|
|
Exportação O
tamanho da rosa Empresários tentam produzir
no Ceará espécies tão exuberantes quanto as colombianas.
Eles ainda não conseguiram, mas já deram impulso às vendas
externas  Chrystiane
Silva
Nas últimas três décadas, as
rosas produzidas na Colômbia ganharam destaque mundial por suas cores vivas,
sua maior durabilidade e seu tamanho elas medem 11 centímetros de
diâmetro, o dobro de uma rosa tradicional brasileira. Esse feito está
diretamente ligado às condições de plantio. As rosas colombianas
são produzidas a 2.600 metros de altitude, em regiões de grande
luminosidade e com temperaturas que giram em torno de 15 graus. A insolação
intensifica a coloração das rosas, e o clima fresco retarda a abertura
dos botões, produzindo flores maiores, que duram até três
semanas. Até o ano 2000, os maiores produtores
brasileiros, localizados principalmente em São Paulo, Rio Grande do Sul
e Minas Gerais, eram incapazes de produzir rosas remotamente parecidas com as
colombianas. Em 2001, no entanto, um grupo de empresários paulistas importou
variedades de mudas especiais e tentou reproduzir a experiência colombiana
na Serra da Ibiapaba, na divisa entre o Ceará e o Piauí. A região
tem 950 metros de altitude, temperatura amena e luminosidade intensa. Passados
quatro anos, as flores cearenses ainda não atingem a exuberância
das produzidas na região de Bogotá, onde se concentra a produção
colombiana, mas melhoraram muito. Enquanto o tamanho da variedade de rosas tradicionais
produzidas no Sul e no Sudeste atinge em média 6 centímetros, as
da Serra da Ibiapaba chegam a 9 centímetros. Além disso, as flores
produzidas no Ceará duram até dezoito dias, enquanto as tradicionais
morrem depois de duas semanas. Graças à luminosidade cearense, colheitas
são feitas a cada 45 dias uma façanha, considerando que,
mesmo na Colômbia, são necessários ciclos de setenta dias.
Além disso, produtores nacionais informam que, em cada metro quadrado na
Serra da Ibiapaba, é possível obter até 200 rosas
produtividade duas vezes maior que a colombiana.
Com esse resultado, o Ceará tornou-se o maior estado exportador de rosas
para a Holanda, e as vendas externas de flores brasileiras cresceram 98% nos últimos
cinco anos. Enquanto a dúzia de rosas nacionais custa em média 15
reais, as colombianas, preferidas dos consumidores, superam os 40 reais. Além
disso, o Brasil ainda tem uma participação ínfima no comércio
mundial de apenas 0,2% de um segmento que movimenta 64 bilhões de
dólares por ano. "As vendas são dominadas pelos holandeses, que
estão gradativamente abandonando a produção para transformar-se
em distribuidores de flores para o resto do mundo", diz Danilo Serpa, diretor
executivo do grupo Flora Reijers, empresa sediada na cidade de Holambra, no interior
de São Paulo. Há quatro anos no Ceará, a Reijers vende 80%
de sua produção do Nordeste para os holandeses e embarca 44 toneladas
de rosas por mês. As mudas utilizadas pela empresa são desenvolvidas
por laboratórios internacionais que escolhem as variedades de flores que
melhor se adaptam ao clima do Brasil. Os produtores
brasileiros realizam uma operação rigorosa e delicada para levar
as rosas até a Holanda. O plantio é feito em estufas de plástico
transparentes vindas de Israel , que servem para reter a umidade
e evitar pragas. Elas são transportadas em caminhões e aviões,
a 2 graus Celsius. Quando chegam à Holanda, são comercializadas
no Leilão de Flores de Aalsmeer, a cerca de 16 quilômetros a sudoeste
de Amsterdã, a capital da Holanda. A Aalsmeer é uma casa de leilões
com dimensões assombrosas. Cerca de 120 campos de futebol caberiam dentro
do hangar principal, onde se comercializam 19 milhões de flores por dia.
Quando elas chegam ao consumidor final, o cuidado é simples. Basta cortar
a haste a cada dois dias e manter a água limpa.
As rosas da moda são as das variedades Avalanche, que são brancas;
Ipanema, de tom vermelho intenso; e Wow, de tonalidade alaranjada. As rosas vermelho-sangue,
da variedade Passion, e as de branco intenso, da Akito, já caíram
em desuso. As de botão grande, como as colombianas, são as preferidas
nos Estados Unidos. O primeiro registro da existência do cultivo de rosas
data de 5.000 anos atrás, na Ásia. Mas fósseis indicam que
já havia rosas selvagens há 35 milhões de anos. Ao longo
da história, a rosa foi transformada no símbolo dos apaixonados,
do romance e do amor. Num desses registros, Cleópatra teria jogado pétalas
de rosa no caminho de seus aposentos à espera do general romano Marco Antônio.
O comércio agradece essa associação. A cada três flores
vendidas hoje no mundo, estima-se que uma seja rosa, a espécie mais popular.
|