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Polícia Apesar do cerco, Paulinho
crê na absolvição
O deputado do PDT Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, fez carreira à frente da Força Sindical servindo por baixo ao grande empresariado. Mudou de patrão no governo Lula, mas agora está prestes a perder o emprego. Suspeito de receber propina da quadrilha acusada pela Polícia Federal de vender facilidades no Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), Paulinho pode ser demitido por justa causa do cargo de presidente da Força, da direção do PDT, do mandato parlamentar, da vida pública. Na terça-feira passada, depois de analisar as provas recolhidas pela PF contra o sindicalista, o corregedor da Câmara, deputado Inocêncio Oliveira, recomendou ao Conselho de Ética a cassação de Paulinho. No dia seguinte, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, pediu ao Supremo Tribunal Federal abertura de inquérito para investigar o deputado. O sindicalista também passou a apanhar nos bastidores. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, presidente licenciado do PDT, articula para que o deputado saia do partido, enquanto seus aliados na Força trabalham para que ele renuncie ao mandato. Paulinho vai ter de usar toda a experiência que acumulou nos quase vinte anos de sindicalismo para manter a própria estabilidade no emprego. Na semana passada, VEJA apurou mais dois exemplos do tipo de trabalho que está empurrando Paulinho para o cadafalso político. Ambos aconteceram no Ministério do Trabalho, pasta dominada pelo PDT, que se transformou numa espécie de braço político da Força. Em 2007, Paulinho pressionou Lupi e Luiz Antonio de Medeiros, secretário de Relações de Trabalho da pasta, a conceder ilegalmente uma licença a um sindicato ligado à central. O sindicato das "Duas Rodas", como é conhecido dentro da Força, nasceu como uma dissidência do sindicato dos metalúrgicos de Manaus. Como a lei só permite um sindicato por região, o "Duas Rodas" rodava ilegalmente. Quando foi informado de que os técnicos da pasta não viam como dar um parecer favorável à licença desse sindicato, Paulinho estrilou: "Façam assim mesmo. Ninguém vai notar". Os prepostos do sindicalista no ministério acharam que alguém ia acabar notando e negaram o registro. Em outras ocasiões, Paulinho foi mais incisivo. Luiz Fernando Emediato, presidente do conselho deliberativo do FAT e consultor da Força, foi mais competente. Em novembro, ele propôs ao conselho uma resolução que devolvia às centrais sindicais a prerrogativa de receber dinheiro do governo para programas de qualificação profissional esse tipo de repasse fora cancelado em 2005, em razão de suspeitas de fraude nos convênios. A resolução patrocinada por Emediato e aprovada pelo Codefat beneficia diretamente a Força, que poderá voltar a receber dinheiro federal para o Centro de Solidariedade ao Trabalhador, sua principal vitrine. Na semana passada, descobriu-se que Emediato também recebe um extra do gabinete do deputado Paulinho. Ou seja, é o verdadeiro operário-padrão do sindicalismo de resultados: acumula a presidência do Codefat com a faina na Câmara, a função de empresário e as atividades como consultor da Força. Embora o vento político sopre contra Paulinho, o calendário eleitoral joga a seu favor. À medida que se aproxima a campanha municipal deste ano, aproxima-se também o fim dos trabalhos no Congresso. É a praxe em ano de eleição: os parlamentares abandonam os gabinetes e passam a se dedicar integralmente às articulações políticas regionais. Paulinho conta com essa diáspora para que os deputados do Conselho de Ética não tenham tempo de analisar seu processo na esperança de que o caso definhe na memória do público antes que o Congresso volte à ativa, no ano que vem. Mas o relógio não parece ser o único aliado do sindicalista. Na última quarta-feira à noite, o deputado correu ao gabinete de Lupi para convencê-lo de que seu mandato está a salvo. Paulinho assegurou ao ministro já ter conversado com o novo presidente do Conselho de Ética, deputado Sérgio Moraes, do PTB gaúcho. "Ele é meu", garantiu o sindicalista, antes de emendar: "E eu vou indicar o relator do processo". Não se sabe se Paulinho disse a verdade ou se o parlamentar vendeu uma influência que não tem. O fato é que as primeiras declarações do novo presidente do conselho favorecem a primeira versão. Moraes, um parlamentar com biografia suspeita, será obrigado a conciliar a lida no conselho com sua defesa em três inquéritos perante o STF. Ele já disse que vai demorar quinze dias para analisar o pedido de cassação de Paulinho. Depois de repetir o velho bordão de que não vai condenar ninguém sem provas, o deputado explicou didaticamente seu gelatinoso padrão moral: "Cachorro que não tem pulga ou teve ou vai ter. Quem não tem defeitos?". Paulinho, portanto, será julgado pela ética canina, mas a dos vira-latas. Pode ser sua salvação.
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