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Televisão
Guerra dos clones
Imitações estão na
moda. Mas
Silvio Santos se irritou com uma
paródia do quadro Qual É a Música?

Ricardo Valladares
Divulgação
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| A versão
do Qual É a Música? no programa de Cavalcante:
para o SBT não é brincadeira, é plágio
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O apresentador Silvio Santos anda irritado
com o humorista Tom Cavalcante. O motivo é a paródia
de uma velha atração de Silvio, o Qual É
a Música?, no programa Show do Tom. Na semana
retrasada, o SBT notificou a Record do assunto. É o primeiro
passo para que a emissora de Silvio Santos entre com uma ação
indenizatória por plágio. "Não é só
brincadeira. Copiaram o programa inteiro", disse Silvio a VEJA.
Com uma peruca acaju, o humorista encarna um certo Siltom Santos
e contracena com antigos participantes do quadro, como os cantores
Ovelha, Perla e Nahim. "Tem até o maestro Zezinho", diz Silvio.
O apresentador acaba de ressuscitar o Qual É a Música?
no SBT e esse é um dos poucos formatos pelos quais
ele paga direitos autorais, que pertencem a uma empresa americana.
O episódio é emblemático de uma prática
que se tornou corrente na televisão: a paródia deslavada
de atrações de outras emissoras. O próprio
Cavalcante também imita apresentadores como Jô Soares
e Pedro Bial, da Rede Globo. Já a turma do Pânico,
da RedeTV!, faz pilhéria com Gugu Liberato, Luciano Huck,
Netinho e Milton Neves o primeiro, do SBT, o segundo, da
Globo, e os demais, da Record. Além de imitar, mais uma vez,
Silvio Santos.
Fotos divulgação
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| Ceará
como Silvio (à esq.), Vieira de Gluglu (no
centro) e Tom como Jô (à dir.): o novo
jeito de tirar casquinha do sucesso alheio |
Embora seja tão antiga quanto o humor
na televisão, a imitação é um recurso
de eficácia duvidosa em certos casos. Todo-poderoso da Globo
por mais de trinta anos, José Bonifácio de Oliveira
Sobrinho, o Boni, chegou a proibir que o extinto TV Pirata e
a turma do Casseta & Planeta parodiassem programas de
outras emissoras como a novela Pantanal, que fez sucesso
na Manchete no começo da década de 90. "A paródia
era uma propaganda para a concorrência", diz Boni. Na onda
de imitações atual dá-se o contrário:
as emissoras com menos audiência tentam tirar uma casquinha
da fama de artistas das maiores. O programa de Tom teve um início
pífio, no qual ele tentava fazer as vezes de apresentador
de talk-show. As paródias viraram sua tábua de salvação.
Com o quadro em que incorpora Silvio, cravou 10 pontos na noite
de quarta retrasada, batendo a atração do SBT no horário,
a mesa-redonda Fora do Ar, na briga pelo segundo lugar no
ibope.
Os imitadores do Pânico não
se fazem de rogados: esculhambam seus satirizados sem piedade. O
programa tem lá suas paródias inspiradas, como o Silvio
Santos dentuço e abilolado do humorista Wellington Muniz,
o Ceará. Mas há muita apelação. Ao emular
Gugu Liberato, o humorista Vinícius Vieira concebeu Gluglu,
um tipo sensível que utiliza presilha no cabelo e choraminga
porque o ibope de seu programa já não exibe o vigor
de antigamente. No domingo passado, foi a vez de Milton Neves ganhar
"homenagem" do Pânico. Ele virou Merchan Neves e, numa
piada de péssimo gosto, desferia tapas em dois anões
que imitavam os jogadores Robinho, do Santos, e Tevez, do Corinthians.
Velha conhecida, a imitação
parece não irritar tanto os imitados. Mas, como mostra a
pendenga entre Silvio e Cavalcante, as coisas mudam de figura quando
os negócios estão em jogo. Apesar de não haver
jurisprudência sobre o fato de uma emissora satirizar atrações
de outras, o SBT pretende alegar que itens como música e
cenário de seu programa foram plagiados. Até a quarta
retrasada, a Record não cogitava retirar o quadro do ar.
"Se eles insistirem, então também poderei imitar o
Roberto Justus em O Aprendiz", diz Silvio. Está deflagrada
a guerra dos clones.
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