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Guia Em dia com as contas da casa
Montar o orçamento doméstico não
é trabalhoso, mas exige disciplina. A recompensa é alta: sobra de
recursos no fim do mês. O ideal é começar o controle antes
de atingir uma situação crítica e atualizá-lo diariamente,
o que ajuda a refletir com calma sobre oportunidades para poupar. Um conselho
útil é imprimir uma pequena ficha, que caiba na carteira de cada
integrante da família. "Com o tempo, a anotação se transforma
em um hábito saudável", diz o consultor Marcos Silvestre, coordenador
do programa de orientação financeira familiar da Universidade de
Campinas. Os dados da ficha devem ser transferidos semanalmente para uma planilha
eletrônica. Há muitos modelos (abaixo, uma sugestão),
mas, qualquer que seja o escolhido, esse orçamento deve discriminar as
principais despesas: alimentação, educação, saúde,
moradia, transporte e vestuário. Se as despesas ultrapassam 70% da receita,
cabe refletir sobre formas de reduzir despesas ou aumentar a receita.
Fonte:
editora Letras&Lucros
Alugar ou comprar
Adquirir um imóvel para escapar do aluguel nem sempre é uma opção
vantajosa. A compra financiada, mesmo a juros baixos, pode acabar representando
um gasto maior do que continuar alugando um apartamento enquanto se poupa dinheiro
para a compra à vista. Quem consegue aplicar o dinheiro a uma taxa maior
do que os juros do financiamento do imóvel sai ganhando se esperar até
juntar o suficiente para a compra à vista. A dificuldade é que essa
decisão envolve um nível de disciplina incomum. Se a pessoa não
conseguir ficar sem tocar no dinheiro até atingir o total para a compra,
é melhor financiar. O consultor financeiro Mauro Halfeld, de São
Paulo, sugere que pessoas solteiras, mais sujeitas a mudar de planos, invistam
primeiro para comprar o imóvel à vista mais tarde. "Mudar de imóvel
sai caro no Brasil devido a impostos e outros custos", explica. Para os casados,
ele aconselha procurar financiamentos em que o indexador seja a taxa referencial
de juros (TR). Atualmente ela está em torno de 0,2% ao mês. A correção
pelo IGP-M, o índice geral de preços do mercado, é sujeita
a variações inesperadas. Os financiamentos da Caixa Econômica
para renda mensal de até 2 000 reais têm taxas de juro em torno de
8% ao ano mais TR.
Empréstimo
não paga dívidas Certos consumidores têm
dificuldade em distinguir entre dinheiro próprio e emprestado. Acabam considerando
como parte da renda o que é, na verdade, uma dívida cheque
especial ou crédito rotativo do cartão, por exemplo. Esse é
um sinal de alerta: ninguém paga dívidas contraindo novos empréstimos.
A única saída é fazer corte radical e planejamento. Quem
não consegue frear o impulso de gastar dinheiro pode estar sofrendo de
um distúrbio conhecido pelos especialistas como oneomania. Instituições
como o Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, e outras
com atendimento a pessoas acometidas de vício, oferecem assistência
a quem possa precisar de terapia. Qualquer que
seja a causa do endividamento, porém, planejadores financeiros são
unânimes: a melhor forma de se livrar das dívidas é quitá-las
de uma só vez, mesmo que para isso seja preciso se desfazer de uma aplicação
ou de um bem. Embora essa seja a solução mais difícil do
ponto de vista emocional, é a mais racional: o patrimônio dificilmente
cresce mais depressa do que as dívidas. Veja algumas formas de lidar com
os compromissos. Liquidação de
parte das dívidas Nem sempre é possível liquidar tudo
de uma vez. Nesse caso, a primeira providência é levantar detalhadamente
todas as dívidas e ordená-las pela gravidade. Os compromissos com
taxas de juro mais elevadas devem ser priorizados. O consultor Mauro Halfeld sugere
que aqueles com juros acima de 7% mensais, como os do cheque especial ou do cartão
de crédito, sejam liquidados antes de todos os outros porque tendem a virar
uma bola de neve. Troca de dívidas
Essa é uma saída de emergência para quem não tem outra
opção. Contrair dívidas com juros mais baixos para pagar
outras é um paliativo. Empréstimos familiares são a melhor
forma, mas é possível negociar com o banco uma taxa especial. Empréstimos
pessoais em bancos podem ter taxas menores que o cheque especial, lembra Luis
Carlos Ewald, professor da Fundação Getulio Vargas e autor do livro
Sobrou Dinheiro! Lições de Economia Doméstica (editora
Bertrand Brasil). Alguns bancos antecipam o 13º salário, opção
que pode ser usada para abater alguns compromissos. Também nesse caso é
preciso certificar-se de que os juros compensam. Renegociação
de dívidas Isso pode ser feito de diversas formas: prestações
menores em prazos maiores, adiar parte do pagamento, reduzir os juros ou antecipar
parte do pagamento em troca de um abatimento do credor. O serviço de atendimento
do Procon pode ajudar a avaliar se as condições são abusivas.
Editado por André Fontenelle. Colaborou Bianca Ribeiro |