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Edição 2063

4 de junho de 2008
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Internacional
Cai o número 1 do terror

Depois da morte de "Tirofijo", seu fundador,
as Farc estão mais próximas do fim


Thomaz Favaro

Reuters
Manuel Marulanda, o Tirofijo
• Fundador e el supremo das Farc
• Morto por infarto em 26 de março

Por quatro décadas, a campanha terrorista que atormenta os colombianos teve um rosto – o de Manuel Marulanda. Esse era o nome de guerra de Pedro Antonio Marín, também conhecido pela alcunha de Tirofijo, fundador e chefe máximo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc. Na semana passada, foi confirmada sua morte, aparentemente por infarto, em 26 de março, aos 77 anos. O fim de El Supremo é uma boa notícia para a democracia colombiana, cuja destruição foi o objetivo da vida de Marulanda. Inicialmente uma organização comunista, as Farc sobreviveram ao fim da Guerra Fria graças à estratégia de mergulhar totalmente na vida criminosa, especializando-se em seqüestros, extorsão e narcotráfico. Resistirão à morte do fundador?

O desaparecimento do chefão coincide com o pior momento da história da organização terrorista. Outros dois figurões do secretariado, o núcleo dirigente de sete membros das Farc, foram mortos nos últimos dois meses. A pressão do Exército colombiano fez debandar várias colunas combatentes e confinou as remanescentes em grotões nas selvas. Com o moral baixo e deserções em massa, os narcoterroristas passaram a depender do financiamento e da proteção oferecidos por Hugo Chávez, presidente da Venezuela, e por seu clone, o equatoriano Rafael Correa. O venezuelano faz campanha para que a organização seja reconhecida internacionalmente como "força beligerante", uma forma de justificar os crimes cometidos pelo grupo e lhe dar status político, sob o pretexto de iniciar negociações de paz. A estratégia sofreu um baque quando os detalhes dessa aliança espúria se tornaram públicos com a divulgação de documentos encontrados no computador de Raúl Reyes, o segundo no comando, morto por um ataque aéreo em março. A partir dessa revelação, nenhum outro governo se atreveu a alinhar-se com a campanha chavista para salvar as Farc.

Scott Dalton/AP
Alfonso Cano, o substituto de Marulanda: talvez só lhe reste aceitar a rendição

As Farc querem negociar porque seu fim parece ser apenas uma questão de tempo. Com a vitória ao alcance da mão, o governo colombiano não tem motivo para ceder às exigências do terrorismo. Tentativas anteriores de negociar o desarmamento das Farc nunca deram em nada. Durante a administração de Andrés Pastrana, entre 1998 e 2002, o governo colombiano chegou a ceder aos terroristas, sem contrapartida, uma área desmilitarizada equivalente ao estado do Rio de Janeiro. As Farc usaram a região para conseguir novos recrutas e extorquir a população. As conversações foram interrompidas após uma seqüência de atentados e seqüestros feitos pela organização terrorista. A meta do governo Uribe é vencer militarmente as Farc. Essa é a solução desejada pela maioria dos colombianos: 96% da população se opõe aos narcoterroristas e 83% aprovam Uribe.

Há boatos de que o sucessor de Marulanda, Alfonso Cano, estaria disposto a iniciar conversações sérias. Não existe comprovação de que isso seja verdade. "Embora seja conhecido por sua habilidade política, Cano não deve mudar a maneira de atuar das Farc", disse a VEJA o cientista político Gerson Arias, da Fundação Idéias para a Paz, de Bogotá. O governo colombiano diz que negocia quando as Farc estiverem tão enfraquecidas que sejam incapazes de fazer qualquer exigência que ponha em risco, novamente, a segurança dos colombianos.

Raúl Reyes
• Segundo em comando
• Morto em ataque aéreo em 1º de março
Ivan Rios
• Tesoureiro das Farc
• Morto por um guarda-costas em 7 de março
(O guarda-costas recebeu a recompensa de 2,7 milhões de dólares oferecida pelo governo colombiano)
Nelly Ávila Moreno, a Karina
• Chefe de uma coluna terrorista
• Rendeu-se às forças da lei em 18 de maio
Negro Acácio
• Coordenador do narcotráfico
• Morto pelo Exército em setembro de 2007

Fotos Eliana Aponte/Reuters, Raul Arboleda/AFP, Reuters, AP



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