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Empresas
Dantas sai do nocaute
Acordo com a Telecom Italia dá
fôlego ao dono do Opportunity

Lucila Soares
Fernando Lemos/Strana
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Jose Jordan/AFP
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| Daniel Dantas (à esquerda)
e Marco Provera (à direita), da Telecom Italia:
acordo surpreendeu os sócios |
Duas semanas depois de mergulhar num inferno
astral que incluiu até seu indiciamento por formação
de quadrilha, o banqueiro Daniel Dantas, do banco Opportunity, voltou
à cena com um lance surpreendente. Na quinta-feira passada,
foi anunciado um acordo entre a operadora de telefonia móvel
TIM e a Brasil Telecom. O acordo, costurado ao longo da última
semana em dezenas de reuniões realizadas no Brasil e na Itália,
envolve a venda da participação do Opportunity na
Brasil Telecom, a incorporação da área de telefonia
móvel da empresa pela TIM e a volta da Telecom Italia ao
grupo de controle da Brasil Telecom. E significa o fim da mais acirrada
guerra empresarial já travada no mundo dos negócios
no Brasil. A Brasil Telecom é a principal empresa do império
de 17 bilhões de reais montado por Dantas a partir da privatização
das telecomunicações, em 1998. A briga com a Telecom
Italia pelo controle da companhia culminou no escândalo das
escutas telefônicas realizadas pela Kroll.
O fim do conflito era questão de sobrevivência
para o dono do Opportunity. Nos últimos anos, Dantas desentendeu-se
com todos os seus sócios. Acabou destituído da gestão
do fundo CVC/Opportunity, que atuou desde 1998 como gestor de empresas
de telecomunicações, transportes, logística
e futebol. "Não era mais possível sustentar tantas
brigas", diz um analista que acompanha de perto os negócios
de Dantas. "Ele tinha de abrir mão de alguma coisa." Alguma
coisa, no caso, é a Brasil Telecom e não é
pouco. Nos planos de Dantas, ela se tornaria uma empresa latino-americana
com atuação em telefonia fixa e móvel. Mas
no momento não havia outro caminho. Para sair da enrascada,
Dantas acabou tendo a seu favor um fator alheio a seu controle.
No fim de junho, venceria o prazo dado pela Anatel para que a Brasil
Telecom acabasse com a superposição de licenças
de operação entre a empresa e a Telecom Italia (ambas
tinham concessões para telefonia móvel e fixa). "O
acordo era uma necessidade industrial", resume Paolo Dal Pino, presidente
da Telecom Italia no Brasil. A expressão "necessidade industrial"
é a senha para tentar aplacar o ódio dos fundos de
pensão e do Citigroup, sócios da Brasil Telecom que
já se movimentam para tentar embargar o acordo na Justiça.
Eles eram, até pouco tempo atrás, aliados da Telecom
Italia numa briga de morte contra Daniel Dantas. Foram surpreendidos
com um armistício justamente quando o Opportunity está
se retirando da gestão da empresa por decisão judicial.
Para piorar o humor dos fundos, o acordo deve desvalorizar suas
ações na Brasil Telecom.
A operação fechada na semana
passada pode ser o início de um novo modelo de atuação
de Daniel Dantas. A expectativa é que, depois da realização
das assembléias de acionistas para referendar sua destituição
da gestão do CVC/Opportunity, Dantas acabe vendendo suas
outras participações. Se fizer isso, deixará
para trás as gestões polêmicas e ficará
ainda mais rico do que é. Estima-se que embolsaria 1,5 bilhão
de reais, o que não é fora da realidade levando-se
em conta que ele conseguiu 960 milhões de reais do total
de 1,1 bilhão envolvidos na transação com a
venda da participação na Brasil Telecom. Com essa
bolada, ele poderia viver tranqüilo pelo resto de seus dias.
Mas dificilmente fará isso. Ao sair da Brasil Telecom, Dantas
deve efetivar sua participação na Telemar o
Opportunity tem papéis da empresa, mas não podia transformá-los
em ações com direito a voto porque já participava
de outra empresa de telecomunicações. A partir da
conclusão do acordo, poderá.
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