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Cartas
O Brasil do presente Parabéns
pela excelente reportagem "Com que asas o país vai voar?" (28
de maio). O que emperra o Brasil no cenário do Terceiro Mundo é
a impunidade generalizada, que conta com o desleixo dos poderes Executivo, Legislativo
e Judiciário. A corrupção e a incompetência na gestão
dos recursos públicos impedem investimentos estruturais em educação,
saúde, transportes, segurança, cultura e esportes. O Brasil tem
tudo para ser um país próspero, com oportunidades de trabalho e
geração de renda para todos os cidadãos. Basta a sociedade,
organizada, exigir o cumprimento das leis, com rigor e justiça. Vamos construir
um Brasil de Primeiro Mundo, com seriedade e ética. O
Brasil só voará quando o governo federal providenciar a universalização
de energia, saneamento e água tratada para todos os brasileiros, a interligação
de todas as regiões do país com rodovias, ferrovias, hidrovias.
É absolutamente certo que, enquanto no Brasil os poderes Executivo, Legislativo
e Judiciário se abrigarem em palácios e as escolas públicas
em casebres, seremos um país de Terceiro Mundo. O ensino público
deve abranger da creche à escola profissionalizante. Finalmente
uma visão otimista do Brasil. Metade no Primeiro Mundo, com indústrias
de ponta, agricultura fantástica e um povo empreendedor. A outra metade
com vícios arcaicos no setor público, impostos exorbitantes e muita
corrupção. De
um lado, um país que possui reserva em dólares, motor biocombustível
e um exemplo de democracia. De outro, uma nação que traz em seus
jornais, quase todos os dias, assuntos relacionados a "dólares em
cuecas", desmatamento excessivo e cuja impunidade é alta. Melhoria
na educação e transparência política são fatores
determinantes para que o Brasil, que acaba de receber o grau de investimento,
possa ser realmente um país de tirar o chapéu. De
um lado são os impostos burros, a burocracia paralisante, a imprensa chapa-branca,
as doenças epidêmicas, o transporte caótico, a saúde
periclitante, a ausência de segurança, economia doente (juros estratosféricos),
entre outros. Nas atividades privadas temos um povo empreendedor, com exportações
em alta, produção de etanol, imprensa independente, eficiência
dos bancos, biotecnologia, empresas de seguro-saúde, internet, telefones
celulares etc. É a democracia contra o socialismo! Excelente
a reportagem. As deficiências e fragilidades do nosso sistema privado de
saúde abrem cada vez mais espaço para empresas estrangeiras de saúde
de alto padrão, com produtos excelentes, coberturas e custos imbatíveis.
Falta de comida no mundo "Vai
ter para todo mundo?" (28 de maio) é a melhor, mais profunda e mais
correta reportagem que li sobre o tema em quase meio século estudando,
trabalhando e escrevendo sobre o assunto em minha condição de médico
veterinário e jornalista. Parabéns. A
reportagem sobre o aumento do preço dos alimentos foi maravilhosa e fundamental,
pois não abordou somente a alta dos preços e a escassez da comida,
mas também o aspecto social da questão. Os dados da matéria
são assustadores. É difícil entender que, enquanto milhões
de crianças morrem de fome no mundo, a grande massa da população
desperdiça comida que daria para alimentar outros tantos milhões
de pessoas. Cumprimento
VEJA pela excelente reportagem sobre os prognósticos do sofrimento pela
falta de comida. A cada cinco segundos morre uma criança de causas relacionadas
à fome. A origem dessa calamidade é a irresponsabilidade paterna
e materna. Cada cidadão deve preparar-se para o projeto mais importante
da vida, que é a geração de um novo ser humano. O estado
só pode distribuir comida gratuita em situações de emergência.
Ele não pode dar comida como esmola, diminuindo o homem como cidadão
e ser humano, tolhendo-lhe o espaço para utilizar sua iniciativa, soltar
sua criatividade e expandir seus talentos. Por outro lado, os governantes têm
o dever de alertar e orientar os futuros pais para que, antes de pôr um
filho no mundo, se preparem economicamente. É um absurdo adolescentes e
adultos, sem planejamento nem segurança material, gerarem filhos e aumentarem
a favelização. É preciso que
se pense urgentemente em um efetivo meio de frear o crescimento populacional no
mundo, com rígido controle da natalidade. Gravidez irresponsável
aos milhares, como no Brasil, nem pensar. É necessário ter consciência
de que os recursos naturais são escassos e de que, sem o controle populacional,
as dificuldades de sobrevivência das novas gerações serão
maiores.
Selvageria de índios no Pará Extraordinária
a reportagem "Um golpe de insensatez" (28 de maio), sobre o que ocorreu
com o engenheiro Paulo Fernando Rezende, da Eletrobrás espancado
e ferido após dar explicações sobre o projeto da construção
da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu. A armação terminou
em um crime executado por índios, mas tramado e incentivado por ambientalistas
brancos selvagens. Toda a estrutura foi montada a fim de esconder na conduta dos
índios a verdadeira intenção desses ambientalistas. Um verdadeiro
golpe de insensatez, pois o consumo de energia no Brasil cresce à razão
de 5,5% ao ano. Então, produzir mais energia é uma questão
fundamental. Isso só nos mostra a falta de compreensão das pessoas,
que se esquecem de que um país sem energia terá toda a sua estrutura
completamente abalada. Durante
oito anos, no fim da década de 70 e início da década de 80,
convivi como vizinho dos caiapós da aldeia Gorotire. Em todo esse período
houve uma convivência de respeito e amizade, sem nenhum atrito. A amizade
com os caciques Kanhoc, Totoí e Zé Uté foi mantida com base
no respeito mútuo e no diálogo. Todas as vezes que os índios
chegavam à fazenda Rio Dourado, onde eu era gerente-geral, seu responsável
me procurava e imediatamente entregava as armas de caça que conduziam.
Tenho certeza de que os atritos atuais estão existindo muito mais por influência
externa que por vontade própria. Algumas divergências ocorridas na
época foram solucionadas com conversas, e todas sem nenhuma agressão. Na
década de 50, minha família praticamente foi "expulsa"
do Rio Grande do Sul e "solta" no norte de Mato Grosso para integrar
a Amazônia com o restante do Brasil (governo de Getúlio Vargas
A rota para o Oeste). Hoje, somos considerados invasores nesta região (Alta
Floresta). A
energia elétrica tem trazido grande progresso. Mas, como todas as coisas,
ela também trouxe conseqüências ambientais. No caso de hidrelétricas,
as maiores prejudicadas são as matas ciliares em volta dos rios e toda
a fauna e flora que essa mata abriga e sustenta. Sociologicamente falando, a implantação
da hidrelétrica viola os direitos primários e fundamentais dos índios.
O debate, portanto, é a melhor opção para obtermos uma solução
de desenvolvimento sustentável. O que deveríamos fazer não
é aumentar a tensão já existente, mas buscar soluções
que sejam satisfatórias para ambos os lados. Para isso, o diálogo
franco é necessário. Não uma intimidação de
confronto nem uma atitude de passividade.
Jefferson Péres Caso ocorresse
uma epidemia que matasse políticos com amnésia, corruptos, antiéticos,
mentirosos, imorais, barganheiros, faltariam, com certeza, matéria-prima
e mão-de-obra para a confecção de caixões. Com todo
esse déficit de políticos honrados, perdemos, sem dúvida,
um dos mais éticos e morais: Jefferson Péres ("Pequeno grande
homem", Memória, 28 de maio). Uma das raras esperanças dignas
que tínhamos para um Brasil melhor. Para
redigir a oração fúnebre ao senador Jefferson Péres,
nada será mais tedioso que ter de mencionar, no renque dos seus contemporâneos,
nomes de conhecidos peculatários, de gatunos orçamentários
reincidentes e de traficantes de influência, tais como Jader Barbalho e
Renan Calheiros, de cujos processos no Conselho de Ética foi relator o
corretíssimo parlamentar amazonense, que faleceu mas deixou sua biografia
como exemplo a ser imitado.
Dor de cabeça Justamente
na semana em que a Academia Brasileira de Neurologia promovia o Dia Nacional da
Cefaléia (19 de maio), é extremamente gratificante verificar a preocupação
de VEJA com o uso abusivo de analgésicos e com a automedicação,
que coincidentemente eram o foco principal da nossa campanha. Parabéns
pela excelente reportagem ("Brasil, país da dor de cabeça",
28 de maio)!
Lya Luft Sou radicalmente contra a pena de morte,
mas concordo com Lya Luft que às vezes dá vontade de matar mesmo
("A pena de morte", Ponto de vista, 28 de maio). Sei que a pena de morte
pode ocasionar injustiças e isso é imperdoável, uma vez que
não há como reparar o engano depois da morte do condenado. Mas a
prisão perpétua seria uma alternativa, já que as injustiças
poderiam, em tese, ser revistas a tempo. No Brasil, entretanto, a prisão
perpétua representaria mais um problema, pois não temos presídios
suficientes para todos os nossos condenados. Sempre me perguntei por que não
se constroem mais presídios, escolas e hospitais no Brasil. Sobre
a reportagem "Sindicato pedetista" (28 de maio), o processo de seleção
do ICP seguiu o que preceitua o Termo de Referência dos Consórcios
Sociais da Juventude, ou seja, em audiência pública, realizada com
a presença de mais de 100 representantes de entidades da sociedade civil.
O ICP foi indicado pelo MTE e validado pelos presentes na audiência como
entidade-âncora do Consórcio Social da Juventude para celebrar convênio
com o MTE. Só fui nomeado secretário no dia 11 de fevereiro deste
ano. Tomei posse no dia 18. Sem prerrogativas legais, à época, sequer
para opinar no processo. VEJA erra quando afirma que sou sindicalista da Força
Sindical. Poderia ser, mas nunca fui. Sou funcionário concursado da Câmara
dos Deputados e ex-presidente do Sindilegis. É igualmente inverídico
que "descolei uma boquinha" no Ministério do Trabalho. Convidado
para integrar a equipe do ministro Lupi, aceitei. Por causa disso, tive de me
licenciar da Câmara e meu salário foi reduzido em 20%.
Educação no exterior Gostaríamos de cumprimentar
VEJA pela excelente matéria que mostrou aos estudantes brasileiros como
aumentar sua chance de fazer graduação nas melhores universidades
dos Estados Unidos ("Harvard ficou mais perto", Guia, 21 de maio). Gostaríamos
de lembrar aos leitores que o programa Oportunidades Acadêmicas, mencionado
na reportagem, também é oferecido para mestrado e doutorado. Em
todo o Brasil, os escritórios EducationUSA, que dão acesso ao programa,
representam fonte de informações oficial sobre estudos nos Estados
Unidos. Vale lembrar que a Comissão Fulbright (www.fulbright.org.br)
também oferece bolsas de estudos para programas específicos no país.
Livros Na
reportagem "A última fronteira de auto-ajuda" (28 de maio) é
dito que o ator James Dean teria deixado um slogan memorável: "Viva
rápido, morra jovem, deixe um belo cadáver". Na realidade,
essa frase foi dita pelo ator John Derek, no filme de 1949 Knock at Any Door,
baseado no livro de William Motely, publicado em 1947.
Especial VEJA Mulher As
publicações a respeito do papel feminino volta e meia caem em estereótipos
e trazem valores antigos que precisam ser repensados. Tenho torcido muito para
que as revistas comecem a reavaliar o papel feminino. Principalmente trazendo
as diversas formas de ser mulher, sem culpas, sem medos. VEJA fez isso com mestria.
Fiquei um pouco triste com a história dos filhos tardios, mas é
bom dizer que até nisso há a possibilidade de escolha. Gostaria
de dizer quanto está encantadora a edição especial dedicada
às mulheres. Para mim, que sou uma jovem mulher, recém-graduada,
e estou entrando no mercado de trabalho, é extremamente salutar e
motivador conhecer algumas das muitas mulheres que conseguiram sucesso pessoal
e profissional.
Correções:
na reportagem "Feminina e poderosa" (VEJA Especial Mulher),
onde se lê: "A mais famosa capa de chuva de todos os tempos, feita
de gabardine e à prova de vento, foi criada em 1890 pelo inglês Thomas
Burberry para ser usada pelos soldados na I Guerra Mundial", leia-se: "A
famosa capa de chuva de Thomas Burberry, criada no fim do século XIX, foi
adaptada para ser usada por soldados britânicos nas trincheiras da
I Guerra Mundial (1914-1918)".
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