Depois da morte
de "Tirofijo", seu fundador, as Farc estão mais próximas
do fim
Thomaz
Favaro
Reuters
Manuel
Marulanda, o Tirofijo Fundador
e el supremo das Farc Morto por infarto em 26 de março
Por
quatro décadas, a campanha terrorista que atormenta os colombianos teve
um rosto o de Manuel Marulanda. Esse era o nome de guerra de Pedro Antonio
Marín, também conhecido pela alcunha de Tirofijo, fundador e chefe
máximo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia,
as Farc. Na semana passada, foi confirmada sua morte, aparentemente por infarto,
em 26 de março, aos 77 anos. O fim de El Supremo é uma boa notícia
para a democracia colombiana, cuja destruição foi o objetivo da
vida de Marulanda. Inicialmente uma organização comunista, as Farc
sobreviveram ao fim da Guerra Fria graças à estratégia de
mergulhar totalmente na vida criminosa, especializando-se em seqüestros,
extorsão e narcotráfico. Resistirão à morte do fundador?
O desaparecimento do chefão coincide
com o pior momento da história da organização terrorista.
Outros dois figurões do secretariado, o núcleo dirigente de sete
membros das Farc, foram mortos nos últimos dois meses. A pressão
do Exército colombiano fez debandar várias colunas combatentes e
confinou as remanescentes em grotões nas selvas. Com o moral baixo e deserções
em massa, os narcoterroristas passaram a depender do financiamento e da proteção
oferecidos por Hugo Chávez, presidente da Venezuela, e por seu clone, o
equatoriano Rafael Correa. O venezuelano faz campanha para que a organização
seja reconhecida internacionalmente como "força beligerante",
uma forma de justificar os crimes cometidos pelo grupo e lhe dar status político,
sob o pretexto de iniciar negociações de paz. A estratégia
sofreu um baque quando os detalhes dessa aliança espúria se tornaram
públicos com a divulgação de documentos encontrados no computador
de Raúl Reyes, o segundo no comando, morto por um ataque aéreo em
março. A partir dessa revelação, nenhum outro governo se
atreveu a alinhar-se com a campanha chavista para salvar as Farc.
Scott
Dalton/AP
Alfonso
Cano, o substituto de Marulanda: talvez só lhe reste aceitar a rendição
As
Farc querem negociar porque seu fim parece ser apenas uma questão de tempo.
Com a vitória ao alcance da mão, o governo colombiano não
tem motivo para ceder às exigências do terrorismo. Tentativas anteriores
de negociar o desarmamento das Farc nunca deram em nada. Durante a administração
de Andrés Pastrana, entre 1998 e 2002, o governo colombiano chegou a ceder
aos terroristas, sem contrapartida, uma área desmilitarizada equivalente
ao estado do Rio de Janeiro. As Farc usaram a região para conseguir novos
recrutas e extorquir a população. As conversações
foram interrompidas após uma seqüência de atentados e seqüestros
feitos pela organização terrorista. A meta do governo Uribe é
vencer militarmente as Farc. Essa é a solução desejada pela
maioria dos colombianos: 96% da população se opõe aos narcoterroristas
e 83% aprovam Uribe.
Há boatos
de que o sucessor de Marulanda, Alfonso Cano, estaria disposto a iniciar conversações
sérias. Não existe comprovação de que isso seja verdade.
"Embora seja conhecido por sua habilidade política, Cano não
deve mudar a maneira de atuar das Farc", disse a VEJA o cientista político
Gerson Arias, da Fundação Idéias para a Paz, de Bogotá.
O governo colombiano diz que negocia quando as Farc estiverem tão enfraquecidas
que sejam incapazes de fazer qualquer exigência que ponha em risco, novamente,
a segurança dos colombianos.
Raúl
Reyes Segundo em comando
Morto em ataque aéreo em 1º de março
Ivan
Rios Tesoureiro das Farc
Morto por um guarda-costas em 7 de março (O guarda-costas recebeu a
recompensa de 2,7 milhões de dólares oferecida pelo governo colombiano)
Nelly
Ávila Moreno, a Karina
Chefe de uma coluna terrorista Rendeu-se às forças da
lei em 18 de maio
Negro
Acácio Coordenador
do narcotráfico Morto pelo Exército em setembro de 2007
Fotos
Eliana Aponte/Reuters, Raul Arboleda/AFP, Reuters, AP