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Ambiente
Caçada ecológica
Cientistas e ambientalistas defendem
o abate de jacarés na Amazônia

Leonardo Coutinho
Paulo Santos/Interfoto
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| Captura de jacaré-açu: até 350 quilos e 5
metros de comprimento |
O Ibama autorizou o governo do Amazonas a matar jacarés na
reserva extrativista Mamirauá, a 450 quilômetros de
Manaus. É a primeira vez que as autoridades liberam a caça
de animais silvestres na Amazônia. O abate, ainda em fase
de experiência, é uma recomendação científica.
Pesquisadores que monitoram a vida desses répteis chegaram
à conclusão de que a proibição da caça,
desde 1967, fez mais do que livrar a espécie do risco de
extinção. Os jacarés viraram uma praga que
infesta os rios da região, produz prejuízos e atazana
a vida dos pescadores. Lideranças de diversas comunidades
reclamam até de ataques de jacarés a humanos e da
rotina de destruição das redes de pesca. Em alguns
pontos da Amazônia, os cientistas chegaram a contar 2.000
jacarés-açus em 1 quilômetro de rio. Nos lagos
onde se realizaram as primeiras caçadas, estima-se que existam
mais de 2 milhões de exemplares.
Nesta fase, o Ibama autorizou o abate de 200
animais de duas variedades o tinga e o açu. Dependendo
do resultado da análise sanitária da carne, mais 5.000
poderão ser mortos até outubro. Depois, concluída
a construção de um abatedouro flutuante, deverá
haver a liberação para a caça de até
100.000 répteis por ano. "Já existem empresários
interessados nesse investimento", revela o veterinário Augusto
Kluczkovski Júnior, chefe do departamento de animais silvestres
da Agência de Florestas do Amazonas. Segundo a coordenadora
do projeto de abate, a engenheira florestal Sônia Canto, o
quilo de carne vale até 20 reais. O couro dos jacarés
abatidos foi vendido para curtumes do Rio Grande do Sul. No mercado
internacional, o centímetro linear do couro da barriga vale
até 25 reais, de acordo com o biólogo Ronis da Silveira,
da Universidade Federal do Amazonas. O jacaré-açu,
o maior predador da Amazônia, pode ter 5 metros de comprimento
e pesar 350 quilos. O comércio valoriza os exemplares com
pelo menos 40 centímetros de circunferência na área
da barriga. "Alguns animais que abatemos chegam a ter três
vezes mais que isso", diz Sônia.
A caça ou pesca, como dizem
os caboclos é realizada durante a noite. Embarcados
em lanchas de alumínio, os ribeirinhos usam arpões
para acertar os jacarés na cabeça ou na boca, evitando
danos ao couro. Depois que o animal é arpoado, começa
uma luta para cansá-lo que pode durar até meia hora.
Quando o bicho é puxado para a lateral da embarcação,
usa-se o foco de uma lanterna para cegá-lo e deixá-lo
paralisado. Assim, pode-se amarrar sua boca sem risco de levar uma
dentada. Ainda vivo, o jacaré é levado para uma balsa
e pendurado de cabeça para baixo, a posição
ideal para a sangria. A técnica é importante para
garantir a qualidade da carne.
Para os ambientalistas, a caça pode
ser recomendada como uma alternativa para o equilíbrio ecológico,
em casos de superpopulação. No Rio Grande do Sul,
o único estado brasileiro onde a caça esportiva é
regulamentada, existem temporadas de abate de perdizes e marrecas-piadeiras,
entre outros animais perniciosos às lavouras e a outras espécies.
Só no ano passado, a temporada de caça ao canguru,
na Austrália, deu cabo de 4,4 milhões de animais.
Ainda restam mais de 50 milhões deles. Na Amazônia,
só pescadores artesanais deverão participar das caçadas
de jacaré.
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