Edição 1903 . 4 de maio de 2005

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Aviação
O jato popular

A Embraer anuncia que vai fabricar
minijatos, o novo e promissor horizonte
do mercado de aviação executiva


Carlos Rydlewski


Fotos divulgação
gação
Perto de uma dezena de jatinhos compactos está em testes. Entre eles, o Diamond D-Jet (à esq.). À direita, o cockpit do Eclipse 500, que já tem 2 000 encomendas, segundo o fabricante

A Embraer anuncia nesta semana, em Washington, nos Estados Unidos, a sua entrada num mercado muito promissor: o dos minijatos. Bem mais baratos do que um jato médio (veja quadro), eles transportam de quatro a seis passageiros, dispensam o co-piloto e têm uma manutenção mais econômica. Guardadas as diferenças, estão para os jatos médios assim como os carros populares estão para os de motor mais potente. Atualmente, a principal clientela da Embraer concentra-se no setor da aviação comercial, formada por empresas aéreas regionais. Elas são responsáveis por 76% das vendas da companhia. Somente 7% do faturamento vem da aviação executiva, na qual se encaixam os jatos particulares. Essa cifra insignificante deve-se ao fato de que a Embraer tem apenas um modelo para esse segmento, o Legacy, que custa 22,4 milhões de dólares. Ao decidir fabricar minijatos, a companhia pretende corrigir uma rota equivocada, visto que o setor executivo é um dos que mais crescem no exterior e também no Brasil. O país já conta com a segunda maior frota de aeronaves executivas do mundo, só inferior à americana. A Embraer também prevê maiores investimentos na área militar, hoje responsável por apenas 10 em cada 100 reais que entram no caixa da companhia.

Os minijatos, ou Very Light Jets (VLJs), são um projeto que ainda não decolou totalmente das pranchetas dos engenheiros. O mais adiantado é o do Eclipse 500, fabricado por uma empresa americana. O protótipo, com capacidade para quatro a seis pessoas, foi lançado em 2000, a um custo de 775.000 dólares. Hoje, sai por cerca de 1,5 milhão de dólares. Ainda em teste, o avião deve ser liberado para vôos comerciais em 2006. Quando se diz que esse mercado é promissor, isso significa bem mais do que uma esperança. O fabricante do Eclipse 500 informa que já recebeu pelo menos 2.000 pedidos de compra.

Outro projeto em estágio bastante avançado é o do Cessna Citation Mustang, cujo protótipo foi apresentado em 2002. Custa 2,3 milhões de dólares. O primeiro vôo ocorreu em 23 de abril. Nesse segmento, é um dos poucos aparelhos que ainda usam o tradicional alumínio na fuselagem. Os demais fabricantes utilizam fibras de carbono, mais leves. A previsão é que o Mustang também passe a ser vendido a partir de 2006. O minijato já acumula 23 reservas, com sinais pagos, apenas de compradores brasileiros. O avião deve chegar ao país até o início de 2007. No total, a Cessna recebeu 270 pedidos. Há ainda outros modelos de minijatos no páreo, em diferentes fases de testes, como o Adam A700 e o Diamond D-Jet. "O potencial do mercado de minijatos é estimado em 10.000 aeronaves nos próximos quinze anos", diz o presidente da TAM Taxi Aéreo, Rui Thomaz de Aquino, que representa a Cessna no Brasil. Para se ter uma idéia do que isso significa, no comércio mundial de aviação executiva foram vendidas no ano passado apenas 600 aeronaves. A participação dos jatos compactos praticamente dobraria o desempenho desse segmento da indústria aeronáutica.

No caso da Embraer, o miniavião ainda deve demorar pelo menos dois anos até entrar em operação comercial. Atualmente, o que se tem é a base para um protótipo. É possível que, a partir dele, seja desenvolvida uma família de aeronaves com diferentes configurações. Essa estratégia é comum na indústria aeronáutica e, assim como na automobilística, vem sendo usada com sucesso pela companhia brasileira em suas linhas de aviões comerciais. Esse foi o caso do ERJ-145, que fez o primeiro vôo em 1995. Serviu de base para a produção de versões para 37, 44 e cinqüenta passageiros, além de modelos de defesa e do próprio Legacy. A Embraer resolveu anunciar nos Estados Unidos a fabricação de seu minijato pela razão óbvia de que os americanos são os maiores compradores desse tipo de produto. Ali, as empresas já se movimentam para usar os VLJs como táxis. O potencial de compradores particulares também é grande. Uma pesquisa feita no ano passado pelas empresas de consultoria Capgemini e Merrill Lynch mostrou que, nos Estados Unidos, há 2 milhões de pessoas com mais de 1 milhão de dólares aplicados no mercado financeiro. No Brasil, estima-se que esse universo não passe de 80.000. Poderia ser bem maior se a economia nacional não tivesse patinado durante as duas décadas passadas.

 
 
 
 
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