Edição 1903 . 4 de maio de 2005

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Guia

Em dia com as contas da casa

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Outros modelos de planilha

Montar o orçamento doméstico não é trabalhoso, mas exige disciplina. A recompensa é alta: sobra de recursos no fim do mês. O ideal é começar o controle antes de atingir uma situação crítica e atualizá-lo diariamente, o que ajuda a refletir com calma sobre oportunidades para poupar. Um conselho útil é imprimir uma pequena ficha, que caiba na carteira de cada integrante da família. "Com o tempo, a anotação se transforma em um hábito saudável", diz o consultor Marcos Silvestre, coordenador do programa de orientação financeira familiar da Universidade de Campinas. Os dados da ficha devem ser transferidos semanalmente para uma planilha eletrônica. Há muitos modelos (abaixo, uma sugestão), mas, qualquer que seja o escolhido, esse orçamento deve discriminar as principais despesas: alimentação, educação, saúde, moradia, transporte e vestuário. Se as despesas ultrapassam 70% da receita, cabe refletir sobre formas de reduzir despesas ou aumentar a receita.

 

Controle de gastos

 
RECEITAS  
Salário
Aluguel
Pensão
Horas extras
Outros
 
TOTAL DE RECEITAS
GASTOS FIXOS  
Aluguel
Condomínio
Prestação da casa
Diarista
Mensalista

Prestação do carro

Seguro do carro
IPTU
IPVA
Seguro-saúde
Colégio
Faculdade
Cursos
Aposentadoria
Clube/academia
Outros
 
SUBTOTAL

GASTOS VARIÁVEIS 

Alimentação

Luz
Telefone fixo
Telefone celular
Cartão de crédito
Gás
Água
Transporte
Outros
 
SUBTOTAL
GASTOS ARBITRÁRIOS  
Viagens
Cinema/teatro
Restaurante
Roupas
Presentes
Outros
 
SUBTOTAL
TOTAL DE RECEITAS
TOTAL DE GASTOS
 
SALDO TOTAL
 

Fonte: editora Letras&Lucros

 


Alugar ou comprar

Adquirir um imóvel para escapar do aluguel nem sempre é uma opção vantajosa. A compra financiada, mesmo a juros baixos, pode acabar representando um gasto maior do que continuar alugando um apartamento enquanto se poupa dinheiro para a compra à vista. Quem consegue aplicar o dinheiro a uma taxa maior do que os juros do financiamento do imóvel sai ganhando se esperar até juntar o suficiente para a compra à vista. A dificuldade é que essa decisão envolve um nível de disciplina incomum. Se a pessoa não conseguir ficar sem tocar no dinheiro até atingir o total para a compra, é melhor financiar. O consultor financeiro Mauro Halfeld, de São Paulo, sugere que pessoas solteiras, mais sujeitas a mudar de planos, invistam primeiro para comprar o imóvel à vista mais tarde. "Mudar de imóvel sai caro no Brasil devido a impostos e outros custos", explica. Para os casados, ele aconselha procurar financiamentos em que o indexador seja a taxa referencial de juros (TR). Atualmente ela está em torno de 0,2% ao mês. A correção pelo IGP-M, o índice geral de preços do mercado, é sujeita a variações inesperadas. Os financiamentos da Caixa Econômica para renda mensal de até 2 000 reais têm taxas de juro em torno de 8% ao ano mais TR.

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Simulações de compra à vista ou financiada

 

Empréstimo não paga dívidas

Certos consumidores têm dificuldade em distinguir entre dinheiro próprio e emprestado. Acabam considerando como parte da renda o que é, na verdade, uma dívida – cheque especial ou crédito rotativo do cartão, por exemplo. Esse é um sinal de alerta: ninguém paga dívidas contraindo novos empréstimos. A única saída é fazer corte radical e planejamento. Quem não consegue frear o impulso de gastar dinheiro pode estar sofrendo de um distúrbio conhecido pelos especialistas como oneomania. Instituições como o Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, e outras com atendimento a pessoas acometidas de vício, oferecem assistência a quem possa precisar de terapia.

Qualquer que seja a causa do endividamento, porém, planejadores financeiros são unânimes: a melhor forma de se livrar das dívidas é quitá-las de uma só vez, mesmo que para isso seja preciso se desfazer de uma aplicação ou de um bem. Embora essa seja a solução mais difícil do ponto de vista emocional, é a mais racional: o patrimônio dificilmente cresce mais depressa do que as dívidas. Veja algumas formas de lidar com os compromissos.

Liquidação de parte das dívidas
Nem sempre é possível liquidar tudo de uma vez. Nesse caso, a primeira providência é levantar detalhadamente todas as dívidas e ordená-las pela gravidade. Os compromissos com taxas de juro mais elevadas devem ser priorizados. O consultor Mauro Halfeld sugere que aqueles com juros acima de 7% mensais, como os do cheque especial ou do cartão de crédito, sejam liquidados antes de todos os outros porque tendem a virar uma bola de neve.

Troca de dívidas
Essa é uma saída de emergência para quem não tem outra opção. Contrair dívidas com juros mais baixos para pagar outras é um paliativo. Empréstimos familiares são a melhor forma, mas é possível negociar com o banco uma taxa especial. Empréstimos pessoais em bancos podem ter taxas menores que o cheque especial, lembra Luis Carlos Ewald, professor da Fundação Getulio Vargas e autor do livro Sobrou Dinheiro! Lições de Economia Doméstica (editora Bertrand Brasil). Alguns bancos antecipam o 13º salário, opção que pode ser usada para abater alguns compromissos. Também nesse caso é preciso certificar-se de que os juros compensam.  

Renegociação de dívidas
Isso pode ser feito de diversas formas: prestações menores em prazos maiores, adiar parte do pagamento, reduzir os juros ou antecipar parte do pagamento em troca de um abatimento do credor. O serviço de atendimento do Procon pode ajudar a avaliar se as condições são abusivas.

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Um teste para medir o consumo compulsivo

Editado por André Fontenelle.
Colaborou Bianca Ribeiro

 
 
 
 
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