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Edição 2063

4 de junho de 2008
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Cartas

"Ou vamos a jato para o Primeiro Mundo,
ou nunca passaremos de mosquitos
ofuscados pela luz do progresso alheio."

Marcelo Amoy
Por e-mail

O Brasil do presente

Parabéns pela excelente reportagem "Com que asas o país vai voar?" (28 de maio). O que emperra o Brasil no cenário do Terceiro Mundo é a impunidade generalizada, que conta com o desleixo dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A corrupção e a incompetência na gestão dos recursos públicos impedem investimentos estruturais em educação, saúde, transportes, segurança, cultura e esportes. O Brasil tem tudo para ser um país próspero, com oportunidades de trabalho e geração de renda para todos os cidadãos. Basta a sociedade, organizada, exigir o cumprimento das leis, com rigor e justiça. Vamos construir um Brasil de Primeiro Mundo, com seriedade e ética.
Gustavo Gomes de Matos
Rio de Janeiro, RJ

O Brasil só voará quando o governo federal providenciar a universalização de energia, saneamento e água tratada para todos os brasileiros, a interligação de todas as regiões do país com rodovias, ferrovias, hidrovias. É absolutamente certo que, enquanto no Brasil os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário se abrigarem em palácios e as escolas públicas em casebres, seremos um país de Terceiro Mundo. O ensino público deve abranger da creche à escola profissionalizante.
Maria Elisa Salles
Por e-mail

Finalmente uma visão otimista do Brasil. Metade no Primeiro Mundo, com indústrias de ponta, agricultura fantástica e um povo empreendedor. A outra metade com vícios arcaicos no setor público, impostos exorbitantes e muita corrupção.
Cláudio Froes Pena
Porto Alegre, RS

De um lado, um país que possui reserva em dólares, motor biocombustível e um exemplo de democracia. De outro, uma nação que traz em seus jornais, quase todos os dias, assuntos relacionados a "dólares em cuecas", desmatamento excessivo e cuja impunidade é alta. Melhoria na educação e transparência política são fatores determinantes para que o Brasil, que acaba de receber o grau de investimento, possa ser realmente um país de tirar o chapéu.
Giovanna Santi Freitas
Sete Lagoas, MG

De um lado são os impostos burros, a burocracia paralisante, a imprensa chapa-branca, as doenças epidêmicas, o transporte caótico, a saúde periclitante, a ausência de segurança, economia doente (juros estratosféricos), entre outros. Nas atividades privadas temos um povo empreendedor, com exportações em alta, produção de etanol, imprensa independente, eficiência dos bancos, biotecnologia, empresas de seguro-saúde, internet, telefones celulares etc. É a democracia contra o socialismo!
José Erlichman
São Paulo, SP

Excelente a reportagem. As deficiências e fragilidades do nosso sistema privado de saúde abrem cada vez mais espaço para empresas estrangeiras de saúde de alto padrão, com produtos excelentes, coberturas e custos imbatíveis.
Alfenus Ávila
São Paulo, SP

 

Falta de comida no mundo

"Vai ter para todo mundo?" (28 de maio) é a melhor, mais profunda e mais correta reportagem que li sobre o tema em quase meio século estudando, trabalhando e escrevendo sobre o assunto em minha condição de médico veterinário e jornalista. Parabéns.
Luiz Octavio Pires Leal
Rio de Janeiro, RJ

A reportagem sobre o aumento do preço dos alimentos foi maravilhosa e fundamental, pois não abordou somente a alta dos preços e a escassez da comida, mas também o aspecto social da questão. Os dados da matéria são assustadores. É difícil entender que, enquanto milhões de crianças morrem de fome no mundo, a grande massa da população desperdiça comida que daria para alimentar outros tantos milhões de pessoas.
Fernanda Manzi Motta
Uberaba, MG

Cumprimento VEJA pela excelente reportagem sobre os prognósticos do sofrimento pela falta de comida. A cada cinco segundos morre uma criança de causas relacionadas à fome. A origem dessa calamidade é a irresponsabilidade paterna e materna. Cada cidadão deve preparar-se para o projeto mais importante da vida, que é a geração de um novo ser humano. O estado só pode distribuir comida gratuita em situações de emergência. Ele não pode dar comida como esmola, diminuindo o homem como cidadão e ser humano, tolhendo-lhe o espaço para utilizar sua iniciativa, soltar sua criatividade e expandir seus talentos. Por outro lado, os governantes têm o dever de alertar e orientar os futuros pais para que, antes de pôr um filho no mundo, se preparem economicamente. É um absurdo adolescentes e adultos, sem planejamento nem segurança material, gerarem filhos e aumentarem a favelização.
Egon Nort
Presidente honorário do Instituto de População e Desenvolvimento
Florianópolis, SC

É preciso que se pense urgentemente em um efetivo meio de frear o crescimento populacional no mundo, com rígido controle da natalidade. Gravidez irresponsável aos milhares, como no Brasil, nem pensar. É necessário ter consciência de que os recursos naturais são escassos e de que, sem o controle populacional, as dificuldades de sobrevivência das novas gerações serão maiores.
Sebastião Ferreira da Silva
Belo Horizonte, MG

 

Selvageria de índios no Pará

Extraordinária a reportagem "Um golpe de insensatez" (28 de maio), sobre o que ocorreu com o engenheiro Paulo Fernando Rezende, da Eletrobrás – espancado e ferido após dar explicações sobre o projeto da construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu. A armação terminou em um crime executado por índios, mas tramado e incentivado por ambientalistas brancos selvagens. Toda a estrutura foi montada a fim de esconder na conduta dos índios a verdadeira intenção desses ambientalistas. Um verdadeiro golpe de insensatez, pois o consumo de energia no Brasil cresce à razão de 5,5% ao ano. Então, produzir mais energia é uma questão fundamental. Isso só nos mostra a falta de compreensão das pessoas, que se esquecem de que um país sem energia terá toda a sua estrutura completamente abalada.
Maiara Nunes da Rosa
São Joaquim, SC

Durante oito anos, no fim da década de 70 e início da década de 80, convivi como vizinho dos caiapós da aldeia Gorotire. Em todo esse período houve uma convivência de respeito e amizade, sem nenhum atrito. A amizade com os caciques Kanhoc, Totoí e Zé Uté foi mantida com base no respeito mútuo e no diálogo. Todas as vezes que os índios chegavam à fazenda Rio Dourado, onde eu era gerente-geral, seu responsável me procurava e imediatamente entregava as armas de caça que conduziam. Tenho certeza de que os atritos atuais estão existindo muito mais por influência externa que por vontade própria. Algumas divergências ocorridas na época foram solucionadas com conversas, e todas sem nenhuma agressão.
Paulo Pedroza Magalhães Alves
Natal, RN

Na década de 50, minha família praticamente foi "expulsa" do Rio Grande do Sul e "solta" no norte de Mato Grosso para integrar a Amazônia com o restante do Brasil (governo de Getúlio Vargas – A rota para o Oeste). Hoje, somos considerados invasores nesta região (Alta Floresta).
Cleber dos Santos
Alta Floresta, MT

A energia elétrica tem trazido grande progresso. Mas, como todas as coisas, ela também trouxe conseqüências ambientais. No caso de hidrelétricas, as maiores prejudicadas são as matas ciliares em volta dos rios e toda a fauna e flora que essa mata abriga e sustenta. Sociologicamente falando, a implantação da hidrelétrica viola os direitos primários e fundamentais dos índios. O debate, portanto, é a melhor opção para obtermos uma solução de desenvolvimento sustentável. O que deveríamos fazer não é aumentar a tensão já existente, mas buscar soluções que sejam satisfatórias para ambos os lados. Para isso, o diálogo franco é necessário. Não uma intimidação de confronto nem uma atitude de passividade.
Tise Suzuki
São Paulo, SP

 

Jefferson Péres

Caso ocorresse uma epidemia que matasse políticos com amnésia, corruptos, antiéticos, mentirosos, imorais, barganheiros, faltariam, com certeza, matéria-prima e mão-de-obra para a confecção de caixões. Com todo esse déficit de políticos honrados, perdemos, sem dúvida, um dos mais éticos e morais: Jefferson Péres ("Pequeno grande homem", Memória, 28 de maio). Uma das raras esperanças dignas que tínhamos para um Brasil melhor.
Adoniro Prieto Mathias
Londrina, PR

Para redigir a oração fúnebre ao senador Jefferson Péres, nada será mais tedioso que ter de mencionar, no renque dos seus contemporâneos, nomes de conhecidos peculatários, de gatunos orçamentários reincidentes e de traficantes de influência, tais como Jader Barbalho e Renan Calheiros, de cujos processos no Conselho de Ética foi relator o corretíssimo parlamentar amazonense, que faleceu mas deixou sua biografia como exemplo a ser imitado.
José Gilvandro Raposo da Câmara
Manaus, AM

 

Dor de cabeça

Justamente na semana em que a Academia Brasileira de Neurologia promovia o Dia Nacional da Cefaléia (19 de maio), é extremamente gratificante verificar a preocupação de VEJA com o uso abusivo de analgésicos e com a automedicação, que coincidentemente eram o foco principal da nossa campanha. Parabéns pela excelente reportagem ("Brasil, país da dor de cabeça", 28 de maio)!
Célia Roesler
Coordenadora do departamento científico de cefaléia da Academia Brasileira de Neurologia
São Paulo, SP

 

Lya Luft

Sou radicalmente contra a pena de morte, mas concordo com Lya Luft que às vezes dá vontade de matar mesmo ("A pena de morte", Ponto de vista, 28 de maio). Sei que a pena de morte pode ocasionar injustiças e isso é imperdoável, uma vez que não há como reparar o engano depois da morte do condenado. Mas a prisão perpétua seria uma alternativa, já que as injustiças poderiam, em tese, ser revistas a tempo. No Brasil, entretanto, a prisão perpétua representaria mais um problema, pois não temos presídios suficientes para todos os nossos condenados. Sempre me perguntei por que não se constroem mais presídios, escolas e hospitais no Brasil.
Graciene A. Carvalho
Belo Horizonte, MG
Ministério do Trabalho e o PDT

Sobre a reportagem "Sindicato pedetista" (28 de maio), o processo de seleção do ICP seguiu o que preceitua o Termo de Referência dos Consórcios Sociais da Juventude, ou seja, em audiência pública, realizada com a presença de mais de 100 representantes de entidades da sociedade civil. O ICP foi indicado pelo MTE e validado pelos presentes na audiência como entidade-âncora do Consórcio Social da Juventude para celebrar convênio com o MTE. Só fui nomeado secretário no dia 11 de fevereiro deste ano. Tomei posse no dia 18. Sem prerrogativas legais, à época, sequer para opinar no processo. VEJA erra quando afirma que sou sindicalista da Força Sindical. Poderia ser, mas nunca fui. Sou funcionário concursado da Câmara dos Deputados e ex-presidente do Sindilegis. É igualmente inverídico que "descolei uma boquinha" no Ministério do Trabalho. Convidado para integrar a equipe do ministro Lupi, aceitei. Por causa disso, tive de me licenciar da Câmara e meu salário foi reduzido em 20%.
Ezequiel Nascimento
Secretário de Políticas Públicas de Emprego do Ministério do Trabalho e Emprego
Brasília, DF

 

Educação no exterior

Gostaríamos de cumprimentar VEJA pela excelente matéria que mostrou aos estudantes brasileiros como aumentar sua chance de fazer graduação nas melhores universidades dos Estados Unidos ("Harvard ficou mais perto", Guia, 21 de maio). Gostaríamos de lembrar aos leitores que o programa Oportunidades Acadêmicas, mencionado na reportagem, também é oferecido para mestrado e doutorado. Em todo o Brasil, os escritórios EducationUSA, que dão acesso ao programa, representam fonte de informações oficial sobre estudos nos Estados Unidos. Vale lembrar que a Comissão Fulbright (www.fulbright.org.br) também oferece bolsas de estudos para programas específicos no país.
David Hodge
Adido cultural da Embaixada dos Estados Unidos da América
Brasília, DF

 

Livros

Na reportagem "A última fronteira de auto-ajuda" (28 de maio) é dito que o ator James Dean teria deixado um slogan memorável: "Viva rápido, morra jovem, deixe um belo cadáver". Na realidade, essa frase foi dita pelo ator John Derek, no filme de 1949 Knock at Any Door, baseado no livro de William Motely, publicado em 1947.
Ilza Contardi
Por e-mail

 

Especial VEJA Mulher

As publicações a respeito do papel feminino volta e meia caem em estereótipos e trazem valores antigos que precisam ser repensados. Tenho torcido muito para que as revistas comecem a reavaliar o papel feminino. Principalmente trazendo as diversas formas de ser mulher, sem culpas, sem medos. VEJA fez isso com mestria. Fiquei um pouco triste com a história dos filhos tardios, mas é bom dizer que até nisso há a possibilidade de escolha.
Maria Carolina Rodrigues Tomé
Uberlândia, MG

Gostaria de dizer quanto está encantadora a edição especial dedicada às mulheres. Para mim, que sou uma jovem mulher, recém-graduada, e estou entrando no mercado de trabalho, é extremamente salutar e motivador conhecer algumas das muitas mulheres que conseguiram sucesso pessoal e profissional.
Paula Evelline Silva Ferreira
Aquidauana, MS

 

Correções: na reportagem "Feminina e poderosa" (VEJA Especial Mulher), onde se lê: "A mais famosa capa de chuva de todos os tempos, feita de gabardine e à prova de vento, foi criada em 1890 pelo inglês Thomas Burberry para ser usada pelos soldados na I Guerra Mundial", leia-se: "A famosa capa de chuva de Thomas Burberry, criada no fim do século XIX, foi adaptada para ser usada por soldados britânicos nas trincheiras da I Guerra Mundial (1914-1918)".
A cidade cuja prefeitura o vice-presidente de governo do Banco do Brasil, Maguito Vilela, deve disputar é Aparecida de Goiânia, e não Aparecida de Goiás, como foi publicado ("Vagou uma salona no BB", Holofote, 28 de maio).
Os sites seguros vêm encabeçados por "https", e não por "http", como foi informado no item Medidas de segurança, da reportagem "Internet mais segura" (Guia, 28 de maio).
O crédito da foto (ao lado) publicada na capa de VEJA Especial Mulher (maio) é: Alisa Connan/Camera Press/Other Images.

 

 

O Deus de Einstein

A seção Veja essa (21 de maio) publicou frase retirada da correspondência de Albert Einstein ao filósofo Eric Gutkind, de 1954, em que o cientista alemão, pai da teoria da relatividade, dizia que a "palavra Deus" nada mais era que "produto das fraquezas humanas". Fé e ciência parecem ser como água e óleo, não se misturam. Mas o próprio Einstein, segundo lembra o leitor Odares Cavalcanti, misturou as duas coisas de uma forma até poética.

Odares escreveu à redação para contrapor o que Einstein disse em particular, em carta ao amigo, àquilo que ele disse publicamente, a respeito do assunto: "A opinião comum de que sou ateu repousa sobre grave erro. Quem pretende deduzir isso de minhas teorias científicas não as entendeu... A experiência cósmica religiosa é a mais forte e a mais nobre fonte de pesquisa científica. Minha religião consiste na humilde admiração do espírito superior e ilimitado que se revela nos menores detalhes que podemos perceber em nossos espíritos frágeis e incertos. Essa convicção profundamente emocional na presença de um poder racionalmente superior, que se revela no incompreensível universo, é a idéia que faço de Deus" (Como Vejo o Mundo – Ed. Nova Fronteira).



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