Edição 1903 . 4 de maio de 2005

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Exportação
O tamanho da rosa

Empresários tentam produzir no Ceará
espécies tão exuberantes quanto as
colombianas. Eles ainda não conseguiram,
mas já deram impulso às vendas externas


Chrystiane Silva


NESTA REPORTAGEM
Quadro: Rosa colombiana e a tradicional brasileira, em tamanho real

Nas últimas três décadas, as rosas produzidas na Colômbia ganharam destaque mundial por suas cores vivas, sua maior durabilidade e seu tamanho – elas medem 11 centímetros de diâmetro, o dobro de uma rosa tradicional brasileira. Esse feito está diretamente ligado às condições de plantio. As rosas colombianas são produzidas a 2.600 metros de altitude, em regiões de grande luminosidade e com temperaturas que giram em torno de 15 graus. A insolação intensifica a coloração das rosas, e o clima fresco retarda a abertura dos botões, produzindo flores maiores, que duram até três semanas.

Até o ano 2000, os maiores produtores brasileiros, localizados principalmente em São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, eram incapazes de produzir rosas remotamente parecidas com as colombianas. Em 2001, no entanto, um grupo de empresários paulistas importou variedades de mudas especiais e tentou reproduzir a experiência colombiana na Serra da Ibiapaba, na divisa entre o Ceará e o Piauí. A região tem 950 metros de altitude, temperatura amena e luminosidade intensa. Passados quatro anos, as flores cearenses ainda não atingem a exuberância das produzidas na região de Bogotá, onde se concentra a produção colombiana, mas melhoraram muito. Enquanto o tamanho da variedade de rosas tradicionais produzidas no Sul e no Sudeste atinge em média 6 centímetros, as da Serra da Ibiapaba chegam a 9 centímetros. Além disso, as flores produzidas no Ceará duram até dezoito dias, enquanto as tradicionais morrem depois de duas semanas. Graças à luminosidade cearense, colheitas são feitas a cada 45 dias – uma façanha, considerando que, mesmo na Colômbia, são necessários ciclos de setenta dias. Além disso, produtores nacionais informam que, em cada metro quadrado na Serra da Ibiapaba, é possível obter até 200 rosas – produtividade duas vezes maior que a colombiana.

Com esse resultado, o Ceará tornou-se o maior estado exportador de rosas para a Holanda, e as vendas externas de flores brasileiras cresceram 98% nos últimos cinco anos. Enquanto a dúzia de rosas nacionais custa em média 15 reais, as colombianas, preferidas dos consumidores, superam os 40 reais. Além disso, o Brasil ainda tem uma participação ínfima no comércio mundial – de apenas 0,2% de um segmento que movimenta 64 bilhões de dólares por ano. "As vendas são dominadas pelos holandeses, que estão gradativamente abandonando a produção para transformar-se em distribuidores de flores para o resto do mundo", diz Danilo Serpa, diretor executivo do grupo Flora Reijers, empresa sediada na cidade de Holambra, no interior de São Paulo. Há quatro anos no Ceará, a Reijers vende 80% de sua produção do Nordeste para os holandeses e embarca 44 toneladas de rosas por mês. As mudas utilizadas pela empresa são desenvolvidas por laboratórios internacionais que escolhem as variedades de flores que melhor se adaptam ao clima do Brasil.

Os produtores brasileiros realizam uma operação rigorosa e delicada para levar as rosas até a Holanda. O plantio é feito em estufas de plástico transparentes – vindas de Israel –, que servem para reter a umidade e evitar pragas. Elas são transportadas em caminhões e aviões, a 2 graus Celsius. Quando chegam à Holanda, são comercializadas no Leilão de Flores de Aalsmeer, a cerca de 16 quilômetros a sudoeste de Amsterdã, a capital da Holanda. A Aalsmeer é uma casa de leilões com dimensões assombrosas. Cerca de 120 campos de futebol caberiam dentro do hangar principal, onde se comercializam 19 milhões de flores por dia. Quando elas chegam ao consumidor final, o cuidado é simples. Basta cortar a haste a cada dois dias e manter a água limpa.

As rosas da moda são as das variedades Avalanche, que são brancas; Ipanema, de tom vermelho intenso; e Wow, de tonalidade alaranjada. As rosas vermelho-sangue, da variedade Passion, e as de branco intenso, da Akito, já caíram em desuso. As de botão grande, como as colombianas, são as preferidas nos Estados Unidos. O primeiro registro da existência do cultivo de rosas data de 5.000 anos atrás, na Ásia. Mas fósseis indicam que já havia rosas selvagens há 35 milhões de anos. Ao longo da história, a rosa foi transformada no símbolo dos apaixonados, do romance e do amor. Num desses registros, Cleópatra teria jogado pétalas de rosa no caminho de seus aposentos à espera do general romano Marco Antônio. O comércio agradece essa associação. A cada três flores vendidas hoje no mundo, estima-se que uma seja rosa, a espécie mais popular.

 

 
 
 
 
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