Mas o que este
país precisa mesmo é de alguém que
apague a luz no fim do túnel.
ORELHINHAS E ORELHUDOS
Repito de Veja,
28 de maio: Silva Mello, respeitável médico
e admirável pesquisador, escreveu em 1973: "Uma
particularidade que nos tem surpreendido é dos negros
possuírem, freqüentemente, orelhas pequenas e admiravelmente
bem conformadas, jamais tão grandes e feias como as dos
brancos".
Bem, como disse, fui
às pesquisas para verificar se Silva Mello (Darwin também
andou nessa) estava certo quanto à superioridade estética
das orelhas dos negros. Escolhi (como cientista que sou, reconhecido
internacionalmente) comparar as personalidades por profissão,
por contemporaneidade, por importância. Cientista não
se perde em divagações. Eis o resultado.
À esquerda os brancos
(orelhas grandes)
À direita os negros
(orelhas pequenas)
I
Marcos Palmeira, consagrado ator
global.
Lázaro Ramos, ator global
em vertiginosa ascensão.
II
Abraão Lincoln, presidente
americano, morto por defender a unidade da nação
americana.
Martin Luther King, líder
social americano, morto quando defendia a integração
racial.
III
Luiz Inácio Lula da Silva,
presidente da República dos Estados do Brasil que
alguns chamam Brasil dos Estados Unidos.
Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente
da mesma escola de samba. Na verdade as orelhas de Fernando
Henrique não são muito pequenas pelos nossos
padrões de pesquisa. Porque Fernando Henrique
Cardoso não é totalmente negro. Apenas
tem um pé na cozinha.
IV
Ricardo Eugênio Boechat, comentarista
portenho da antiga tevê Bandeirantes.
Heraldo Pereira, comentarista
substituto do JN, da Globo.
V
Gana X Camarões (jogo
em 7 de fevereiro de 2008). Não precisa comparar
com brancos. Os vinte e dois jogadores em campo, todos
mostravam orelhas pequenas e redondinhas.
Gana X Brasil, futebol feminino
(jogo em 20 de abril de 2008). Elas, ganenses, todas de
orelhas bem pequenas. As brasileiras são mais miscigenadas,
com orelhas grandes e pequenas.
VI
Kaká, jogador paulista,
caucasiano típico, polêmico por seu puritanismo
ostensivo.
Robinho, jogador paulista, polêmico
pela maneira como usa seu talento pedestre pedalando.
VII
Dom Euzébio Scheid, arcebispo
de vocês.
Robson Cristo de Oliveira, padre
negro que precede o dom na missa dos domingos de manhã
na Globo.
VIII
McAvoy, ator branco que, no filme-biografia
de Idi Amin Dada, faz o médico-cirurgião
escocês.
Idi Amin Dada, o excelente ator
Forest Whitaker, representando o ditador, na mesma
biografia The Last King of Scotland.
IX
Blair, ex-primeiro-ministro inglês,
sócio de Bush na hora errada.
Obama, sucessor de Bush, se o
pessoal de orelha grande permitir.
X
Millôr, o maior intelequitual
do Meyer, de 13 de dezembro de 1965 a 8 de janeiro de
1966.
Pelé, o maior atleta de
todos os tempos, de todos os esportes, de todos os lugares,
compositor, cantor popular e campeão de cuspe em
distância.
P.S.: Um UF!
final. Ainda bem que minha pesquisa conseguiu se enquadrar
no politicamente correto (ou politicamente fascista, como querem
outros). Imaginem se eu concluísse que as orelhas negras
eram maiores e mais feias do que as dos brancos... No mínimo
seria expulso da reitoria da Universidade do Meyer.
ORELHÃO
Invenção democrática brasileira,
que acaba definitivamente com todas as diferenças orelhais
entre pretos e brancos, homens e mulheres.