Edição 1903 . 4 de maio de 2005

Índice
Lya Luft
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Empresas
Dantas sai do nocaute

Acordo com a Telecom Italia dá
fôlego ao dono do Opportunity


Lucila Soares


Fernando Lemos/Strana
Jose Jordan/AFP
Daniel Dantas (à esquerda) e Marco Provera (à direita), da Telecom Italia: acordo surpreendeu os sócios

Duas semanas depois de mergulhar num inferno astral que incluiu até seu indiciamento por formação de quadrilha, o banqueiro Daniel Dantas, do banco Opportunity, voltou à cena com um lance surpreendente. Na quinta-feira passada, foi anunciado um acordo entre a operadora de telefonia móvel TIM e a Brasil Telecom. O acordo, costurado ao longo da última semana em dezenas de reuniões realizadas no Brasil e na Itália, envolve a venda da participação do Opportunity na Brasil Telecom, a incorporação da área de telefonia móvel da empresa pela TIM e a volta da Telecom Italia ao grupo de controle da Brasil Telecom. E significa o fim da mais acirrada guerra empresarial já travada no mundo dos negócios no Brasil. A Brasil Telecom é a principal empresa do império de 17 bilhões de reais montado por Dantas a partir da privatização das telecomunicações, em 1998. A briga com a Telecom Italia pelo controle da companhia culminou no escândalo das escutas telefônicas realizadas pela Kroll.

O fim do conflito era questão de sobrevivência para o dono do Opportunity. Nos últimos anos, Dantas desentendeu-se com todos os seus sócios. Acabou destituído da gestão do fundo CVC/Opportunity, que atuou desde 1998 como gestor de empresas de telecomunicações, transportes, logística e futebol. "Não era mais possível sustentar tantas brigas", diz um analista que acompanha de perto os negócios de Dantas. "Ele tinha de abrir mão de alguma coisa." Alguma coisa, no caso, é a Brasil Telecom – e não é pouco. Nos planos de Dantas, ela se tornaria uma empresa latino-americana com atuação em telefonia fixa e móvel. Mas no momento não havia outro caminho. Para sair da enrascada, Dantas acabou tendo a seu favor um fator alheio a seu controle. No fim de junho, venceria o prazo dado pela Anatel para que a Brasil Telecom acabasse com a superposição de licenças de operação entre a empresa e a Telecom Italia (ambas tinham concessões para telefonia móvel e fixa). "O acordo era uma necessidade industrial", resume Paolo Dal Pino, presidente da Telecom Italia no Brasil. A expressão "necessidade industrial" é a senha para tentar aplacar o ódio dos fundos de pensão e do Citigroup, sócios da Brasil Telecom que já se movimentam para tentar embargar o acordo na Justiça. Eles eram, até pouco tempo atrás, aliados da Telecom Italia numa briga de morte contra Daniel Dantas. Foram surpreendidos com um armistício justamente quando o Opportunity está se retirando da gestão da empresa por decisão judicial. Para piorar o humor dos fundos, o acordo deve desvalorizar suas ações na Brasil Telecom.

A operação fechada na semana passada pode ser o início de um novo modelo de atuação de Daniel Dantas. A expectativa é que, depois da realização das assembléias de acionistas para referendar sua destituição da gestão do CVC/Opportunity, Dantas acabe vendendo suas outras participações. Se fizer isso, deixará para trás as gestões polêmicas e ficará ainda mais rico do que é. Estima-se que embolsaria 1,5 bilhão de reais, o que não é fora da realidade levando-se em conta que ele conseguiu 960 milhões de reais do total de 1,1 bilhão envolvidos na transação com a venda da participação na Brasil Telecom. Com essa bolada, ele poderia viver tranqüilo pelo resto de seus dias. Mas dificilmente fará isso. Ao sair da Brasil Telecom, Dantas deve efetivar sua participação na Telemar – o Opportunity tem papéis da empresa, mas não podia transformá-los em ações com direito a voto porque já participava de outra empresa de telecomunicações. A partir da conclusão do acordo, poderá.

 
 
 
 
topo voltar