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Aviação
O jato popular
A Embraer anuncia que vai fabricar
minijatos, o novo e promissor horizonte
do mercado de aviação executiva

Carlos Rydlewski
Fotos divulgação
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gação
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| Perto de uma dezena de jatinhos
compactos está em testes. Entre eles, o Diamond D-Jet
(à esq.). À direita, o cockpit do Eclipse
500, que já tem 2 000 encomendas, segundo o fabricante
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A Embraer anuncia nesta semana, em Washington,
nos Estados Unidos, a sua entrada num mercado muito promissor: o
dos minijatos. Bem mais baratos do que um jato médio (veja
quadro), eles transportam de quatro a seis passageiros,
dispensam o co-piloto e têm uma manutenção mais
econômica. Guardadas as diferenças, estão para
os jatos médios assim como os carros populares estão
para os de motor mais potente. Atualmente, a principal clientela
da Embraer concentra-se no setor da aviação comercial,
formada por empresas aéreas regionais. Elas são responsáveis
por 76% das vendas da companhia. Somente 7% do faturamento vem da
aviação executiva, na qual se encaixam os jatos particulares.
Essa cifra insignificante deve-se ao fato de que a Embraer tem apenas
um modelo para esse segmento, o Legacy, que custa 22,4 milhões
de dólares. Ao decidir fabricar minijatos, a companhia pretende
corrigir uma rota equivocada, visto que o setor executivo é
um dos que mais crescem no exterior e também no Brasil. O
país já conta com a segunda maior frota de aeronaves
executivas do mundo, só inferior à americana. A Embraer
também prevê maiores investimentos na área militar,
hoje responsável por apenas 10 em cada 100 reais que entram
no caixa da companhia.
Os minijatos, ou Very Light Jets (VLJs), são
um projeto que ainda não decolou totalmente das pranchetas
dos engenheiros. O mais adiantado é o do Eclipse 500, fabricado
por uma empresa americana. O protótipo, com capacidade para
quatro a seis pessoas, foi lançado em 2000, a um custo de
775.000 dólares. Hoje, sai por cerca de 1,5 milhão
de dólares. Ainda em teste, o avião deve ser liberado
para vôos comerciais em 2006. Quando se diz que esse mercado
é promissor, isso significa bem mais do que uma esperança.
O fabricante do Eclipse 500 informa que já recebeu pelo menos
2.000 pedidos de compra.
Outro projeto em estágio bastante avançado
é o do Cessna Citation Mustang, cujo protótipo foi
apresentado em 2002. Custa 2,3 milhões de dólares.
O primeiro vôo ocorreu em 23 de abril. Nesse segmento, é
um dos poucos aparelhos que ainda usam o tradicional alumínio
na fuselagem. Os demais fabricantes utilizam fibras de carbono,
mais leves. A previsão é que o Mustang também
passe a ser vendido a partir de 2006. O minijato já acumula
23 reservas, com sinais pagos, apenas de compradores brasileiros.
O avião deve chegar ao país até o início
de 2007. No total, a Cessna recebeu 270 pedidos. Há ainda
outros modelos de minijatos no páreo, em diferentes fases
de testes, como o Adam A700 e o Diamond D-Jet. "O potencial do mercado
de minijatos é estimado em 10.000 aeronaves nos próximos
quinze anos", diz o presidente da TAM Taxi Aéreo, Rui Thomaz
de Aquino, que representa a Cessna no Brasil. Para se ter uma idéia
do que isso significa, no comércio mundial de aviação
executiva foram vendidas no ano passado apenas 600 aeronaves. A
participação dos jatos compactos praticamente dobraria
o desempenho desse segmento da indústria aeronáutica.
No caso da Embraer, o miniavião ainda
deve demorar pelo menos dois anos até entrar em operação
comercial. Atualmente, o que se tem é a base para um protótipo.
É possível que, a partir dele, seja desenvolvida uma
família de aeronaves com diferentes configurações.
Essa estratégia é comum na indústria aeronáutica
e, assim como na automobilística, vem sendo usada com sucesso
pela companhia brasileira em suas linhas de aviões comerciais.
Esse foi o caso do ERJ-145, que fez o primeiro vôo em 1995.
Serviu de base para a produção de versões para
37, 44 e cinqüenta passageiros, além de modelos de defesa
e do próprio Legacy. A Embraer resolveu anunciar nos Estados
Unidos a fabricação de seu minijato pela razão
óbvia de que os americanos são os maiores compradores
desse tipo de produto. Ali, as empresas já se movimentam
para usar os VLJs como táxis. O potencial de compradores
particulares também é grande. Uma pesquisa feita no
ano passado pelas empresas de consultoria Capgemini e Merrill Lynch
mostrou que, nos Estados Unidos, há 2 milhões de pessoas
com mais de 1 milhão de dólares aplicados no mercado
financeiro. No Brasil, estima-se que esse universo não passe
de 80.000. Poderia ser bem maior se a economia nacional não
tivesse patinado durante as duas décadas passadas.
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