas em quadros e esculturas (só de arte russa, as vendas da Sothebys de Londres, a cidade mais freqüentada pela nova elite, já passaram de 500 milhões de reais por ano) e montam fundações para exibi-los. Stella Kesaeva, apelido Kay, casada com Igor Kesaev, o rei do tabaco (todo oligarca é rei de alguma ou várias coisas), é dona da Fundação Stella e de ambição social à altura de seus ofuscantes olhos azuis. Na última Bienal de Veneza, fez uma mostra de arte russa, convidou a modelo Naomi Campbell (contra pagamento, claro) e impressionou até os mais esnobes membros da casta internacional dos colecionadores. A maior concorrente de Kay pelo título de czarina das artes é Marianna Sardarova, mulher do rei do gás natural, dona da Fundação RuArts, em Moscou. Com a vantagem de ter os dois pés, calçados com sandálias de oncinha, em Nova York, onde mora com o marido, o financista Alexei Bullock, a loiríssima Janna Bullock nem vê mais diferença entre arte e negócios (ela compra, reforma e revende casas de alto luxo). "Arte, incorporação, construção são coisas que precisam andar juntas", filosofa. Também mora em Nova York, num apartamento de 25 milhões de reais, a ascendente Anna Anisimova, 22 anos, implantes tamanho GG. Ela é filha de Vassili Anisimov, outro oligarca com múltiplos endereços internacionais necessidade básica assim explicada, anonimamente, por um bom entendedor do gênero: "Se você está ganhando horrores e o presidente Putin de repente resolve confiscar seus bens, sempre é bom ter um lugar para se refugiar". Mesmo que Putin não ocupe mais a Presidência, não custa ser previdente. As jovens na faixa dos 20 anos constituem a nova geração de oligarquetes a primeira nascida sem nenhuma experiência dos tempos soviéticos nem noção do que é viver sem dinheiro. "Não vou baixar de padrão. Portanto, no meu círculo de amigos só tem gente rica", gaba-se Ksenia Sobchak. Foi ela quem apresentou Daria Zhukova, 26 anos, ao oligarca-mor Roman Abramovich, o 15º homem mais rico do mundo, dono do time de futebol inglês Chelsea, e deu no que deu: por ela, ele acabou um casamento de quinze anos. Dasha, como é conhecida (o guia dos milionários russos pode ser tão complicado quanto um romance de Tolstoi), tem tudo com que sonha uma aspirante a oligarquete. Mora em Londres, tem o próprio dinheiro (via pai, milionário do petróleo) e sua grife de roupas, é linda, magra, alta e chique, estuda homeopatia e, inevitavelmente, está abrindo uma galeria de arte em Moscou. Convidou para a inauguração a cantora Amy Winehouse, cachê estimado em 3,3 milhões de reais. Apesar de finíssima, Dasha não escapou a uma análise algo rude feita pela primeira mulher de Abramovich, Olga, que comparou a si mesma e a segunda esposa, Irina, com a jovem concorrente. "Irina e eu fomos criadas numa época em que as pessoas diziam: Não existe sexo na União Soviética. Dasha sabe muito bem que existe sexo", especulou Olga. A definição pode ter uma dose de ressentimento, mas ajuda a explicar os abalos telúricos causados pelas novas gerações de beldades russas.
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