Edição 1903 . 4 de maio de 2005

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Espaço
O grande Hubble!

O supertelescópio comemora quinze anos
com imagens fantásticas e sob ameaça de
ser desativado antes da hora


Thereza Venturoli

Fotos NASA
Nebulosa da Águia: um berçário de estrelas
EXCLUSIVO ON-LINE
Galeria de fotos


O telescópio espacial Hubble completou quinze anos no espaço na semana passada, e, para marcar a data, a Nasa divulgou algumas das imagens mais impressionantes já captadas por suas lentes. Elas mostram a nebulosa da Águia e a galáxia M51, duas férteis regiões do cosmo, onde não param de nascer novas estrelas. A foto da Águia revela uma enorme nuvem de poeira e gases que se estende por 9,5 anos-luz (um ano-luz vale 9,5 trilhões de quilômetros) e abriga uma ninhada de estrelas jovens. A M51 aparece com seus braços em espiral abrindo-se por 90.000 anos-luz e alcançando uma galáxia vizinha. Há dez anos, a Nasa já havia mostrado fotos da Águia e da M51 feitas pelo Hubble, mas a divulgação da nova série voltou a deslumbrar o mundo. Tanto a nebulosa quanto a galáxia estão entre os mais fotogênicos objetos celestes flagrados pelo Hubble ao longo de sua trajetória, que, por sinal, pode estar chegando ao fim. Com as baterias desgastadas, equipamentos defeituosos e as missões de reparo canceladas, o supertelescópio corre o risco de parar de funcionar daqui a dois anos.


Galáxia M51: 90 000 anos-luz de diâmetro

Em uma década e meia, os cinco instrumentos de observação e análise do Hubble voltaram-se para mais de 22.000 objetos celestes. Suas câmeras captaram 700.000 imagens e confirmaram algumas teorias importantes da astronomia moderna (veja o quadro). Elas fotografaram galáxias tão distantes da Terra que a luz levou mais de 12 bilhões de anos para atingir o telescópio – ou seja, elas se mostraram ao Hubble com a aparência que tinham na época em que o cosmo existia fazia pouco mais de 1 bilhão de anos. Com essa volta ao passado, os astrônomos viram como as galáxias primitivas se organizavam e passaram a entender melhor a evolução do universo.

Alegando uma restrição às viagens tripuladas ao espaço, devido ao acidente com o ônibus espacial Columbia, em 2003, os administradores da Nasa suspenderam novas missões de astronautas para reparar os instrumentos do Hubble. O orçamento deste ano da agência prevê apenas a criação de um sistema de robôs controlados do solo para fazer os reparos. No futuro, os robôs o trarão de volta à Terra. Seja como for, o Hubble só sobreviverá além de 2007 se as baterias e os giroscópios forem substituídos. Os giroscópios são peças fundamentais na obtenção de imagens nítidas. Eles garantem que o telescópio se mantenha voltado para o alvo a ser fotografado durante as longas horas de exposição necessárias para captar o fraco brilho de astros distantes. A foto da Águia, que se encontra a 6.500 anos-luz da Terra, consumiu três horas e meia de exposição. A imagem da M51, a 31 milhões de anos-luz, exigiu nove horas.

 

As principais contribuições
do Hubble para a ciência

Ao observar galáxias a mais de 12 bilhões de anos-luz da Terra, ele estudou como elas eram no passado

Verificou que as galáxias estão mesmo se afastando umas das outras, cada vez mais rápido

Confirmou que a idade do universo está entre 12 e 14 bilhões de anos

Provou a existência de buracos negros no núcleo das galáxias

 

 
 
 
 
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