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Internacional Fora,
brasiguaios! Brasileiros no Paraguai não
poderão possuir terras numa faixa de 50 quilômetros da fronteira
Antonio
Milena
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brasileiro Willy Ludeke: "Agricultores văo pagar a conta" |
O
clima nada amistoso que envolve as relações entre Brasil e Paraguai
nos últimos meses tende a piorar. Uma nova lei, promulgada pelo presidente
Nicanor Duarte Frutos, proíbe a posse de terras por cidadãos e pessoas
jurídicas dos países limítrofes numa faixa de 50 quilômetros
das fronteiras do país. Formalmente, as pequenas comunidades boliviana
e argentina no Paraguai também serão prejudicadas, mas não
há dúvida de que o objetivo foi atingir os brasileiros que prosperaram
na agricultura do Paraguai. Aprovada às pressas debaixo de uma intensa
campanha xenófoba contra a presença brasileira, a chamada lei de
segurança fronteiriça atinge uma região com mais de 200.000
fazendas de brasileiros. Eles são responsáveis por cerca de 70%
de toda a soja, 60% do milho e 35% do trigo produzidos no país. Além
disso, a medida prejudica os três bancos brasileiros que financiam maciçamente
a produção agrícola paraguaia Banco do Brasil, Interbanco
que pertence ao Unibanco e o Banco Integración. Ao concederem
empréstimos aos produtores brasileiros, as instituições financeiras
hipotecam as terras como garantia. Com a nova lei, os bancos terão muita
dificuldade para executar as hipotecas. O governo
paraguaio defende a medida como "uma lei para garantir a soberania do país"
e parece pouco se importar com a situação dos brasileiros. "Caso
se sintam prejudicados, procurem a Justiça", afirmou a VEJA o vice-ministro
do Interior, Félix Silva Monges. O governo paraguaio diz que a lei não
é retroativa. O problema, no entanto, é que uma parte pequena dos
brasileiros radicados no Paraguai regularizou suas terras. A maioria tenta, mas
não consegue transpor a resistência da burocracia xenófoba
no Paraguai. Se quiserem fazê-lo agora, cairão nas garras da nova
lei. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem mantendo contatos com o
chefe do Executivo paraguaio para rever a lei. "É uma lei extemporânea
que discrimina e atinge principalmente o brasileiro", disse a VEJA o chefe do
setor político da embaixada brasileira em Assunção, Antônio
Francisco da Costa e Silva. No Brasil, qualquer estrangeiro, independentemente
de sua nacionalidade, pode ter terras nas regiões de fronteiras
obedecidos, é claro, alguns trâmites aos quais os brasileiros não
são submetidos. Um dos primeiros desbravadores
do interior paraguaio, o agricultor brasileiro Willy Ludeke está revoltado.
"Estou aqui há mais de trinta anos. Não consigo entender o porquê
de aprovar a toque de caixa uma lei que só vai aumentar os atritos entre
os países. No final, quem acaba pagando a conta somos nós, agricultores
brasileiros", disse o fazendeiro, que cultiva 2,5 mil hectares de soja, milho
e trigo na região de Naranjal. A história
da migração brasileira ao Paraguai remete aos anos do regime ditatorial
do ex-presidente e general Alfredo Stroessner. No início da década
de 70, o governo paraguaio iniciou um extenso projeto de colonização
de suas terras, até então inabitadas, atraindo fazendeiros brasileiros,
que apostaram no fértil solo paraguaio. Hoje, para os brasileiros, o fato
de terem migrado durante a ditadura de Stroessner é desfavorável.
Recentemente, vários políticos paraguaios vêm sustentando
que a propriedade dos brasileiros é ilegal por remontar ao período
da ditadura.
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