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Espaço
O grande Hubble! O supertelescópio
comemora quinze anos com imagens fantásticas e sob ameaça de
ser desativado antes da hora 
Thereza Venturoli
Fotos NASA  |
| Nebulosa da Águia: um berçário de estrelas | | O telescópio espacial
Hubble completou quinze anos no espaço na semana passada, e, para marcar
a data, a Nasa divulgou algumas das imagens mais impressionantes já captadas
por suas lentes. Elas mostram a nebulosa da Águia e a galáxia M51,
duas férteis regiões do cosmo, onde não param de nascer novas
estrelas. A foto da Águia revela uma enorme nuvem de poeira e gases que
se estende por 9,5 anos-luz (um ano-luz vale 9,5 trilhões de quilômetros)
e abriga uma ninhada de estrelas jovens. A M51 aparece com seus braços
em espiral abrindo-se por 90.000 anos-luz e alcançando uma galáxia
vizinha. Há dez anos, a Nasa já havia mostrado fotos da Águia
e da M51 feitas pelo Hubble, mas a divulgação da nova série
voltou a deslumbrar o mundo. Tanto a nebulosa quanto a galáxia estão
entre os mais fotogênicos objetos celestes flagrados pelo Hubble ao longo
de sua trajetória, que, por sinal, pode estar chegando ao fim. Com as baterias
desgastadas, equipamentos defeituosos e as missões de reparo canceladas,
o supertelescópio corre o risco de parar de funcionar daqui a dois anos.
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| Galáxia M51: 90 000 anos-luz de diâmetro | Em
uma década e meia, os cinco instrumentos de observação e
análise do Hubble voltaram-se para mais de 22.000 objetos celestes. Suas
câmeras captaram 700.000 imagens e confirmaram algumas teorias importantes
da astronomia moderna (veja o quadro).
Elas fotografaram galáxias tão distantes da Terra que a luz levou
mais de 12 bilhões de anos para atingir o telescópio ou seja,
elas se mostraram ao Hubble com a aparência que tinham na época em
que o cosmo existia fazia pouco mais de 1 bilhão de anos. Com essa volta
ao passado, os astrônomos viram como as galáxias primitivas se organizavam
e passaram a entender melhor a evolução do universo.
Alegando uma restrição às viagens tripuladas ao espaço,
devido ao acidente com o ônibus espacial Columbia, em 2003, os administradores
da Nasa suspenderam novas missões de astronautas para reparar os instrumentos
do Hubble. O orçamento deste ano da agência prevê apenas a
criação de um sistema de robôs controlados do solo para fazer
os reparos. No futuro, os robôs o trarão de volta à Terra.
Seja como for, o Hubble só sobreviverá além de 2007 se as
baterias e os giroscópios forem substituídos. Os giroscópios
são peças fundamentais na obtenção de imagens nítidas.
Eles garantem que o telescópio se mantenha voltado para o alvo a ser fotografado
durante as longas horas de exposição necessárias para captar
o fraco brilho de astros distantes. A foto da Águia, que se encontra a
6.500 anos-luz da Terra, consumiu três horas e meia de exposição.
A imagem da M51, a 31 milhões de anos-luz, exigiu nove horas.
| As principais contribuições
do Hubble para a ciência
Ao observar galáxias a mais de 12 bilhões de anos-luz da Terra,
ele estudou como elas eram no passado
Verificou que as galáxias estão mesmo se afastando umas das outras,
cada vez mais rápido
Confirmou que a idade do universo está entre 12 e 14 bilhões de
anos
Provou a existência de buracos negros no núcleo das galáxias
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